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14,8 milhões de brasileiros estavam desempregados no trimestre móvel terminado em maio de 2021, segundo IBGE.
14,8 milhões de brasileiros estavam desempregados no trimestre móvel terminado em maio de 2021, segundo IBGE.| Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

A já conhecida discrepância entre os dados do Caged e os do IBGE sobre o mercado de trabalho se manteve nas divulgações deste fim de julho – segundo o Caged, o país criou 309 mil vagas formais em junho, elevando o saldo de 2021 para 1,5 milhão de novos postos de trabalho com carteira assinada; já a Pnad Contínua, do IBGE, registrou redução mínima no desemprego, que segue preocupante, com taxa de 14,6% no trimestre móvel encerrado em maio, apenas 0,1 ponto a menos que no trimestre móvel terminado em abril. O número absoluto de desempregados se manteve estável: são 14,8 milhões de brasileiros à procura de um emprego, 40 mil a mais que no trimestre móvel anterior.

Os números da Pnad Contínua permitem, pela primeira vez, enxergar o estrago causado pelo coronavírus no emprego ao longo de um ano, comparando “ambiente pandêmico com ambiente pandêmico”, na expressão de Adriana Beringuy, gerente da pesquisa. No último trimestre móvel sem pandemia, de dezembro de 2019 a fevereiro de 2020, a Pnad contava 12,34 milhões de desempregados – dado já bastante ruim, reflexo das dificuldades da retomada econômica pós-recessão de 2015 e 2016, a “herança maldita” da nova matriz econômica lulopetista. Nos primeiros três meses com pandemia, de março a maio de 2020, o número havia subido para 12,71 milhões. Um ano depois, chegaria aos 14,8 milhões anunciados nesta sexta-feira. Ou seja, pelos dados da Pnad, a pandemia gerou quase 2 milhões de desempregados.

O Brasil tem 33 milhões de trabalhadores ditos “subutilizados”, pessoas para quem faltam oportunidades

O número de pessoas ocupadas, no entanto, subiu neste mesmo intervalo de um ano: são 772 mil brasileiros a mais que no período de março a maio de 2020. Isso ocorreu devido a uma substituição: os empregos com carteira assinada deram lugar ao trabalho por conta própria, que subiu em 1,96 milhão de pessoas em 12 meses, enquanto aqueles tiveram queda de 1,3 milhão – aqui, é preciso lembrar que, mesmo quando se avalia apenas o mercado de trabalho formal, Pnad e Caged têm metodologias diferentes, o que explica os dados discrepantes. Também o trabalho assalariado informal, sem carteira assinada, teve crescimento nos primeiros 12 meses de pandemia: agora, há 586 mil brasileiros a mais nesta condição, em comparação com o período de março a maio de 2020.

No total, somando os desempregados, os subocupados (que trabalham menos do que poderiam) e a força de trabalho potencial – pessoas que poderiam trabalhar, mas não trabalham, incluídos aí 5,7 milhões de desalentados, que já nem procuram mais um emprego –, o Brasil tem 33 milhões de trabalhadores ditos “subutilizados”, pessoas para quem faltam oportunidades. Por mais que se saiba que, em um cenário de recuperação da atividade econômica, a última variável a subir é o emprego, isso pouco serve de consolo imediato para essas dezenas de milhões de brasileiros que precisam sustentar a si mesmos e suas famílias.

Mesmo a perspectiva de crescimento acima de 5% em 2021 não é garantia automática de redução drástica no desemprego, pois o avanço do PIB se dá de forma desigual entre os setores da economia. No primeiro trimestre deste ano, quando o PIB subiu 1,2% na comparação com o último trimestre de 2020, indústria e serviços tiveram desempenho mais fraco, de 0,7% e 0,4% respectivamente – e são estes os principais empregadores do país. A maior esperança está no avanço da vacinação, que permitirá a retomada da atividade econômica sem as restrições que vêm sendo impostas desde a chegada da Covid-19 ao Brasil. Há otimismo no setor de serviços, o mais afetado pelo coronavírus – o índice de confiança medido pela FGV já supera os números de antes da pandemia. Mas, para transformar a expectativa em realidade, é imprescindível superar de vez a doença.

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