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Editorial

Pragmatismo no comércio e valores democráticos

  • PorGazeta do Povo
  • 15/11/2019 18:00
A China é o principal destino das exportações brasileiras, com fatia mais de duas vezes maior que a dos Estados Unidos.
A China é o principal destino das exportações brasileiras, com fatia mais de duas vezes maior que a dos Estados Unidos.| Foto: Bigstock

“Não importa a cor do gato, desde que pegue o rato”, afirmou o líder chinês Deng Xiaoping para justificar a disposição da China, sob seu governo, a negociar com potências capitalistas e aplicar métodos da economia de mercado em seu país, depois da destruição causada por Mao Tsé-tung e sua Revolução Cultural. Em outras palavras, há momentos em que o pragmatismo fala mais alto que a ideologia. De certa forma, é o que está ocorrendo neste momento, em que os líderes de Rússia, China, Índia e África do Sul vieram ao Brasil para a reunião de cúpula dos Brics.

Com a eleição de Jair Bolsonaro e a escolha de Ernesto Araújo para o Itamaraty, começaram os questionamentos sobre a possibilidade de o Brasil virar as costas à China, como consequência de um maior alinhamento ideológico com os Estados Unidos. O chanceler, no entanto, em seu discurso de posse, afirmou que faria da inserção comercial brasileira uma prioridade, ainda que sem descuidar dos valores caros aos brasileiros. Pois nesta quarta-feira, primeiro dia da cúpula dos Brics, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que Brasil e China estão considerando a possibilidade de um acordo de livre comércio – hoje, o país asiático já o principal parceiro comercial do Brasil, e o volume de comércio entre ambos foi de quase US$ 100 bilhões anuais no ano passado, com superávit de US$ 29 bilhões para o Brasil.

Nem todo o pragmatismo do mundo pode fazer o Brasil fechar os olhos ao fato de que a China continua sendo uma ditadura rígida, que suprime liberdades básicas de seus cidadãos

Depois de décadas de protecionismo, às vezes por obtusidade própria, às vezes amarrado pelos parceiros do Mercosul, o Brasil corre para recuperar o tempo perdido, tentando levar consigo os vizinhos do bloco sul-americano quando possível. Foi assim que o Mercosul conseguiu destravar as negociações com a União Europeia e, logo na sequência, anunciou também um acordo com o Efta, grupo europeu formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Em agosto, autoridades brasileiras e norte-americanas afirmaram estar estudando o estreitamento dos laços comerciais. Japão e Coreia do Sul também estavam na lista do secretário especial de Comércio Exterior, Marcos Troyjo. Acrescentar a China ao rol de grandes potências com as quais o Brasil negocia, assim, nada tem de extraordinário.

O caso chinês, no entanto, tem uma peculiaridade. Nem todo o pragmatismo do mundo pode fazer o Brasil fechar os olhos ao fato de que a China, a despeito de seu discurso em favor do livre comércio – ainda que internamente pratique um “capitalismo de Estado” bastante centralizador –, continua sendo uma ditadura rígida, que suprime direitos básicos de seus cidadãos, como a liberdade de expressão e a liberdade religiosa, ambas tão caras ao Itamaraty. Mesmo no campo econômico a China é acusada de práticas muito questionáveis, como pirataria, condições desumanas de trabalho e controle cambial, que dão uma competitividade artificial a seus produtos. Há um desafio formidável em ampliar o comércio sem endossar indiretamente as agressões cometidas pelo governo chinês contra seus cidadãos.

O Brasil acerta em buscar maior inserção internacional. Em março de 2018, um relatório do Banco Mundial chamado “Emprego e crescimento: a agenda da produtividade” estimava que a abertura comercial brasileira tiraria 6 milhões de pessoas da pobreza; quase ao mesmo tempo, um documento da OCDE afirmava que cortes nas tarifas de importação fariam o PIB subir 0,93 ponto porcentual a mais por ano, em um período de dez anos. Essa abertura comercial, no entanto, não pode ser feita à custa do abandono dos valores tradicionais brasileiros na arena internacional, especialmente a defesa das liberdades democráticas. Equilibrar estas duas prioridades é a tarefa que tem de ser perseguida pelo Itamaraty e pela equipe econômica.

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Comentários [ 11 ]

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    Austríaco-PR

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    Temos primeiro nos recuperarmos como nação, com o tempo poderemos sair do julgo chinês.

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    Júnior

    ± 2 dias

    Gazeta, vocês viram a manchete do The New York Times revelando mais de 400 documentos sigilosos que vazaram de dentro do governo comunista chinês e que expõe as prisões em massa da etnia uigur em Xinjian??

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    Juarez Waltrick Kohler

    ± 3 dias

    A China é a escoria do mundo. Será a causa da III Guerra Mundial e a causa da humanidade voltar a idade da pedra. O inimigo chama-se CHINA. O que vcs vao fazer a respeito ??????

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    Celito Medeiros

    ± 3 dias

    O Brasil atual está interessado é na Economia, portanto, negociar com todos, independente de domínio político, mas para termos uma forte economia. Nem poderia ser diferente nesta meta, não poderá se atrelar a nenhum dominador, mas cortar as arestas para manter com todos boa comunicação e especialmente os negócios. O maior desejo será sempre na Economia, daí é que partem os que ditam ao resto do mundo.

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  • V

    Vincenzo

    ± 3 dias

    Para haver coerência entre a discussão ideológica, baseada em montes de achismos e subjetivismos e a prática comercial, extremamente objetiva, é preciso mudar o discurso e não a prática. Esse discurso de comunismo, de ameaça de comunismo é muito fora da contemporaneidade, embora tenha ajudado a Bolsonaro ganhar a eleição, por culpa da ignorância técnica de grande parte do eleitorado, pois o Brasil nunca esteve ameaçado pelo comunismo. É simples flagrar o disparate entre a narrativa e a prática, basta ver como o Brasil trata Cuba e China.

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    1 Respostas
    • C

      claudio renzi

      ± 3 dias

      engano seu.O Brasil,antes de Bolsonaro desvio Bilhões de US$ para Cuba.Então o tratamento do PT para Cuba era o melhor possível(pra êles,claro)

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  • F

    Freitas

    ± 3 dias

    Se (condicional) Brasil deixasse de comercializar com a China, entraríamos em falência.

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  • L

    Luiz B

    ± 3 dias

    Que falta faz um Winston Churchill no mundo atualmente, esses movimentos agressivos tanto comerciais quanto bélicos(vide o mar no sul da China) me lembram um passado não tão distante que culminou na segunda guerra mundial. Todos esses movimentos tem um claro objetivo e é óbvio

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  • J

    João Mello

    ± 3 dias

    O baronato industrial do sul e sudeste fara tudo para impedir a abertura comercial do Brasil. Eles dependem desde sempre do patrimonialismo para continuarem relevantes.

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  • C

    Cidadão Brasileiro

    ± 3 dias

    Os iPhones costumam trazer na embalagem “Made in China. Designed by Apple in California”. Tantas bobagens ideológicas saem das bocas de fanáticos porque eles demoram muito até entender que dinheiro não tem ideologia. E demoram porque, ao invés de se referenciar em fatos, preferem aderir a hordas de disseminação de versões e opiniões sem lastro, vindas de terceiros, que lhes induzem medo e raiva, objetivo dos esperto$ que lhes prometem o alívio dos sofrimentos causados... pela onda de esperto$ da ideologia anterior.

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  • E

    Eden Lopes Feldman

    ± 3 dias

    Como sempre os editoriais da Gazeta são realistas e isentos de ideologia. Sendo o único dos grandes jornais que permite comentários em seus editoriais. Apenas gostaria de acrescentar que de forma direta ou indireta os governos são conduzidos por seus cidadãos. Caso da China e Venezuela, dentre outros. e que nossa preocupação não mudará estes países. Mas o comércio internacional promove mudanças por abrir fronteiras. Mais do que a diplomacia em muitas situações.

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