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O colapso da cultura do esperto e da política de bem-estar social

  • PorCristiano De Angelis
  • 15/05/2015 00:01

Há consenso de que se deve combater a desigualdade com aumento do gasto social e este dobrou de 1985 para cá. Mas há consenso também que é preciso tornar a população mais independente e inteligente para contribuir para o desenvolvimento do país. A política de bem-estar social faliu em todos os países do mundo há muito tempo.

A influência da cultura de dependência e de curto prazo impacta fortemente na inteligência governamental, fazendo com que o governo perca a capacidade de previsão e estratégia, o que cria dificuldades adicionais de interpretar a realidade.

A política de bem-estar social faliu em todos os países do mundo há muito tempo

Há uma clara falta de inteligência para sair das crises econômicas e de governança. A cultura de curto prazo, de ir levando as “coisas com a barriga” até estourar, pode ter o mesmo efeito da inércia inflacionária do Plano Cruzado (um ano de emoção e outros de sofrimento).

As elites políticas brasileiras não querem ouvir ninguém, nem os pesquisadores, nem os servidores, nem a população. A estratégia do governo é esperar e apostar que os movimentos populares se cansem – mesmo que eles tenham se cansado em 2013 e retornado em 2015. O governo se recusou a dialogar e isso foi um erro grave. Criou alguns mecanismos de participação popular, como o fórum interconselhos, mas não foi capaz de criar técnicas para criar conhecimento relevante e transformá-lo em inteligência e nem enfrentar o Congresso que tenta bloquear a participação popular através de atos legislativos.

O governo tenta se beneficiar de tudo, inclusive da avalanche das informações das redes sociais e da dificuldade da juventude em encontrar representação, o que acaba gerando ideias ultrapassadas de Estado mínimo e de nova intervenção militar, além de reivindicações mutuamente excludentes: impeachment e reforma política.

A presidente poderia e deveria convocar um plebiscito e abrir discussões sobre novos modelos políticos para o país, o que ajudaria e muito numa reforma administrativa para aliviar o gasto absurdo com a folha de pagamento e melhorar a efetividade dos programas sociais. Os servidores ganham altos salários para evitar a corrupção e com uma seleção baseada em testes de memória e uma formação com cursos mecânicos e repetitivos, gera-se uma incompatibilidade entre o que fazem e o que ganham. A população, por sua vez, vê o Estado com um pai protetor e só quer sugar, sem dar retorno.

Nos países latinos europeus, que fazem parte do famoso PIGS, composto por Portugal, Itália, Grécia e Espanha, a redução dos benefícios aos parasitas do governo não param. Aqui, ao contrário, reluta-se em cortar salários e benefícios dos servidores públicos, num contexto de dois grandes eventos mundiais e corrupção endêmica.

A quantidade de profissionais envolvidos em atividade de corregedoria, auditoria e controle interno e externo implica que não só há problemas na atuação individual de cada servidor público por causa de um baixo nível de consciência e inteligência, como há necessidade do envolvimento de outros colaboradores para corrigi-lo.

Há definitivamente a crise do modelo de bem-estar social no Brasil, juntamente com o colapso da cultura do esperto, que busca relações ganha-ganha e suga o Estado doente de tantos parasitas.

Para superar as crises, a presidente, mesmo com baixa popularidade, vai precisar desenvolver a consciência dos seus principais eleitores.

Cristiano De Angelis, PhD, é pesquisador da Skema Business School (França) e analista do Ministério do Planejamento.
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