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bruno garschagen

Se existem muitas verdades, tudo é permitido

Se não existem uma ordem interior e uma cultura virtuosa que orientem e definam a política, a política orientará e definirá o homem e a cultura

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  • 13/06/2016 00:01

Esqueça por alguns momentos a política brasileira. Passe uma borracha mental no novo governo, no velho governo, no PT, no PMDB, no PSDB, em Michel Temer, Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Dilma Rousseff, José Dirceu, Lula et caterva. Pense agora naquilo que precede a política e que lhe atribui significados, singularidades e alicerces: o homem e a sua cultura. São as dimensões individual e cultural que nos permitem identificar as origens do nosso drama moral e da desordem política no Brasil.

Quando o senso comum de uma sociedade baseia-se em relativismos, a começar pela ideia de que a verdade não existe e que cada indivíduo é portador de sua própria verdade, uma parte substantiva da experiência histórica é neutralizada ou eliminada. Porque se cada homem constrói e manifesta uma verdade teremos um prisma dispersivo moral e ético que impossibilita a formação de um senso comum e de um bem comum.

Como saber o que é certo e errado? Como verificar o mal do espírito e a degradação do indivíduo, o problema e a tensão do Bem e do Mal?

Ao serem igualadas às virtudes éticas e morais, aquelas que permitiram ao homem desenvolver qualidades íntegras nos âmbitos individual e comunitário, a imoralidade e a amoralidade destroem o capital de experiência que resistiu aos testes do tempo e impedem a reforma das coisas boas e a eliminação das coisas ruins. Assim como uma casa sólida, uma comunidade precisa de ajustes ao longo do tempo para manter-se viva, funcional e atualizada. No âmbito individual, o “guarda-roupa da imaginação moral” definido por Edmund Burke nas Reflexões sobre a Revolução na França será o depositório e fornecedor dos sentimentos e das ideias que viabilizam “toda a roupagem decente da vida”.

Diante de tudo isso, como saber o que é certo e errado? Como verificar o mal do espírito e a degradação do indivíduo, o problema e a tensão do Bem e do Mal, a corrupção da imaginação moral se não conseguimos identificar os problemas mais relevantes e urgentes para depois solucioná-los?

Sem uma verdade fundamentada numa ordem moral e transcendente para nos orientar como uma espécie de bússola, quaisquer ideias, atos e condutas serão considerados legítimos – mesmo aqueles que pretendem destruir todas as coisas boas que herdamos, preservamos e lapidamos. E perderemos gradualmente a capacidade de reconhecer problemas sérios de ordem interna (individual) e externa (comunitária). A consequência? A desordem interna e o consequente caos moral forjarão espíritos confinados ao drama da existência que agirão como seres soturnos de uma vida degradada. Eles já existem e formam uma legião cada dia mais numerosa.

Entendo que ignorar o problema seja a saída mais fácil para todos os que não querem assumir as rédeas da própria vida ou que não se importam com a vida em comunidade. Frases do tipo “não tenho nada a ver com isso”, “não me interessa”, “ele(a) pode fazer o que quiser com vida dele(a)”, “tenho coisas mais importantes para preocupar-me” são um sinal claro de que as pessoas que as proferem perderam ou jamais tiveram vínculos profundos com os lugares onde moram e com as pessoas que desconhecem. Suas ligações resumem-se a, quando muito, contatos com parentes, amigos e colegas.

Não é a política nem a economia que fundarão o senso comum nem os vínculos necessários para uma vida saudável em comunidade. São ambas dimensões para construir, preservar e melhorar as condições de vida das pessoas, mas não para forjar uma ordem interior e o senso de realidade e de responsabilidade.

É essa ordem interior que origina o vínculo e a disposição individual para ajudar a construir e desfrutar um ambiente e um modo de vida que nos sejam familiares, acolhedores e confortáveis. O filósofo político Michael Oakeshott verá nessa preferência do familiar ao desconhecido, do real ao possível, do conveniente ao perfeito, um elemento central e singular do conservadorismo, pois é a ligação com o presente – e não a idealização ingênua do passado – que caracteriza um conservador.

A perda dos elementos que nos tornam civilizados inaugura novos hábitos que fundamentam uma nova cultura em que tudo é aceito e assimilado como igualmente nobre. Se existem muitas verdades, tudo é permitido. E, se não existem uma ordem interior e uma cultura virtuosa que orientem e definam a política, a política orientará e definirá o homem e a cultura. É o que está acontecendo neste momento.

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