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Opinião do dia 1

Poupança e o período de “vacas magras”

  • PorLuciano Nakabashi
  • 04/03/2009 21:02

A atual conjuntura da economia brasileira não é das melhores devido ao cenário internacional deteriorado. Um bom índice para perceber isso é o nível de utilização da capacidade instalada da indústria que passou de 86,3%, em outubro de 2008, para 76,7%, em janeiro de 2009. A utilização da capacidade instalada da indústria de bens de capital passou de 88,1% para 73,3%, no mesmo período, ou seja, uma queda de 15% em apenas três meses.

No entanto, pode-se dizer que a economia do país se encontra em uma situação relativamente tranquila em relação às demais. Então, uma pergunta adequada seria: qual o principal elemento que nos coloca nessa situação privilegiada?

Um elemento crucial foi a presença de elevados superávits na balança comercial (saldo das exportações menos importações) que levaram a recorrentes superávits na conta-corrente brasileira a partir de meados de 2003. Tal situação foi revertida apenas em janeiro de 2008. Isto significa que o país cresceu acumulando poupança com o resto do mundo por quatro anos e meio, levando a um nível reservas internacionais que hoje se encontra próximo de US$ 200 bilhões.

Essa poupança em dólares, além de propiciar um crescimento da economia sem que ela esbarre na restrição do balanço de pagamentos, serve como um colchão contra turbulências no cenário internacional e também fornece boas oportunidades em um momento de crise.

Podemos fazer a analogia com um indivíduo que seja dono de uma empresa e esteja passando por dificuldades devido a uma queda da demanda por seus bens, mas cujas receitas recentes foram maiores que seus custos, o que lhe permitiu acumular uma poupança, situação diversa daquele que é dependente de empréstimos no mercado financeiro para pagar todas as suas despesas. Enquanto o primeiro pode utilizar sua poupança acumulada para passar pelo período de "vacas magras" ou até ir a um banco pegar um empréstimo, o segundo fica sem opções, pois não tem garantias nem para fazer nova dívida. Assim, este, que já estava em uma situação insustentável, mas que poderia ser alterada no futuro devido a um aumento de receitas e/ou queda nos custos, é obrigado a fechar as portas de seu negócio.

Em relação à economia brasileira, estamos presenciando atualmente a importância de se ter um elevado nível de reservas em um momento em que o capital estrangeiro tende a fluir de mercados emergentes para economias mais sólidas, principalmente daqueles países que estavam dependentes desses capitais. Os países emergentes que estavam com déficits consistentes em suas contas-correntes, ou seja, dependentes de poupança externa para fechar suas contas e com baixo nível de reservas, foram os primeiros a sentir a restrição internacional de crédito, enquanto que, após uma fuga inicial, os investidores voltaram a investir inclusive na Bovespa.

O maior exemplo atual de crescimento sem dependência de poupança externa é a China que tem um volume de reservas internacionais próximas de US$ 2 trilhões. É claro que sua economia já está sentindo e vai sentir ainda mais os efeitos da crise internacional visto o volume de exportações para o resto do mundo. No entanto, o impacto tem se mostrado menos severo que nas demais economias. Além disso, a China está aproveitando o presente momento de preços deprimidos para ir às compras. Ela tem feito várias compras e contratos com empresas de energia e recursos naturais em um momento em que os preços estão baixos de forma a garantir o abastecimento de insumos essenciais para a manutenção de seu crescimento no longo prazo.

A lição que devemos tirar é que o avanço sem a utilização de poupança externa é um fator crucial para o crescimento sustentável de uma economia e sua importância se torna evidente nos momentos de "vacas magras".

Luciano Nakabashi, doutor em Economia, é professor do Departamento de Economia da UFPR e coordenador do boletim de Economia & Tecnologia. E-mail: luciano.nakabashi@ufpr.br

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