Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

PUBLICIDADE
  1. Home
  2. Opinião
  3. Artigos
  4. Um futuro com menos delay na transmissão de eventos esportivos

artigo

Um futuro com menos delay na transmissão de eventos esportivos

O atraso na transmissão de eventos esportivos em tempo real, ainda que pequeno, pode acabar com a graça de quem assiste

  • Wellington Lordelo
 | Henry Milleo/Gazeta do Povo
Henry Milleo/Gazeta do Povo
 
0 COMENTE! [0]
TOPO

Se tem uma coisa que a Copa do Mundo 2018 (e outros eventos esportivos) demonstrou é que a experiência do usuário é determinante para o sucesso de qualquer emissora ou produtora de conteúdo. Aqueles que assistiram aos jogos pela tevê a cabo ou via streaming puderam perceber claramente o atraso na transmissão, quando seus vizinhos que acompanhavam a mesma partida pela tevê aberta ou pelo rádio gritavam “gol” bem antes. Durante a competição, vários vídeos circularam nas redes sociais mostrando a diferença – que chegava a 40 segundos em alguns casos –, o que prova que um atraso na transmissão de eventos esportivos em tempo real, ainda que pequeno, pode acabar com a graça de quem assiste.

A razão desse delay já é bem conhecida: o caminho do sinal, desde a captura da imagem até a recepção do usuário final, é maior pela tevê a cabo do que pela tevê aberta (e maior ainda via streaming). Mas qual seria a alternativa, então? Muitos saíram comprando antenas durante a Copa, o que com certeza não é solução ideal (para aqueles que investiram em televisores de alta definição ou 4K em busca de qualidade, definitivamente não é). Na verdade, a solução para reduzir esse atraso existe, sim – se chama interconexão. O usuário final pode exigir que seu provedor de internet seja bem interconectado para gastar menos “saltos” para atingir o conteúdo.

A solução para reduzir esse atraso existe, sim – se chama interconexão

A plataforma atual dessas empresas ainda é arquitetada em torno de uma tecnologia tradicional e de redes centralizadas para a recepção e distribuição de mídia. As emissoras recebem a transmissão de um jogo do outro lado do mundo, levam os dados para suas sedes cada uma de um jeito (geralmente, pelo caminho da internet pública), e depois distribuem para os assinantes, seja por fibra ótica ou satélite. Esse modelo fixo em silos de criação, armazenamento e distribuição já não comporta mais o volume de dados, o crescimento dos negócios em escala global e a velocidade de transmissão exigida hoje em dia, sendo, ainda, muito custoso, rígido e restritivo.

Já a interconexão permite que a troca de dados seja feita diretamente entre as companhias de mídia digital, sem passar necessariamente pela internet. Ao conectar de modo privado vários data centers espalhados pelo globo, a interconexão cria uma espécie de “rodovia privada” aberta só para essas empresas, um caminho menos congestionado e muito mais rápido que a “rodovia pública” da internet. Até 2020, a previsão é de que a interconexão entre as empresas cresça em média 62% ao ano na América Latina, chegando a um volume de 626 Tbps em dados. Apenas no setor de mídia e entretenimento da região, esse número deve chegar a 96 Tbps.

Em um nível básico, a interconexão entre data centers ajuda a garantir que o fluxo de vídeo em tempo real seja entregue sem falhas. No caso da Copa da Rússia, por exemplo, a transmissão teria a velocidade e a baixa latência necessárias para garantir a melhor experiência de visualização possível (ou seja, com qualidade de imagem e sem atraso). Com uma plataforma interconectada, as empresas de conteúdo e mídia digital podem escalar rápida e facilmente suas produções, conectar-se de forma privada com parceiros de entrega de conteúdo e criar produtos inovadores e customizados para o usuário final, gerando novas receitas e novas formas de consumo de mídia.

Leia também: Concessões malsucedidas emperram o setor de infraestrutura (artigo de André Luiz Bonat Cordeiro, publicado em 1.º de agosto de 2018)

Leia também: A queda dos espertos: perder no futebol para ganhar culturalmente (artigo de Cristiano Trindade de Angelis, publicado em 5 de julho de 2018)

Um exemplo é a Discovery Communications. A companhia implementou uma arquitetura já orientada à interconexão, que a permitiu transformar seu negócio em um modelo distribuído e totalmente baseado em nuvem. Colocando a sua infraestrutura de TI em data centers interconectados em Ashburn, Londres e Paris, a Discovery consolidou 80% de sua plataforma, otimizando a entrega de conteúdo mundial e acelerando a entrega de produtos em tempo real. A ideia é atender à demanda de consumo advinda da transmissão dos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020.

Já aqui no Brasil, o movimento de adoção da interconexão pelo setor de mídia e entretenimento não tem caminhado tão rápido assim. Contudo, as empresas já se atentaram para sua importância, principalmente no que tange à possibilidade de inovar e gerar novas fontes de receita. Quem sabe agora, com a experiência do usuário tão em evidência, as emissoras e produtoras de conteúdo brasileiras não decidam dar o passo final, já se preparando para os próximos grandes eventos esportivos e se tornando companhias verdadeiramente globais.

Wellington Lordelo é gerente de Solution Marketing da Equinix Brasil.

8 recomendações para você

deixe sua opinião

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE