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O ciclo das tumultuadas relações entre palestinos e israelenses dá mais uma volta e, no auge, a violência faz vítimas dos dois lados. Mesmo quem olha o conflito a distância fica tentado a eleger um dos povos como vítima e outro como algoz, numa tentativa de simplificar um conflito alimentado por disputa territorial, religiosa e política. Se há disparos de parte a parte, fica evidente a ausência generalizada da razão.

Não há como não lamentar a morte e as mutilações de centenas de civis, muitos deles jovens demais para entender o que está em jogo na guerra. Sabe-se, por outro lado, que os civis palestinos, os mais atingidos, são manipulados pelos grupos que dizem atuar em seu nome. Depois do governo de Yasser Arafat, caracterizado pela corrupção e por um assistencialismo que mantinha a subserviência, os moradores de Gaza agora são reféns dos militantes do Hamas, grupo que, na contramão do que dita a razão, recusou-se, em dezembro, a renovar o acordo de cessar-fogo mantido com Israel. E que passou a lançar foguetes contra alvos israelenses mesmo sabendo – dada a repetição desse ciclo perverso – que a resposta atingiria indiscriminadamente um grande número de civis palestinos.

É provável que o sentimento de opressão que tanto favorece o Hamas fosse bem menor se Israel não ajudasse a alimentá-lo com ações restritivas como o fechamento das fronteiras e o embargo à circulação de mercadorias. Acuados pelo Estado vizinho, os palestinos são mais facilmente seduzidos por apelos de extremistas islâmicos que apregoam os ataques suicidas como forma legítima de luta e que, com isso, fazem cair em descrédito todas as reivindicações palestinas.

O governo israelense advertiu que responderia à altura se os os palestinos não parassem com o lançamento de foguetes que se tornou diário desde o anúncio unilateral de cessar-fogo feito pelo Hamas. Diante da continuidade dos ataques, as Forças de Defesa de Israel cumpriram o prometido com um resultado que acaba contribuindo para atrair um maior número de simpatizantes para a causa palestina. Afinal, o número de mortos palestinos, na casa das centenas, contrasta com as baixas israelenses – sete militares e três civis até a noite de ontem. Números não dão conta de retratar toda a dor causada por uma guerra, mas fica evidente que o poderio militar de Israel é desproporcional à capacidade ofensiva do Hamas.

Não há novidade: o que falta para conter esse conflito cíclico é um diálogo de fato, em que cada um dos lados apresente não apenas as exigências costumeiras, mas também renovadas e sinceras concessões capazes de fazer coexistir dois Estados. Num território onde vivem judeus e muçulmanos, a solução talvez possa vir de um ensinamento budista: tomar o madhyama pratipad, expressão do sânscrito que pode ser traduzida como o "caminho do meio" e que sugere que em situações conflitantes os extremos sejam evitados.

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