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Reduzir a velocidade para promover a vida

  • Gustavo Fruet
 
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Depois de décadas de planejamento voltado em grande parte para o deslocamento individual motorizado, cidades do mundo inteiro estão revendo a forma de pensar o espaço urbano. Cada vez mais, gestores entendem que a prioridade deve ser das pessoas, e não dos veículos – opção que implica em políticas voltadas para o pedestre, o ciclista, o transporte coletivo e a promoção da convivência harmoniosa no trânsito.

Nos últimos dois anos, Curitiba deu passos importantes nessa direção. Implantamos na Avenida Sete de Setembro a primeira Via Calma da cidade, que permite o compartilhamento de uma mesma rota por carros, bicicletas e pedestres. Criamos faixas exclusivas para ônibus, beneficiando passageiros, cobradores e motoristas de 44 linhas de ônibus, que transportam 157 mil pessoas por dia. Instalamos paraciclos em 24 pontos da região central e nos terminais de ônibus, além de colocar vagas para estacionamento de bicicletas em pontos antes destinados à parada de carros. Trinta e um cruzamentos da cidade com grande risco de atropelamento estão recebendo semáforos inteligentes para pedestres, que aumentam o tempo de travessia para pessoas com mobilidade reduzida.

Agora, a cidade consolida sua opção pela humanização do espaço público ao criar a Área Calma, perímetro na região central que será objeto de uma série de medidas para promover o compartilhamento seguro do espaço entre os diferentes modais. Nessa área, a velocidade máxima para veículos será de 40 quilômetros por hora.

A cidade consolida sua opção pela humanização do espaço público ao criar a Área Calma

A redução do limite de velocidade é uma forma de tornar mais pacífica a convivência no trânsito e de proteger a vida, especialmente de pedestres e ciclistas, que são os personagens mais vulneráveis no cenário do tráfego urbano.

Curitiba tem sido muito bem sucedida no esforço para reduzir as mortes no trânsito. Em cinco anos, o número de óbitos caiu 30,6%, graças a um trabalho rigoroso de análise de dados que subsidia políticas públicas na área, por meio do programa Vida no Trânsito.

Mas ainda precisamos avançar bastante. Entre 2012 e 2014 foram registrados 1.173 acidentes na região central, que inclui a Área Calma. Destes, 106 resultaram em mortes, grande parte (46) por atropelamento. Com a redução da velocidade na Área Calma, esperamos reduzir esses números, como já ocorre em muitas cidades que adotaram medida semelhante. É comprovado que, com velocidade menor, o risco de dano em caso de atropelamentos cai expressivamente.

Além disso, com velocidade reduzida, o fluxo de veículos tende a ser melhor, com menos oscilações.

É uma iniciativa que requer adesão da sociedade. Exige que cada um reflita sobre a cidade que deseja e sobre o seu papel para evitar novas tragédias no trânsito, e até mesmo para tornar mais amigável o lugar onde vive.

A prefeitura fará a sua parte adotando um conjunto de medidas para tornar o espaço da Área Calma mais agradável e seguro para todos. Além de sinalização adequada, vamos investir na construção ou adaptação de rampas de acessibilidade para que pessoas com mobilidade reduzida tenham melhores condições de deslocamento.

A paisagem da região – já embelezada por muitas praças, construções históricas e espaços culturais – ganhará ainda mais vida com o plantio de árvores (o que contribuirá para melhorar a qualidade do ar) e a instalação de vagas vivas (parklets) em alguns pontos, substituindo vagas de estacionamento existentes.

Com a Área Calma, Curitiba reduz a velocidade para avançar na promoção da vida e da paz no trânsito.

Gustavo Fruet é prefeito de Curitiba.

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