i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?
artigo

Petróleo e homens sem livros

  • PorWanda Camargo
  • 25/10/2013 21:02

Quando era proibido acreditar que o Brasil tinha petróleo, um homem acreditou e gritou alto que o Brasil o tinha: Monteiro Lobato. Acreditou e foi preso por isso – ironicamente, pela polícia do ditador que, já presidente, sancionou a criação da Petrobras. É de Lobato a afirmação "um país se faz com homens e livros" e, provando a coerência de sua crença, fundou a primeira editora brasileira, investindo e perdendo seu próprio dinheiro.

Agora, quando a exploração comercial do petróleo da camada do pré-sal parece estar começando a se viabilizar, é oportuno lembrar esse e outros visionários que, com coragem intelectual e desprendimento, contribuíram decisivamente para a construção de nossa consciência nacional.

Podemos estar no limiar de uma era de prosperidade; talvez nos tornemos grandes exportadores de um produto que, por algum tempo, continuará a ser a principal fonte de energia do planeta. E é conveniente que tenhamos em mente o péssimo uso que já fizemos dos recursos advindos de vários ciclos econômicos de matriz extrativista: pau-brasil, ouro, açúcar, cacau, borracha e outros. O que nos restou foram casarões em ruínas e imensas crateras, serras peladas e terras devastadas; e o pequeno consolo de visitar igrejas belamente revestidas de dourado. Nada desta riqueza parece ter gerado divisas verdadeiras, duradouras. Nenhum bom sistema educacional foi estabelecido ao alcance de todos. Para a maioria dos brasileiros, é como se nunca tivessem existido.

No entanto, pelo menos no campo das intenções, agora parecemos estar bem: segundo lei aprovada, o total dos lucros do petróleo do pré-sal que caberá ao Brasil deverá ser empregado em educação (75%) e saúde (25%). Todo cidadão tem o dever de fiscalizar o bom uso desse dinheiro, garantir que todo ele chegue de fato aonde deve e seja utilizado de modo eficaz; evitando a instalação de hospitais e escolas em prédios suntuosos, cuja construção certamente será lucrativa, mas não contribuirá em nada para suas finalidades; evitando as compras milionárias de equipamentos inúteis, o desperdício, o compadrio, os grandes negócios.

A educação brasileira é extremamente carente de boa gestão. Recursos são necessários, mas sozinhos não garantem o porvir luminoso que desejamos ao processo educativo; muito dinheiro mal aplicado não gerará a formação de bons cidadãos, desenvolvimento tecnológico e saúde populacional.

Monteiro Lobato estreou na literatura adulta com um livro de contos no qual aparece pela primeira vez o Jeca Tatu, caboclo indolente e doentio, emblemático do Brasil rural do início do século passado. O autor não demonstra pelo personagem a menor piedade ou condescendência; retrata-o com raiva, ataca-o com fúria, culpa-o pelas suas próprias misérias, pelo comodismo, pela ignorância, pelo conformismo religioso e político. Aquilo que nos parece maldade é, na verdade, amor: amor pelo ser humano manifestado por alguém que acreditava que devemos ser donos de nosso destino, que não aceitava o atraso e a desgraça.

Tantos anos depois, lamentavelmente pouco foi alterado desta realidade: continuamos um país promissor, o país do futuro ainda refletindo o passado. Nossa dívida com as gerações futuras é imensa. Em algum momento teremos de honrá-la.

Wanda Camargo, educadora, é assessora da presidência das Faculdades Integradas do Brasil (UniBrasil).

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 0 ]

Máximo 700 caracteres [0]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Termos de Uso.