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O Comitê de Política Monetária (Copom) define a taxa de juros básica do Brasil, a Selic.
O Comitê de Política Monetária (Copom) define a taxa de juros básica do Brasil, a Selic.| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O mercado financeiro já esperava que, na última reunião do ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central aprovasse mais uma redução de meio ponto na taxa Selic. Afinal, o comunicado da reunião do fim de outubro, quando o Copom havia baixado a Selic de 5,5% para 5% ao ano, afirmava que “a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir um ajuste adicional, de igual magnitude”. A decisão de baixar a Selic para 4,5%, portanto, veio sem surpresa alguma.

A incerteza fica quanto à continuidade do processo de corte iniciado em outubro de 2016, após pouco mais de um ano com a Selic em 14,25%, resultado de um ciclo de alta iniciado logo após a reeleição de Dilma Rousseff, em outubro de 2014. Nos últimos três anos, o Copom reduziu drasticamente os juros, à exceção do período entre março de 2018 e junho de 2019, quando a Selic foi mantida em 6,5%. Desde então, foram quatro cortes sucessivos de meio ponto, viabilizados por uma conjuntura mais favorável, com inflação sob controle, maior possibilidade de aprovação da reforma da Previdência (finalmente promulgada em 12 de novembro) e um cenário internacional relativamente calmo, apesar das oscilações na guerra comercial entre Estados Unidos e China. Desta vez, no entanto, apesar de mostrar que as circunstâncias que permitiram os últimos cortes continuam mantidas, o comunicado divulgado após a reunião não deu nenhuma pista sobre a possibilidade de nova redução na Selic.

Se o ímpeto reformista continuar em 2020, o resultado pode ir além de novas quedas na Selic

Mesmo que não venham novos cortes, o patamar de 4,5%, o mais baixo desde 1999, já permite um enorme alívio ao governo. Ainda antes desta última reunião, o Ministério da Economia já previa que o governo economizaria quase R$ 100 bilhões no pagamento de juros da dívida atrelada à Selic. O termo “economia”, aqui, precisa ser lido da mesma forma empregada quando se fala da reforma da Previdência: trata-se apenas de não aprofundar o buraco fiscal, pois o país continua atolado em déficits primários, incapaz de gastar menos do que arrecada.

Para a iniciativa privada, a redução da Selic também é um impulso para novos investimentos que permitam a retomada dos negócios e a geração de empregos. O otimismo do empresariado está retornando aos poucos, conforme uma pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria. Apesar de o desemprego continuar em níveis muito preocupantes, o país gerou, no acumulado de 2019 até outubro, quase 850 mil vagas com carteira assinada. O comunicado do Copom afirma que a recuperação econômica “ganhou tração” a partir do segundo trimestre do ano, na comparação com os primeiros três meses de 2019.

Se o ímpeto reformista continuar em 2020, especialmente com a reforma tributária e a redução do tamanho do Estado com as privatizações e a reforma administrativa, o resultado pode ir além de novas quedas na Selic. A agência de classificação de risco Standard and Poor’s mudou a perspectiva do rating brasileiro, de “estável” para “positiva”, indicando que, em uma próxima revisão das notas de crédito, o Brasil pode ter sua nota elevada, ficando a apenas um degrau de recuperar o grau de investimento, perdido quando estourou a crise gerada pelas políticas econômicas do lulopetismo. A S&P fala em um prazo de dois anos, e isso apenas se as reformas efetivamente continuarem e a trajetória crescente da dívida pública for interrompida, mas o ministro da Economia, Paulo Guedes, gostaria de conquistar o upgrade mais rapidamente. Para isso, basta ao Brasil fizer a lição de casa.

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