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Somente o planejamento urbano viabiliza a mobilidade

O ritmo de crescimento das cidades ao redor do mundo e os problemas dele decorrentes exigem soluções inteligentes para a mobilidade urbana

  • PorLuiz Augusto Pereira de Almeida
  • 29/09/2018 00:01
 | /Pixabay
| Foto: /Pixabay

O ritmo de crescimento das cidades ao redor do mundo e os problemas dele decorrentes, como falta de saneamento, habitação precária, degradação do meio ambiente e insegurança, têm sido objeto frequente dos mais variados debates, com o propósito de se encontrarem soluções técnico-financeiras que levem mais bem-estar aos cidadãos.

Um dos assuntos mais falados atualmente é o da mobilidade urbana. O tema está na moda. Morar em uma cidade grande onde o sistema de transporte coletivo não atende às necessidades de seus habitantes é um ônus insuportável no médio e longo prazo. Perder horas no trânsito por excesso de veículos, estar sujeito a assaltos e às intempéries, ou ser surpreendido por falha dos ônibus e trens são situações que ninguém está mais disposto a enfrentar. Daí as inúmeras propostas, públicas e privadas, novas e antigas, que têm pautado o desenvolvimento e crescimento das cidades brasileiras, como o metrô, corredores de ônibus, Uber, carros e bicicletas pay-per-use, patinetes elétricos e aplicativos GPS.

O metrô é o meio de transporte mais seguro, veloz e eficiente, mas o mais caro. Um quilômetro custa algumas centenas de milhares de dólares, podendo chegar a US$ 1 bilhão, dependendo das circunstâncias e dificuldades da obra (no caso da Linha 4 de São Paulo, o valor médio é de US$ 220 milhões). Ademais, trata-se de um investimento de longo prazo. Portanto, é uma solução somente para cidades de grande porte, com forte adensamento demográfico e recursos financeiros.

Os corredores de ônibus são mais viáveis, graças à rapidez da implantação e ao custo menor

Os corredores de ônibus são bem mais viáveis, graças à rapidez da implantação e ao custo menor (US$ 10 milhões por quilômetro, em média). O Bus Rapid Transit (BRT) tem sido adotado em alguns municípios, como Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. Não obstante ser uma alternativa mais econômica, ainda assim exige o aporte de volumosos recursos.

Outra solução é o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), recém-inaugurado nas cidades do Rio de Janeiro e Santos. Trata-se de um modelo intermediário entre o metrô e os corredores de ônibus, mas de certa forma limitado, devido à rigidez de percurso e interferência nas ruas e equipamentos públicos de superfície. É uma opção urbanística para curtos trajetos e com forte impacto turístico.

Excetuando-se os sistemas de transporte de massa, restam propostas acessórias como o Uber, carros e bicicletas pay-per-use. Um exemplo foi o recente investimento que São Paulo realizou na construção de mais de 400 quilômetros de ciclovias (embora mais de 90% sejam ciclofaixas, inseguras e de difícil manutenção). Embora conceitos simpáticos e de apelo tecnológico-ambiental, como já dito, são individuais e elitistas.

Leia também: Automóvel: amigo ou vilão da mobilidade urbana? (artigo de Roberto Cerdeira, publicado em 6 de abril de 2017)

Leia também: Mobilidade e economia, uma equação mal resolvida (artigo de Adriana Regina Tozzi Pontoni, publicado em 8 de outubro de 2015)

Em São Paulo, uma das cidades mais afetadas pela precariedade dos deslocamentos urbanos, teríamos, ainda, uma alternativa nem sequer cogitada: a navegabilidade dos rios Pinheiros e Tietê. O seu uso agregaria imenso potencial para desafogar o trânsito, proporcionando meio seguro, barato e rápido de transporte coletivo.

Não há solução fácil e imediata para a mobilidade. Mas, sem dúvida, um dos mais importantes fatores para diminuir as viagens, apesar de muito pouco abordado, é o planejamento urbano, em especial de longo prazo. Cidades compactas, onde as distâncias entre os locais de moradia, trabalho, escolas, comércio e serviços são mais curtas, com adensamento populacional mais intenso e uso do solo mais diversificado, apresentam melhores condições de deslocamento, melhor saúde de seus moradores, que andam mais a pé e de bicicleta, vencendo o sedentarismo, e menos poluição pelo não uso do automóvel.

O centro de São Paulo poderia servir como bom exemplo de cidade compacta. Há anos, o município luta para melhorar a região, mas sem êxito. Uma sugestão seria instituir potenciais construtivos muito superiores aos hoje existentes, tanto para uso residencial como comercial e de serviços, privilegiando o uso do transporte coletivo já existente (metrô e ônibus) e tornando a área amigável durante o dia e a noite. Com inovação e criatividade, podemos achar soluções de mobilidade mais econômicas e de curto prazo. O planejamento urbano pode ser um grande aliado.

Luiz Augusto Pereira de Almeida é diretor da Fiabci/Brasil e diretor de Marketing da Sobloco Construtora.
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