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Editorial

Desemprego, investimentos e gasto público

  • PorGazeta do Povo
  • 25/10/2020 18:00
A indústria é um dos setores que vem apresentando sinais de recuperação, embora ainda esteja abaixo dos níveis pré-pandemia.
A indústria é um dos setores que vem apresentando sinais de recuperação, embora ainda esteja abaixo dos níveis pré-pandemia.| Foto: Divulgação/Volkswagen

A recuperação da economia, pela volta do crescimento da produção nacional e da criação de empregos em larga escala, deve ser o principal objetivo da sociedade e do governo na fase pós-pandemia, sobretudo porque sem atingir esse objetivo não haverá solução eficiente para os problemas sociais. Na vida, em todos os sentidos, tanto para pessoas como para empresários e governantes, uma das mais complexas tarefas é a escolha das prioridades. A definição de “prioridade” se refere às ações, medidas ou tarefas que devem vir primeiro, antes de outras, por serem mais importantes e mais necessárias. O primeiro passo para organizar o esquema destinado a estabelecer as prioridades é definir os objetivos e fixar as metas.

Uma ação somente é produtiva quando conduz à meta, e isso exige que a meta deve estar claramente enunciada. Sendo assim, o objetivo geral de recuperar a economia, que passa pelo aumento do Produto Interno Bruto (PIB) e a consequente geração de empregos, oferece os elementos para a escolha das prioridades. Como o Brasil é um país pobre e desigual, atualmente com elevado desemprego agravado pela recessão imposta pela pandemia, a missão de escolher prioridades, diante de tantas carências apresentadas diariamente pela população, é um exercício angustiante.

O custo da crise foi pago pelas empresas e pelos trabalhadores privados. O governo continuou gastando como sempre, e até mais

Porém, mesmo nesse quadro, há certo consenso de que o primeiro passo é trabalhar para juntar a legião de desempregados com as empresas ociosas a fim de elevar a produção, aumentar o consumo e recompor a arrecadação tributária dos municípios, estados e União. Quando parte da capacidade instalada na indústria, comércio e serviços está ociosa – o que ocorreu, em grande parte, pela necessidade do isolamento social – e existe simultaneamente elevado desemprego, o lapso de tempo entre o retorno à normalidade e o início do aumento da produção é relativamente curto. Nesse sentido, a recuperação do produto, dos empregos e da renda pessoal pode acontecer em poucos meses, ainda que demore para se tornar expressiva.

O desafio inicial do Brasil é como eliminar parte do desemprego e reduzir rapidamente a capacidade ociosa dos fatores de produção. Mas, mesmo que consiga se sair bem nesse objetivo, o país voltará ao estado em que estava no fim de 2019 e início de 2020, com a necessidade de crescer em torno de 3% ao ano, no mínimo, pois mesmo antes da pandemia já havia alto desemprego, agravado pela recessão de 2015-2016. Assim, o aumento do PIB, do emprego e da renda nos anos seguintes até o fim da década que se inicia exigirá o enfrentamento de dois grandes problemas: um que já existia e outro que se agravou durante a pandemia. Trata-se da elevação da taxa de investimentos como porcentual do PIB e de um esquema jurídico e financeiro para administrar a gigantesca massa de débitos não pagos desde março de 2020.

Quanto aos investimentos, a estimativa era de que em 2020 eles deveriam representar 15,5% do PIB, o que ainda é pouco. Houve anos em que o Brasil conseguiu atingir a marca de 21% do PIB em investimentos na infraestrutura física, empresarial e social. É a soma dos investimentos ano a ano que constrói o estoque de capital físico necessário a fixar uma base sobre a qual a economia cresce, a renda por habitante aumenta e o país vence a pobreza. Há um aspecto na atual configuração da economia brasileira: é o fato de que eventual aumento da arrecadação tributária nas três esferas da federação não terá a consequência de ampliar significativamente os serviços públicos, pois a arrecadação adicional servirá para cobrir os elevados déficits públicos dos municípios, estados e União. De fato, todo o setor público já vinha com déficits expressivos antes da pandemia, e que foram fortemente agravados, principalmente porque não houve redução do gasto com pessoal.

O país mal conseguiu aprovar uma lei proibindo aumentos salariais no setor público, muito menos demitir e menos ainda fazer qualquer redução de salários. O custo da crise foi pago pelas empresas e pelos trabalhadores privados. O governo continuou gastando como sempre, e até mais; um gasto, no entanto, era muito necessário e defensável: o auxílio emergencial para os milhões de brasileiros que perderam emprego e renda. Só que tais gastos foram pagos com déficit público, que já existia e foi aumentado. Assim, eventual aumento da receita com impostos terá de ser aplicado pelo menos em parte para reduzir os rombos das contas públicas. Não é razoável o setor estatal inteiro seguir com os déficits nos níveis em que estão hoje, pois, se isso acontecer, lá na frente a economia se desorganiza, a recessão retorna e a inflação completará a tarefa de jogar o país em mais atraso e mais pobreza.

Sem prejuízos de outras medidas importantes, esses dois problemas – a taxa de investimento e a massa de débitos não pagos – exigirão um plano, um esquema e um arcabouço legal que permita o enfrentamento eficiente da crítica situação atual. No caso da massa de inadimplência, deve-se levar em conta que ela não resulta de falha moral, mas de uma crise sem precedentes e prolongada. O Banco Central atuou muito bem em termos de injeção de liquidez no mercado (leia-se: expansão monetária) destinada a fornecer fundos de crédito ao sistema financeiro para empréstimos e socorro às empresas prejudicadas pela crise. Não há solução fácil e sem custo, mas o país não escapará do enfrentamento dos problemas postos.

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Comentários [ 15 ]

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  • Q

    Quincas

    ± 1 dias

    A irresponsabilidade fiscal permeia todos os poderes em todos os níveis (união, estados e municípios) e não é privilégio do do poder executivo.

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  • A

    Allan Jose Alves

    ± 2 dias

    O custo da crise foi pago pelas empresas e pelos trabalhadores privados. O governo continuou gastando como sempre, e até mais Sacanagem colocar deste jeito quando praticamente todos os gastos são impositivos o governo federal tem milagre com o pouco que tem para trabalhar. O ministro Tarsicio tem sido um gigante.

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  • N

    Nm

    ± 2 dias

    O investidor extrangeiro não virá enquanto não for feita uma reforma tributária. Nessa bagunça tributária com União, Estados e Muncipios legislando ao mesmo tempo não dá. Para se cumprir somente a burocracia as empresa gastam 1,5% do seu faturamento, 1500 horas ano etc. O Sr. Maia muita responsabilidade em não levar adiante as pautas que destravem essa legislação que é uma verdadeira colha de retalhos.

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  • F

    Freitas

    ± 3 dias

    Estamos bem ou mal perante os investidores internacionais? Basta olhar o valor do dólar. Respondido? Não fiquem nervosinhos, tentem derrubar o valor do dólar.

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    • E

      ED-84

      ± 2 dias

      Freitas, excelente seu comentário. O mercado interno sofre, e sofre MUITO, com dólar alto. Basta olhar o valor do aço e os aumentos frequentes no último ano. Ignorância pensar que não foi produzido aço na pandemia. Obviamente vender em Dólar hoje compensa muito mais que em R$. Análise muito rasa e superficial pensar que dólar alto favorece a produção interna.

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    • F

      Freitas

      ± 2 dias

      Nm: O valor do dólar reflete o quanto se confia no Brasil. Lógico que quem fatura em dólar ganha, mas os brasileiros, no geral, ficam mais pobres em relação ao resto do mundo.

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    • N

      Nm

      ± 2 dias

      O valor do dólar tem duas faces. O dólar alto, favorece a produção interna, e favorece os exportadores, por outro lado aumenta o custo de vida, até que a produção interna regularize os estoques internos.

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  • F

    Freitas

    ± 3 dias

    Estamos bem ou mal perante os investidores internacionais? Basta olhar o valor do dólar. Respondido?

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  • P

    Polaco

    ± 3 dias

    O Brasil um País pobre, ler isto já mostra a intenção do editorial. O Brasil é um País rico, aplica mal os recursos e por isso não tem os mesmos padrões do 1o. mundo, a imprensa ao invés de usar jargões deveria bater diretamente nos políticos cobrando investimentos e redução de custos, contudo se fizer isso perdem as "verbas publicitárias".

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    2 Respostas
    • L

      LSB

      ± 2 dias

      Mas, sim, aplicamos muito mal nossos recursos... criamos muitos problemas (custos, insegurança jurídica, corrupção, etc.).

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    • L

      LSB

      ± 2 dias

      Brasil ainda é pobre (ou “remediado”). Confunde-se potencial de riqueza (q se não formos o de maior do mundo, somos o segundo ou terceiro) com a própria riqueza. Precisamos entender primeiro essa diferença...

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  • N

    NH4NO3

    ± 3 dias

    O Brasil não consegue olhar pra si mesmo como o pivô das soluções. O governo está esperando o tal investidor externo fazer um milagre no Brasil. Os investidores nacionais (os que tem dinheiro para tal) estão brincando na bolsa de valores, especulando e sem responsabilidade. O investidor nacional não tem compromisso nenhum com o Brasil. Pegam o dinheiro e ficam em uma jogatina na bolsa, como se fosse um cassino. O investidor estrangeiro não vai deixar dinheiro no Brasil, onde não existe estabilidade e paz. A decisão foi tomada. Capital quer paz e estabilidade, caso contrário vai embora, para outro lugar que tenha tais qualidades. Pode queimar a lei trabalhista, que não muda mais.

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    3 Respostas
    • L

      L. Luz

      ± 1 dias

      Pôxa, primeira vez que o nitrato de amônia diz algo coerente e vocês caem de pau nele??? Assim, só vai continuar falando besteira...

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    • S

      Sou Brasil

      ± 2 dias

      Nhônho...você só dá mancada...Pare de passar vergonha aqui...

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    • L

      LSB

      ± 2 dias

      Bela demonstração de ignorância acerca do sistema financeiro, moeda, mercados, etc. Prova cabal da doutrinação esquerdista em nossas madrassas. Quer criticar? Vá estudar e aprender primeiro como as coisas funcionam!

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