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A importância do capital humano no processo de difusão de tecnologia é que a educação melhora a habilidade dos trabalhadores e empresários em receber, decodificar e entender novas informações e idéias.

Existe uma ampla discussão sobre o papel do capital humano no crescimento das economias e ela está longe de ser finalizada, embora haja uma grande quantidade de estudos que utilizam dados de rendimentos individuais, dando suporte à visão de que o capital humano é um elemento crucial no crescimento da renda de uma forma direta. Muitos estudos empíricos apontam que os retornos dos investimentos em capital humano são elevados tanto em países em desenvolvimento quanto nos desenvolvidos, ou seja, o efeito no aumento salarial é considerável.

O capital humano é crucial na determinação da taxa de crescimento da renda de um país por seus impactos diretos e indiretos. Impactos diretos do capital humano são aqueles que afetam a renda por meio da melhora na produtividade marginal do trabalho, mantendo todos os outros fatores constantes (capital e tecnologia). Isto é, falamos da maior habilidade dos trabalhadores na realização de suas respectivas tarefas. Os efeitos indiretos são aqueles que afetam a quantidade de tecnologia disponível para ser utilizada no processo de produção. Assim, são os fatores que influenciam na criação e na difusão de tecnologia.

Em um estudo para 96 países em quatro períodos de tempo (1985, 1990, 1995, 2000), utilizando dados agregados, ao contrário dos mencionados anteriormente, os resultados obtidos foram de que o impacto direto do capital humano sobre o crescimento da renda por trabalhador não é tão relevante quando os outros efeitos que captam o papel do capital físico, da tecnologia e do comércio internacional são considerados. Os resultados do estudo dão suporte à idéia defendida pelos economistas Richard Nelson e Edmund Phelps (sendo este ganhador do prêmio Nobel de economia em 2006), ambos da Universidade de Columbia (EUA). Isto é, o capital humano parece ser mais importante pela sua interação com a distância da fronteira tecnológica, ou seja, pela aceleração do processo de difusão tecnológica tanto nos países desenvolvidos quanto nos países em desenvolvimento.

A importância do capital humano no processo de difusão de tecnologia é que a educação melhora a habilidade dos trabalhadores e empresários em receber, decodificar e entender novas informações e idéias. Adicionalmente, o processamento e a interpretação de novas informações são elementos cruciais no aprendizado e na realização das mais diversas tarefas, ainda mais quando se considera um mundo em constante processo de transformação.

Levando em conta que a criação de tecnologia é menos relevante no processo de desenvolvimento de países mais atrasados, pois estes não participam de maneira significante das atividades voltadas à criação de tecnologia, o meio pelo qual eles podem experimentar melhoras tecnológicas é através do processo de difusão. Assim, esse canal passa a ser essencial na determinação do sucesso econômico dos países que não se engajam na criação de tecnologia, para o qual a presença de um estoque de mão de obra qualificada é fundamental.

Além dos possíveis efeitos diretos sobre o aumento da renda do trabalhador, como conseqüência do maior nível da educação, este fator também é essencial no processo de difusão de tecnologia, condição necessária para a elevação do padrão de vida no longo prazo. Portanto, os gestores de política econômica devem dar total ênfase a uma boa formação dos cidadãos brasileiros para que o país possa, finalmente, alcançar um maior nível de renda per capita.

Lízia de Figueiredo, Ph.D. em Economia, é professora da UFMG.

Luciano Nakabashi, doutor em Economia, é professor e vice-coordenador da pós-graduação em Desenvolvimento Econômico da UFPR e coordenador do boletim de Economia & Tecnologia

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