Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

PUBLICIDADE

Artigo

Os alarmistas do clima admitem: desejam desmontar o sistema de livre iniciativa

Os esforços internacionais para combater as mudanças climáticas, até então, só resultaram em desperdício de dinheiro, e atingiram um impacto desprezível no clima

  • Nicolas Loris
  • The Daily Signal
 | Milan Knize/AFP
Milan Knize/AFP
 
0 COMENTE! [0]
TOPO

O Painel Intergovernamental para Mudança Climática (IPCC) está alertando que vamos ter de pagar o preço salgado da mudança climática bem antes do esperado. O planeta está perto de atingir o aumento-limite de 1,5 grau Celsius na temperatura média, e a civilização só tem 11 anos para resolver o problema.

E, claro, a solução é jogar por terra todo o sistema global de livre iniciativa que foi o responsável pelo progresso da humanidade e por trazer a prosperidade a bilhões de pessoas.

Mas não acredite nisso só porque sou eu quem estou dizendo. Um colaborador do site eco-friendly Grist tuitou que “Os principais cientistas do mundo acabaram de oferecer uma fundamentação sólida para desmantelar sistematicamente o capitalismo como uma necessidade fundamental para manter a civilização e um planeta habitável”. E o próprio relatório do IPCC afirma que “não existe nenhum precedente histórico registrado” para a transformação (leia-se “desdesenvolvimento”) necessária para frear o aquecimento global.

Uma reportagem da Associated Press disse: “Uma alta autoridade ambiental da ONU diz que países inteiros poderiam sumir do mapa pelo aumento do nível do mar se a tendência de aquecimento global não for revertida até o ano 2000. Enchentes nos litorais e quebra de safras criariam um êxodo de ‘ecorrefugiados’, com a ameaça de um caos político, disse Noel Brown, diretor do escritório nova-iorquino do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas. Ele disse que os governos têm uma janela de oportunidade de dez anos para resolver o efeito estufa antes que ele escape completamente do controle humano”.

Ano 2000? Opa, espere um pouco! O texto é de 30 de junho de 1989.

O atual modelo de desenvolvimento econômico é predominante por alguns motivos bem convincentes

Esqueçamos aquele último alerta de quase três décadas atrás. A verdade é que, ainda que nos últimos dias o novo relatório do IPCC e os defensores do fim do sistema de livre iniciativa tenham passado a ser brutalmente honestos a respeito de suas intenções, esse sentimento não é novo. Três anos atrás, a secretária-executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, Christiana Figueres, fez observações semelhantes em um esforço para aprovar o Acordo de Paris. “Essa é a primeira vez na história da humanidade em que estamos nos propondo, dentro de um certo período de tempo, a mudar intencionalmente o modelo de desenvolvimento econômico predominante nos últimos 150 anos, desde a Revolução Industrial”, disse ela.

O atual modelo de desenvolvimento econômico é predominante por alguns motivos bem convincentes. As pessoas que trocam livremente ideias e produtos, que estão protegidas da coerção governamental e que, graças ao império da lei, têm seu direito à propriedade bem definido e protegido têm se virado muito bem, obrigado. Mercados de energia livres e competitivos geram inovação e permitem que as famílias e negócios tenham acesso a energia barata e confiável, ainda por cima levando a um meio ambiente mais limpo.

Na contramão desse processo, os esforços internacionais para combater as mudanças climáticas são uma completa zona que tiveram como resultado o desperdício do dinheiro do contribuinte, energia mais cara e subsídios para as fontes de energia e tecnologias favoritas dos burocratas – tudo isso para atingir um impacto desprezível no clima.

80% de toda a energia consumida pelos norte-americanos vem de fontes convencionais, como carvão, óleo e gás natural. Cerca de 80% de toda a energia de que o mundo precisa é fornecida por esses recursos naturais, que emitem dióxido de carbono quando são queimados. Sobretaxar o CO2 vai elevar diretamente o custo da eletricidade, da gasolina, do diesel e do óleo usado para aquecimento de casas e edifícios. Mas a facada não termina aí.

Leia também: O Nobel e a fragilidade da economia diante das variáveis ambientais (artigo de Clóvis Borges, publicado em 14 de outubro de 2018)

Leia também: Vocação para produzir e preservar (editorial de 26 de agosto de 2018)

Quando consideramos o impacto da uma “taxa de carbono” nos indivíduos, não podemos esquecer que o carbono é parte imprescindível da vida. A energia é componente necessário para praticamente todos os bens e serviços que consumimos, então os americanos pagariam mais pela comida, pela saúde, pela educação, pelas roupas e pelo que mais você imaginar.

O mais recente relatório do IPCC sugere algumas políticas que seriam economicamente catastróficas. Um exemplo é implantar até 2030 um imposto sobre o carbono que fique entre US$ 135 e US$ 5,5 mil. Esse último valor equivale uma taxa de US$ 50 por galão (quase 3,8 litros) de gasolina. Uma cobrança dessas levaria famílias e negócios à falência, jogando o mundo em um desespero econômico.

Também é importante lembrar que uma política extrema para o clima desviaria recursos que poderiam ser usados para resolver graves problemas ambientais, como investir em infraestrutura forte o suficiente para nos proteger de desastres naturais; ou desenvolver tecnologias inovadoras para melhorar a qualidade da água e do ar.

O custo vale a pena? Afinal de contas, ter dinheiro, saúde e energia barata de nada adianta se as pessoas não tiverem um planeta onde viver. O IPCC estima que o clima poderia nos custar US$ 54 trilhões se nada for feito. Mas há alguma novidade na literatura científica nos mostrando que o apocalipse climático está próximo?

Não, de acordo com a climatologista Judith Curry, que já chefiou a Escola de Ciências Atmosféricas e da Terra no Instituto de Tecnologia da Geórgia. Ela garante que a principal conclusão do relatório do IPCC é a de que “as coisas seriam um pouco melhores com 1,5 grau em comparação com um aumento de 2 graus”. Além disso, ela afirma que “nas áreas terrestres, já passamos aquele limite de 1,5 grau se considerarmos as medições de 1890. As temperaturas em 1820 eram mais de dois graus inferiores. Houve uma boa dose de variação natural nas temperaturas até 1975, quando o aquecimento global causado pelo homem começou a fazer alguma diferença”.

Leia também:Qual é a contribuição dos transgênicos para o meio ambiente? (artigo de Maria Luiza Nachreiner, publicado em 4 de outubro de 2018)

Leia também: Um compromisso de todos nós (artigo de Malu Nunes, publicado em 22 de setembro de 2018)

Outro ponto crítico que Judith Curry cita é o fato de o IPCC praticamente desconsiderar as variações mais baixas nos valores de sensibilidade climática provável entre 1,5 e 4,5 graus. A sensibilidade climática de equilíbrio (ECS) tenta medir qual seria a resposta na temperatura da Terra às emissões de dióxido de carbono, respondendo à seguinte questão: o quanto a temperatura do planeta mudaria se a quantidade de CO2 na atmosfera dobrasse? Há muito debate sobre o ECS na literatura científica, com boa dose de incerteza. E, afirma Curry, “boa parte do problema desaparece se o ECS for, na realidade, algo entre 1,5 e 2 graus”.

E os desastres naturais? Roger Pielke Jr., da Universidade do Colorado, que se especializou em analisar tendências de eventos climáticos extremos, enfatiza que “o IPCC mais uma vez afirma que há pouca evidência de que secas, enchentes, furacões e tornados tenham ficado mais frequentes, e muito menos que isso tenha ocorrido devido aos gases de efeito estufa”.

Um outro problema é a politização das ações propostas pelo IPCC. Isso fica muito evidente na maneira como o relatório trata a energia nuclear. Ela garante quase 60% de toda a eletricidade “limpa” dos Estados Unidos, mas os especialistas se empenharam em aterrorizar a população sobre uma ampliação do seu uso. E aí alguém se pergunta: se as mudanças climáticas fossem uma crise que poderia ameaçar a nossa existência, o mundo não precisaria de toda a energia nuclear que pudesse conseguir?

O relatório até admite que qualquer estratégia para reduzir os níveis de CO2 na atmosfera passa pelo maior uso da energia nuclear, mas também diz que seu uso “pode aumentar os riscos de proliferação, ter efeitos ambientais negativos (por exemplo, sobre a água) e ter efeitos variados sobre a saúde humana, caso substituam os combustíveis fósseis”.

Em um texto na Forbes, Michael Shellenberger registra o preconceito histórico do IPCC contra a energia nuclear. O relatório, de forma descarada, apoia a ampliação das fontes solar e eólica, e sugere mudanças de estilo de vida para reduzir nossa pegada de carbono, como adotar a lavagem a seco, comer menos carne vermelha e ir ao trabalho de bicicleta.

Independentemente da causa, há, sim, desafios inquestionáveis trazidos por um clima em mudança.

Investir na proteção de corais para protegê-los de eventos climáticos extremos pode valer a pena. Mas a combinação entre aterrorizar a população e oferecer soluções que exigiriam virar a economia mundial de cabeça para baixo é irreal e contraproducente.

Nicolas Loris é economista especializado em energia e assuntos relativos a meio ambiente e regulação, como pesquisador da Heritage Foundation. Tradução: Marcio Antonio Campos.
© 2018 The Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês.

8 recomendações para você

deixe sua opinião

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE