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Carlos Ramalhete

Tempo de acusação

  • Porcarlosgazeta@hsjonline.com
  • 14/03/2012 21:03

Uma sociedade é feita de pessoas. Essas pessoas se unem em círculos familiares, de amizade ou de trabalho, e partilham certos códigos de comportamento, que proporcionam a coesão social que faz a diferença entre uma sociedade e uma turba.

O tempo da Quaresma, que vivemos atualmente, é tradicionalmente o tempo de examinar a própria consciência, de conferir o quanto estamos próximos – ou distantes – de uma adesão perfeita a estes princípios morais e éticos de comportamento que fazem de nós não apenas pessoas melhores, mas componentes de uma sociedade ordenada. Esse exame de si mesmo, contudo, está cada vez mais sendo substituído por um sucedâneo verdadeiramente maligno: o exame do outro, a acusação social, tão mais fácil de fazer que a acusação das nossas próprias falhas.

Acusa-se o outro de tudo que não vemos em nós: de ser racista, de ser imoral, de não ter gosto para música... Com estas acusações o nosso autoexame passa em branco, e ainda podemos nos regozijar por não sermos como aquele que acusamos. Quando acuso o próximo de racista, eu me comprazo por não o ser. Quando o acuso de imoral, sinto-me um justo: "Isso eu não faço".

Quando essas acusações são amparadas por leis, então, a coisa fica mais feia ainda: a acusação de racismo faz as vezes de exame de consciência e de cumprimento do dever cívico. Mas o mundo não fica um pouco melhor porque eu reclamei do atendimento no SUS; ele o ficaria se eu procurasse, dentro de mim, as minhas muitas imperfeições e as combatesse. Só pode haver uma sociedade melhor quando cada pessoa nela procura ser melhor. Não adianta nada soltar a polícia ou os jornais como cães raivosos para combater as imperfeições alheias, ostracizar o diferente ou criminalizar a grosseria: se a consciência não acusa o erro, ele continuará a ser cometido.

E se nos dedicarmos a apontar dedos gordos para o próximo, a nossa própria consciência não nos acusará de nada, nunca. Sempre teremos a saída fácil de pensar que, ao menos, não somos como o Fulano.

Para ajudarmos a ordenar a sociedade, temos primeiro que nos ordenar, que lutar contra as nossas fraquezas. Elas normalmente não serão as que apontamos facilmente nos outros, embora em alguns casos possam sê-lo. Mas elas estão aí; se não as combatermos elas tendem a crescer, e, crescendo, a nos diminuir como pessoas, arrastando conosco os escombros da sociedade.

Nesta Quaresma, deixemos de lado o SUS e o erro alheio e examinemos nossa própria consciência. Garanto que encontraremos muita coisa a melhorar.

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