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O governo brasileiro, desde a proclamação da República, sempre esteve nas mãos de oligarquias. De maneira aparentemente paradoxal, mas perfeitamente compreensível quando se considera a nossa cultura, o avanço do populismo e os golpes de Estado – coisas que, como Getúlio nos mostrou, são frequentemente complementares – só fizeram aumentar este domínio oligárquico. O clubinho da política só aceita aos poucos novos integrantes, numa espécie de iniciação maçônica que admite alguns poucos iniciantes talentosos nas esferas do poder mais alto, ao lado dos filhos e netos de oligarcas tradicionais.

Foi exatamente este o caso de Lula, que entrou na política eleitoral na união de sindicalistas e intelectuais uspianos no fim dos governos militares. Desta união surgiram o PT e o PSDB, que, como já admitiu o próprio FHC, não têm diferenças ideológicas, apenas políticas.

A entrada destes atores, todavia, não diminuiu em nada o poder das oligarquias tradicionais; ao contrário, apenas as engordou um pouco com as novas admissões. As relações pessoais e políticas entre Lula, FHC, Sarney, Maluf, a família Odebrecht e quem mais se quiser enumerar sempre foram perfeitamente amigáveis.

Quem tem amigos, quem tem família, precisa recorrer menos ao Estado

Quando a população brasileira levantou-se contra a classe política – ou seja, contra a oligarquia – três anos atrás, todavia, fez-se necessária ação urgente da parte desta para sair do perigo. Fizeram o mais fácil e evidente: dividir para reinar, incitando os ânimos da população para diminuir a força dos laços interpessoais que diminuem a dependência do Estado. Quem tem amigos, quem tem família, precisa recorrer menos ao Estado e tem maior imunidade a demandas de políticos e demais oligarcas. As bases da organização social são as famílias e os círculos interpessoais voluntários de amizade, coleguismo etc., e é isso que a oligarquia vem visando minar nos últimos anos, com relativo sucesso.

Hoje o grosso da população continua revoltado contra a oligarquia, mas essa revolta foi em grande medida desviada contra os poucos que continuam a apoiar o PT e a acreditar nas suas alegações fabulosas. Em vez de atacar os políticos que vampirizam o Brasil, muita gente bem-intencionada vem atacando os próprios parentes e amigos, dissolvendo amizades antigas e enfraquecendo famílias, dividindo para que a oligarquia petista, e malufista, e sarneyzista, possa continuar a reinar.

Ora, esses poucos apoiadores do PT que restam são vítimas dele, negando a realidade numa espécie de Síndrome de Estocolmo. Negar-lhes amizade, como se fossem doentes contagiosos ou zumbis, é negar o cuidado a um doente, o auxílio a um fraco, a visita a um prisioneiro.

Que a Páscoa que vem nos ilumine a preservar a família, a amizade e o amor.

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