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Editorial

A dificuldade de mudar

  • PorGazeta do Povo
  • 27/09/2020 18:00
Marco do setor ferroviário é uma das propostas que governo e Congresso se comprometeram em destravar.
Marco do setor ferroviário é uma das propostas que governo e Congresso se comprometeram em destravar.| Foto: Arquivo/Gazeta do Povo

Em agosto de 2007, esta Gazeta do Povo publicou editorial com o mesmo título deste, afirmando que o Brasil tem enorme dificuldade de mudar rumos, refazer concepções e, mesmo quando o faz, geralmente as mudanças são lentas e incompletas. Na sequência, vinha o alerta de que tal comportamento pode levar o país a desperdiçar oportunidades valiosas de promover o crescimento e melhorar as condições de bem-estar da população. Aquele texto poderia ser replicado hoje na íntegra, pois continua válido, com uma alteração: não é que tal comportamento nacional “pode” levar o país a desperdiçar oportunidades, mas efetivamente leva ao desperdício de oportunidades históricas para mudar e progredir.

Passados 13 anos, o país continua o mesmo, a população segue crescendo e o desenvolvimento econômico e social anda a passos lentos. A renda por habitante no fim de 2020 será a mesma, quando não menor em face da pandemia, que o valor no fim de 2010, e fará o país fechar a segunda década sem aumentar o padrão de bem-estar social médio, medido pelo conceito de renda per capita.

O subdesenvolvimento brasileiro não é obra do acaso, é fruto de deficiências políticas, institucionais, éticas, administrativas e culturais

Naquela oportunidade, ano de 2007, a crise financeira mundial estava começando a dar os primeiros sinais que acabaram estourando em 2008 e 2009 e produziram uma das mais graves crises da história recente. Mesmo assim, era um momento em que, segundo estimativas à época, havia perto de US$ 44 trilhões circulando pelo planeta em busca de oportunidades de investimentos diretos (criação de empresas e negócios produtivos). O capital estrangeiro anda pelo mundo à busca de participações em projetos empresariais na agricultura, na indústria, no comércio, no setor financeiro e, com a atual revolução tecnológica, em projetos disruptivos, sobretudo no setor de serviços. Entretanto, os setores clássicos da economia, por necessidades imutáveis, continuam sendo objeto de procura pelos investidores estrangeiros, a exemplo de energia, telefonia, portos, aeroportos, transporte, seguros, educação, saúde, turismo e lazer.

As crises econômicas são recorrentes e estarão sempre presentes. Por isso, tanto os governos quanto as famílias precisam incorporar, em seus planejamentos e gestão financeira de suas vidas, a premissa de que as crises se repetirão, cada uma com suas causas e peculiaridades. A crise de 2008-2009 foi grave, puxou para baixo a economia mundial, causou retração e falências, mas, por ela ter sido enfrentada com razoável êxito, imaginava-se que os anos 2011-2020, a segunda década, teriam cenários de crescimento econômico e desenvolvimento social. O Brasil adentrou a segunda década com bom resultado no enfrentamento da crise de 2008-2009, o que levou Lula, o presidente em fim de mandato, a dizer que por aqui a crise havia sido uma “marolinha”. Porém, quando o Brasil mergulhou em recessão profunda nos anos 2015 e 2016, a então presidente Dilma Rousseff culpou a situação internacional – que havia piorado, é verdade –, sem a humildade de qualquer autocrítica pelos enormes erros da política econômica de seu governo.

Assim, a recessão de 2015, sua repetição em 2016 e o estrago em 2020 em face da pandemia do coronavírus contribuíram para o atraso, de forma tal que o patamar de renda por habitante ao fim da segunda década não é maior do que era no do fim da primeira década do século. Mesmo com tão medíocre desempenho, o Brasil segue na velha incapacidade de mudar e tornar-se um bom lugar para investidores em busca de oportunidades. Há poucos dias, o presidente Jair Bolsonaro e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, anunciaram um esforço concentrado para aprovação de 11 projetos considerados prioritários, de um total de 25 projetos aguardando prosseguimento, para destravar a economia e criar condições para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e a melhoria do nível de emprego. Entre esses projetos estão a autonomia do Banco Central, a nova lei de recuperação judicial e falências, o marco legal do setor ferroviário, a lei do gás, a legislação sobre navegação de cabotagem (transporte marítimo) e a modificação na lei de exploração do petróleo na área do pré-sal.

Definitivamente, chega a ser inexplicável que um país com tantos problemas, tantas carências e desesperado para crescer e gerar empregos, produto e renda tenha chegado ao início da terceira década deste século sem ter resolvido questões essenciais como aquelas constantes dos 11 projetos. A dificuldade de mudar é grande, mas a lentidão mesmo quando a mudança se faz é algo que os estudiosos da sociedade brasileira terão trabalho para entender, explicar e divulgar.

O subdesenvolvimento brasileiro não é obra do acaso, é fruto de deficiências políticas, institucionais, éticas, administrativas, culturais e de comportamento coletivo como nação. Mais triste é constatar que não há dificuldade em conhecer o diagnóstico nem quais soluções são adequadas, principalmente porque os problemas com os quais o Brasil é confrontado já foram equacionados com êxito pelas nações desenvolvidas; logo, a receita é conhecida. Cabe à sociedade cobrar do governo e do parlamento que efetivamente votem e aprovem os 11 projetos referidos ainda este ano.

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Comentários [ 12 ]

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    Aromero

    ± 0 minutos

    O subdesenvolvimento brasileiro não é obra do acaso. Os poderosos do Brasil não deixam a nação se desenvolver. E não é nada com comunismo não. Tudo que importa nesse país ou é monopólio estatal, ou privilégio particular nas costas da população. Transportes. Incrível como não temos um transporte decente de pessoas e cargas por trens nesse imenso país , não é ? Pois é.. as mafias dos combustíveis, dos caminhões e do asfalto tranqueira tornam a nossa vida difícil. E mais um governo que olha para o outro lado nesse assunto fundamental. Não é por acaso mesmo.

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  • F

    FB

    ± 7 dias

    A maior desgraça que ocorreu no Brasil foi o governo Vargas, que criou esse sistema maldito que agora lutamos para desmontar. Um fascista convicto, criou o trabalhismo, que seguia o mesmo sistema do fascismo italiano de tentar dividir todas as classes de trabalhadores em "corporações", e isso permeou por todo o funcionalismo público como um cancro maldito, maléfico, que permanece em metástase até hoje.

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  • N

    Nm

    ± 7 dias

    Boa análise, mas faltou a análise da estrutura política. Brasileiro elege tipos como Tiririca, Freixo, Lula, Dilma, Witzel, Dória, Cabral, Requião, Gleise, Romario, Maia e trantos outros e quer mudar o que? Com leis de cotas para mulheres, negros etc... com caciques que mandam nos partidos como se fossem feudos políticos? Acredito que os únicos requisitos para um candidato seja HONESTIDADE E COMPETENCIA!

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    1 Respostas
    • L

      LSB

      ± 7 dias

      Voto distrital puro com recall! Única solução para depurar a política, partidos e políticos!

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    F.Neto

    ± 7 dias

    Não será porque o corporativismo do setor público, apoiado pelos sindicatos e MP inviabilizam as mudanças?

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  • H

    Harrison

    ± 7 dias

    O problema é interno em ser, no ter e no agir de cada brasileiro, já que há um desvio de conduta para o "jeitinho", para a falta de disciplina e de valores sociais em cada um de nós. Isto gera um canal potente que inviabiliza políticos honestos, governos com visão de priorizar o crescimento em todos os sentidos, empresários éticos, cidadãos críticos, morais e com tendências de ordem e progresso. O ditado que afirma: meu pirão primeiro aniquila possibilidades de uma evolução rápida e concreta.

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  • L

    Luca

    ± 7 dias

    No congresso a regra geral é o corporativismo, votar a favor das grandes oligarquias do funcionalismo, dos sindicatos, banqueiros etc votar a favor do que vai dar retorno financeiro pro próprio deputado ou senador, raríssimos são o que pensam em desenvolvimento pra sociedade. Mudar isso com 80% de uma população carente é complicado, pois esses deputados usam desse poder pra dar migalhas a essa fatia carente e ganham muitos votos, caso do PMDB, pt

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  • E

    Erison

    ± 7 dias

    Como escolher bons nomes para a gestão pública? Criticamos muito os políticos mas precisamos deles! Então sugiro aqui que vcs acompanhem as ações dos eleitos pelo partido NOVO (no Congresso e em algumas cidades e estados)

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  • E

    Evandro

    ± 8 dias

    Comecemos pelo Paraná! Qual a explicação para não termos uma linha férrea ativa e produtiva para cargas, passageiros regulares e turistas desde o litoral, passando por Curitiba, até Foz do Iguaçu? Ficamos à mercê de estradas de pista simples e pedagio caro, recentes voos a preços escorchantes e outras limitações injustificáveis

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  • S

    Stefan

    ± 8 dias

    Ah que bom seria se a população não fosse tão burra e tão analfabeta...mas principalmente com tanta preguiça.

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  • L

    Lourenço Innocentini Neto

    ± 8 dias

    O eleitor pode muito pouco quando se trata do sistema eleitoral vigente.Precisamos ter o voto distrital para todos os cargos,com referendos e poder ao eleitor de chutar o traseiro do detentor do mandato (recall).Caso contrário vamos ver os eleitos agindo como biruta de aeroporto enquanto aguardamos as próximas eleições. O eleito aqui no Brasil se preocupa com o próprio umbigo e trata de desfrutar as mordomias pagas com o dinheiro do público. Há honrosas exceções que infelizmente não tem efeito dominante.

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    FERNANDO LUIZ POZZOBON

    ± 8 dias

    É isto. Nosso problema é Brasília.

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