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editorial

A falência de Detroit

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  • 05/08/2013 21:02

É perigoso construir uma cidade na dependência excessiva de apenas um setor econômico ou apenas um ramo de atividade

O século 20, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, viu emergir duas organizações gigantescas no tamanho e lentas na burocracia: os governos e as empresas multinacionais. Assumindo a dianteira na pesquisa científica e se tornando, de longe, o primeiro país do mundo em patentes de inventos, os Estados Unidos tiveram, em seu território, a maior proliferação de corporações de grande porte, cujos produtos o mundo inteiro passou a comprar. Entre essas grandes corporações, merecem destaque especial as empresas fabricantes de automóveis, cuja cidade-símbolo era Detroit – lá fincaram sede várias organizações desse setor, e foi onde Henry Ford abriu a primeira fábrica de carros, em 1903.

As corporações automobilísticas norte-americanas espalharam pelo mundo suas fábricas e seus produtos, inclusive no Brasil. Tudo caminhou mais ou menos bem até o início dos anos 80, quando a concorrência dos carros japoneses, mais econômicos e mais baratos, começou a ferir de morte as empresas dos EUA, inclusive dentro de seu próprio território. A partir daí, o que se constatou foi que as maiores corporações do setor já vinham padecendo de três doenças que poderiam ser sua sentença de morte.

A primeira doença de empresas como Ford e General Motors foi uma espécie de relaxamento em relação à inovação rumo a veículos mais leves, mais baratos e mais econômicos, necessários para enfrentar as duas grandes crises do petróleo, a de 1973 e a de 1979. Confiantes demais em sua soberania, não cuidaram de inovar e somente acordaram quando os japoneses começaram a tomar seus clientes no mundo e nos EUA.

A segunda doença das grandes corporações – não só de automóveis, mas também de outros setores – veio dos sistemas de pensão e aposentadoria de seus funcionários, fundos constituídos pelas empresas com base na filosofia do emprego para a vida toda. Tais sistemas previdenciários começaram a ruir quando as corporações tiveram de demitir parte de seus quadros e bancar os pagamentos dos benefícios. Os déficits se revelaram muito altos e passaram a sugar bilhões de dólares do caixa das empresas, o que só piorou uma situação que já era ruim.

A terceira doença das grandes corporações está no fato de que elas se transformaram em verdadeiros "Estados", com toda sorte de jogo político, conchavos, burocracia sufocante, lentidão dos processos, custos elevados e pouca inovação. Tudo o que se vê nas estruturas gigantescas estatais passou a ser visto nas megaempresas; elas começaram a ser tachadas de "grandes demais para quebrar" e sempre socorridas com dinheiro público – como aconteceu recentemente com a General Motors, que só não foi à falência porque o governo dos EUA a socorreu com dinheiro do contribuinte norte-americano.

O resultado desse quadro complicado nas megaempresas do setor automobilístico é que, sobretudo nos EUA, houve redução no tamanho das fábricas, redução dos empregos e perda de receitas, realidade que levou junto as cidades cuja economia dependia pesadamente de tais corporações. O exemplo mais notório é justamente Detroit. Devastada pela crise financeira de 2008, a prefeitura da cidade anunciou oficialmente que está quebrada e pediu concordata por causa de uma dívida beirando os US$ 20 bilhões. Detroit não acabou – tem setores em progresso –, mas perdeu a condição de cidade pujante que já foi no passado.

Os que veem a cidade com olhar pessimista falam de Detroit realçando seu lado ruim, como o mais alto índice de criminalidade do país, a transferência de famílias da classe média para os subúrbios, os espaços centrais vazios e o grande porcentual de famílias vivendo na pobreza. Os otimistas lembram que a indústria de automóveis está se recuperando e se reinventando, que a cidade sempre pareceu vazia em razão de seus largos espaços e ausência de congestionamentos, e que a cidade ensaia sua recuperação.

Polêmicas à parte, a crise da Detroit e a falência de sua prefeitura deixam uma lição importante: é perigoso construir uma cidade na dependência excessiva de apenas um setor econômico ou apenas um ramo de atividade. A economia municipal deve diversificar-se tanto mais quanto puder, a fim de sobreviver sem excessivo sofrimento quando algumas megacorporações ou algumas atividades perdem pujança e retrocedem. Eis aí uma boa lição para os administradores públicos.

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