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Opinião 1

Dilúvios e seus efeitos

  • PorAlberto Dines
  • 02/11/2012 21:02

Na mitologia, como na política, os caprichos da natureza forjam heróis. Noé, como relatam as Escrituras, foi o precursor: devidamente advertido e industriado, soube tomar todas as providências para salvar as espécies animais e transformar-se em símbolo da prevenção de catástrofes.

Mais recentemente, em agosto de 2005, o ex-presidente George W. Bush não deu muita importância ao furacão Katrina, que varria os estados do Mississipi, Alabama, Louisiana e arrasava a cidade de Nova Orleans. Como jamais acreditou em mudanças climáticas e sempre considerou a iniciativa individual como pilar da salvação, Bush cruzou os braços e, quando reparou nas proporções da catástrofe, estava definitivamente desmoralizado como líder. Impedido de recandidatar-se, sua apatia e omissão se tornaram emblemáticos e pesaram muito na derrota de John McCain frente ao agilíssimo Barack Obama em 2008.

Sandy, apesar de nome tão ameno, mostrou-se um furacão devastador desde o seu nascedouro no Caribe. Refeito da tunda no primeiro debate com Mitt Romney, o presidente Obama percebeu que Sandy não poderia ser minimizado e não apenas como fenômeno climático: dez dias antes de um pleito apertado, tenso, deixou de lado a candidatura e o intenso calendário eleitoral e reassumiu a presidência, atento ao bem-estar e segurança dos concidadãos.

Foi premiado com uma preciosa ajuda de dois republicanos: seu antagonista, Mitt Romney, sozinho na arena, ficou sem saber o que fazer. Fingiu solidariedade, começou a coletar lataria para doar aos desabrigados e ainda teve de explicar a estúpida proposta de desativar a agência federal para emergências justamente no momento em que sua existência torna-se inquestionável.

Mais valioso foi Chris Christie, governador de Nova Jersey, um dos estados mais castigados por Sandy. Apesar do inflamado discurso anti-Obama pronunciado na convenção republicana, foi empurrado por Sandy para o lado de Obama: falaram por telefone, acertaram providências, o governador elogiou a eficiência do presidente e o recebeu no estado. A foto dos dois ao lado de uma desabrigada de Nova Jersey saiu nas primeiras páginas dos jornais. Trará votos para o democrata e, futuramente, para este republicano moderado. Poderá, principalmente, reverter a histeria antiestatal dos seguidores de Romney.

A bola de neve pró-Obama incluiu o apoio do prefeito de Nova York, o independente Michael Bloomberg, que considerou Sandy a melhor evidência do acerto da política ambiental da Casa Branca. A cidade de Nova York sempre votou com os democratas; Bloomberg quer Manhattan normalizada na próxima segunda – um dia antes das eleições.

Lideranças fazem-se e crescem nas calamidades. O burocrata onipotente dá murros na mesa ouvidos apenas por outros burocratas. O Brasil inteiro está ameaçado por uma seca sem precedentes, apagões se sucedem, o duopólio aéreo dá sinais de um perigoso esgotamento. Administradores atilados não esperam as tragédias, antecipam-se a elas.

Alberto Dines é jornalista.

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