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editorial

Poupar para crescer

  • 13/01/2014 21:02

Ao dar tanta importância ao curtíssimo prazo, estimulando o consumo desenfreado, comprometemos nosso futuro

De janeiro a setembro de 2013, os brasileiros – cidadãos, empresas, governos – pouparam R$ 533 bilhões, o equivalente a 15% do Produto Interno Bruto (PIB) do período, segundo os dados mais recentes do IBGE. A chamada "taxa de poupança", equivalente à diferença entre a renda e as despesas do país, revela qual é a disposição da nação de abdicar do consumo imediato em troca de benefícios futuros.

Os números mostram que, tanto na comparação com outros países quanto em relação ao próprio histórico brasileiro, nossa inclinação para poupar – e, portanto, para pensar no futuro – anda baixíssima. A taxa de poupança de 15% do PIB foi a menor desde 2001, considerando-se os nove primeiros meses de cada ano. Um índice muito inferior à média global (de quase 22%), e que nos coloca no 102.º lugar de um ranking de 144 países.

Estamos muito atrás de emergentes como China (que poupa 50% de seu PIB), Rússia (30%), Índia (29%), México (22%) e Turquia (20%), e também de vizinhos como Venezuela (29%), Equador (27%), Bolívia (27%), Argentina (24%), Peru (23%), Chile (21%) e Colômbia (20%).

É verdade que, ao contrário do Brasil, vários desses países não dispõem de grandes sistemas públicos de previdência ou de saúde, o que força suas populações a guardar mais dinheiro. Mas essa ressalva não encobre o fato de que nossos índices são absurdamente baixos. Eles resultam não só de hábitos arraigados há séculos, mas também da recente compulsão do governo federal em incentivar o consumo a qualquer custo, a pretexto de alimentar um crescimento econômico que, como parecia óbvio, perdeu força tão logo a explosão do endividamento esgotou a capacidade das famílias de continuar comprando.

O poder público tem outro papel, ainda mais determinante, na baixa taxa de poupança brasileira. Por meio de tributos que somam mais de 35% do PIB, o Estado limita a capacidade das famílias e do setor privado de guardarem dinheiro; e, ainda por cima, gasta muito mais do que arrecada. O resultado é que a "contribuição" do setor público para a poupança acaba sendo muito negativa: ele "despoupa" algo em torno de 5% do PIB.

A primeira reportagem da série "O Brasil envelhece", publicada pela Gazeta em 5 de janeiro, mostrou que, ao dar tanta importância ao curtíssimo prazo, comprometemos nosso futuro de pelo menos duas formas. A primeira é que, ao não poupar, ou poupar muito pouco, ficamos mais vulneráveis às emergências da vida e, na velhice, mais dependentes da aposentadoria do INSS – que, ao que tudo indica, ficará cada vez mais minguada. A segunda é que, ao não guardar dinheiro, também impedimos que esses recursos sejam direcionados, via financiamentos do sistema financeiro, a investimentos. Entre eles, os que poderiam melhorar a competitividade de nossa economia e a qualidade de nossa infraestrutura, com a reforma e ampliação de estradas, ferrovias, portos, aeroportos e outros.

A poupança, portanto, guarda uma forte correlação com o investimento e, consequentemente, com o crescimento econômico de longo prazo. Não é de estranhar que nossa taxa de investimento esteja rondando a tímida marca de 18%, ao passo que, para termos um crescimento econômico mais sólido (na casa de 5% ao ano) e sustentável (sem variações bruscas de um ano para o outro, e sem pressionar a inflação), o recomendável seria algo próximo a 25% do PIB.

Como poupamos 15% e investimos 18% do PIB, essa diferença – uns 3% do PIB – é "importada" de outros países. São recursos que entram na forma de investimento estrangeiro direto (IED). Há quem considere que essa importação de poupança dispensa o Brasil de poupar mais. Mas o fato é que as reservas internas e externas têm papéis complementares.

Estudos recentes mostram que, ao servir de contrapartida local em projetos de longo prazo, a poupança nacional atrai IED. Assim, quanto mais pouparmos, mais atrairemos investimentos estrangeiros. Sendo eles um importante canal de transferência de tecnologia, a consequência natural será um aumento na produtividade da economia, o que por sua vez permitirá ao país crescer mais sem as inconveniências da inflação elevada. Está claro que o crescimento de nossa economia dependerá, mais e mais, de investimentos. E eles, de poupança. Em algum momento os responsáveis pela política econômica terão de se dar conta disso.

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