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Efraim Rodrigues

Sem sair de casa

  • Porefraim@efraim.com.br
  • 25/02/2010 21:13

O corretor de imóveis vende a imagem que ao se mudar para fora da cidade, você passará a ser ecológico. Vai acordar com os passarinhos, vai comer alface da própria horta, terá árvores em seu jardim. Aliás, carneiros e cabras pastarão solenes nele.

Mesmo que tudo aconteça assim, seu impacto ambiental será muito maior em um terreno grande do que em um apartamento na cidade.

Pense grande, pense no número 6.805.000.000. Essa é a quantidade de pessoas no mundo hoje. Pegue a área de seu paraíso ecológico, 500 m2 ou 1000 m2, multiplique por este número e veja o que seria do mundo se todos dispusessem desta área. Mas a coisa não para aí. O "paraíso ecológico" exige usar o carro para tudo. Acabou o fósforo! Carro. Estou sem sal! Carro. Escola, aula de balé, cinema a noite. Carro, carro e carro.

O prejuízo não é só ambiental. É também psicológico. Ao vestir esta neo-armadura de metal, vidro e plástico nos tornamos estrangeiros em nosso próprio mundo. Não conhecemos o vizinho porque nunca passamos andando na porta da casa dele, quando ele também estaria saindo a pé. Matamos as oportunidades de fazer amigos.

Há urbanistas estudando isto. O arquiteto Peter Calthorpe criou o conceito de "andabilidade" a partir da sua própria experiência de viver em uma casa-barco em Sausalito, Califórnia (além de urbanista, Calthorpe é também especialista em causar inveja em pobres mortais como eu).

Os leitores assíduos desta coluna irão se lembrar do shopping center no meio do nada que virou um centro comercial para onde vão milhares de carros de manhã e saem todos a noite. Ninguém vive lá. Tyson’s Corner tem andabilidade zero. É o lugar que só existe por causa do carro. Aliás, Tyson’s Corner, próximo a Washington tem mais lugares para carros que empregos.

Mas voltando ao paraíso ecológico, ele demanda também muito mais energia para receber a infraestrutura urbana: água, luz correio, etc. Ou aumentamos a densidade de urbanização, ou estamos danados.

Há alguns anos, mencionei este problema e recebi um telefonema de um importante jornalista que mora em uma chácara, cria porcos e faz até a própria linguiça. É muito bom consumir produtos locais, que viajaram menos e com isto consumiram menos recursos. É igualmente bom dar os restos de comida para animais. No entanto, se formos todos morar em chácaras, precisaríamos de um outro país para elas.

E vivendo em cidades, como fazem hoje 70% dos brasileiros, precisaremos de cidades melhores. A agricultura deve entrar cidade adentro, produzindo aquilo que estraga rápido e é mais caro, hortaliças principalmente. Estas hortaliças estariam muito bem se fossem nutridas com restos de alimentos compostados e humificados, fechando um ciclo de matéria e melhorando as cidades.

Voce não precisa se mudar para a Amazônia para reduzir sua pegada ecológica. Ao contrário, há muito a fezer dentro de nossas próprias cidades.

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