A criação da CPI da Petrobras foi inspirada pela necessidade de se apurar indícios de malversações dentro da companhia, identificando-se desde logo que os desvios a serem investigados situavam-se principalmente em áreas objeto de ocupação política. Grandes somas teriam sido manipuladas em benefício de agrupamentos políticos vinculados ao PT encastelados nas diretorias da própria empresa e de suas subsidiárias. Pois bem: rápido no gatilho fisiológico que o caracteriza, o PMDB viu na CPI a oportunidade de forçar o governo não a moralizar a gestão da Petrobras, mas a dar-lhe os postos hoje em mãos petistas. Tal estratégia se iniciou antes mesmo da instalação da Comissão, como se vê na movimentação que peemedebistas – dentre eles José Sarney e Renan Calheiros, notórios pela ânsia com que correm atrás de cargos para seus apaniguados – desenvolvem para garantir total comando da CPI. De tudo isso depreende-se que a cura proposta pela CPI pode causar o agravamento do estado do paciente. Se o governo, que condenava as investigações sob o argumento de que o prestígio internacional da empresa poderia ser abalado, corre agora o risco de piorá-lo ainda mais.

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