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Um intercâmbio de saberes, sabores e cores

Interações entre escolas do Sul e do Nordeste enriquecem o ambiente educacional e geram maior comprometimento com a educação

  • David José de Andrade Silva
 | Maicon J. Gomes/Gazeta do Povo
Maicon J. Gomes/Gazeta do Povo
 
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O que acontece quando a frente fria do Sul se mistura com o ar quente do Nordeste? Uma tempestade de interações! No começo de junho, representantes do IFPR, Campus Jacarezinho, no Paraná, e a comunidade da Escola Estadual de Educação Profissional Alan Pinho Tabosa, em Pentecoste, no Ceará, protagonizaram um encontro inédito na V Feira Científica, Profissional e Cultural – realizada pela escola cearense – durante uma ação de intercâmbio promovida com apoio do programa Escolas Transformadoras.

A delegação de Jacarezinho era composta das estudantes Gabriely Rodrigues Alves (Técnico Integrado em Alimentos), Laura Souza Juliano (Técnico Integrado em Eletromecânica), Milene Mateus (Técnico Integrado em Informática) e o professor David José de Andrade Silva, orientador dos trabalhos científicos expostos na feira. O foco principal das apresentações do grupo visitante era abordar o novo currículo do Campus Jacarezinho, a visão dos estudantes sobre essa mudança curricular, a importância do Balaio Cultural como política institucional de fomento à arte e à cultura e as ações de pesquisa, extensão e inovação.

A aprendizagem em células cooperativas é uma metodologia que prima pela autonomia e solidariedade entre os estudantes

Os paranaenses foram acolhidos pelo professor Elton Luz Lopes, diretor geral da EEEP Alan Pinho Tabosa desde a chegada até o retorno ao aeroporto em Fortaleza. O anfitrião fez questão de que os visitantes conhecessem elementos característicos da região, como saborear uma típica tapioca com queijo, experimentar tilápia com manteiga da terra em um restaurante tradicional e conhecer pontos turísticos do município de Pentecoste, como o açude Pereira de Miranda, um dos mais importantes do estado. Ele também apresentou ao grupo paranaense as origens do Programa de Estímulo à Cooperação na Escola (Prece), método da aprendizagem cooperativa em células que utilizam nas aulas.

Ao longo da feira, o grupo do IFPR pôde interagir com os estudantes cearenses e conhecer um pouco mais sobre os cursos e projetos da escola. Destaque para o espanto de muitos quando souberam que havia pessoas vindas do Paraná, pois, até aquele momento, a feira recebia somente escolas de municípios da região, fato que possibilitou uma bela troca de ideias para compreender as diferenças regionais. Mais do que discutir ciência e tecnologia, o contato entre estudantes de distâncias tão grandes dentro do mesmo país promoveu a superação de preconceitos, a relação entre adolescentes que sonham em transformar a realidade e o fortalecimento do programa Escolas Transformadoras.

Na bagagem de volta para casa, é certo que os paranaenses trouxeram em seus corações e mentes as melhores lembranças de Pentecoste. Em especial, podem-se destacar duas atitudes inspiradoras. A aprendizagem em células cooperativas é uma metodologia que prima pela autonomia e solidariedade entre os estudantes, pois são eles os responsáveis por colaborar uns com os outros no objetivo de aprender. Se um dos discentes do trio que compõe a célula não se esforçar em ajudar seu grupo, o ciclo virtuoso é dificultado.

Leia também: O Brasil e a sua inaptidão para os livros (artigo de Roosevelt Colini, publicado em 1.º de julho de 2018)

Contra a BNCC: Não à BNCC totalitária (artigo de Anamaria Camargo, publicado em 2 de julho de 2018)

O que nos leva à segunda atitude, que é o engajamento e o compromisso com a comunidade escolar. É de brilhar os olhos quando sabemos que ex-participantes do Prece retornam da universidade com o compromisso de contribuir para o crescimento da escola e das próprias associações independentes organizadas pela metodologia do Prece. Esse comprometimento torna-se cultural e, por conseguinte, visível nas ações dos estudantes ao longo da feira, extremamente empenhados em dar o seu melhor por e para a escola. Ter uma comunidade escolar engajada alimenta a esperança de uma sociedade melhor e indica um caminho a ser seguido.

Por fim, restaram dois novos objetivos a serem atingidos: retornar ao Ceará para aprofundar a experiência e retribuir todo o carinho que recebemos quando a EEEP Alan Pinho Tabosa vier a Jacarezinho. Essa mistura de pinhão e rapadura ainda vai dar muito samba.

David José de Andrade Silva é professor, na Coordenação de Pesquisa e Extensão, de Língua Inglesa e Língua Portuguesa do IFPR, Campus Jacarezinho. Possui licenciatura pela Universidade Estadual do Norte do Paraná e mestrado pela UFPR.

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