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Editorial 1

A geografia do risco

  • 18/10/2008 22:00

A crise tarda mas não falha: as indústrias do Paraná já começam a dar sinais de que a bonança com que vinham navegando nos últimos anos foi quebrada pela tempestade financeira que se abateu sobre o planeta a partir de países bem avaliados pelas agências internacionais de risco. Aquilo que, há poucas semanas, nossas autoridades juravam estar distante do Brasil, hoje já começa a afetar a vida não só das nossas empresas mas também já bate à porta do cidadão comum. Se, de um lado, as indústrias se ressentem do minguamento das encomendas, da falta de crédito e da elevação dos seus níveis de endividamento, na outra ponta o trabalhador se abala com a possibilidade do desemprego e do fechamento de novas vagas.

Esta realidade foi examinada anteontem na Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), quando analistas e representantes de alguns dos setores mais estratégicos da economia estadual fizeram um primeiro e ainda superficial balanço dos reflexos da crise financeira global. E o que se viu foi que a indústria automobilística e de autopeças, por exemplo, já está sendo obrigada a reduzir seus níveis de produção e, conseqüentemente, a diminuir suas encomendas aos fornecedores. A expectativa é de que, quando o fim do ano chegar e se até lá o horizonte ainda estiver incerto, as vendas do setor metal-mecânico já terão caído 35%.

Os setores de papel, plástico e químico-farmacêutico, altamente dependentes quer das demandas externas quer de insumos e matérias-primas importados, estão igualmente preocupados. Ao mesmo tempo em que os clientes externos seguram suas compras, as empresas desses segmentos sofrem com a elevação da cotação do dólar que encarece suas importações e aumentam os custos de produção. Pior ainda para aquelas que investiram na expansão de suas unidades e se endividaram em moeda estrangeira.

O agronegócio, ainda o mais importante alicerce da economia estadual, pela expressividade de sua produção e pela participação nas exportações, é outro setor que já experimenta os efeitos da turbulência mundial. A alta do dólar que, em tese, poderia favorecer as vendas externas, não compensa a queda da cotação das commodities agrícolas nem o decréscimo da demanda que já se verifica. Por outro lado, em pleno período de plantio da safra de verão, os agricultores se deparam com aumento de custos, especialmente dos insumos importados, como os fertilizantes.

A conjuntura real e presente, somada às incertezas quanto ao futuro próximo, está fazendo, portanto, com que todos refreiem seus projetos, o que fatalmente redundará em taxas menores de crescimento econômico e de oferta de emprego.

O governo federal está reagindo como pode contra tais perspectivas negativas: liberou os bancos de boa parcela do depósito compulsório, intervém no câmbio de modo a manter razoabilidade na relação dólar/real, concede mais crédito à agricultura, à indústria e às exportações – enfim, um bom punhado de providências para que as agruras da crise planetária, no curto prazo, nos sejam mais suaves. Subsistem, no entanto, sérias dúvidas a longo prazo, pois se os países ricos – Estados Unidos e europeus à frente – não conseguirem debelar os males que os afligem, estaremos diante de uma recessão mundial. Inserido como está na economia global, não haverá como o Brasil escapar de todas as suas conseqüências.

Diante do quadro que se criou a partir do efeito dominó da crise iniciada nos (e pelos) Estados Unidos, e para a qual o Brasil e todos os demais países emergentes em nada contribuíram, há uma pergunta que não quer calar: para que lugar geográfico do mundo as agências de risco deviam ter atribuído as piores taxas?

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