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editorial

Um começo vacilante

Um mês depois da sua posse, Michel Temer já está totalmente comprometido com um modo nefasto de fazer política, ou ainda há tempo para uma correção de rumos?

  • PorGazeta do Povo
  • 13/06/2016 00:01

Todo novo governante, quando assume a chefia do Poder Executivo, em que esfera for, tem diante de si dois caminhos: agir como um verdadeiro estadista, propondo uma meta ambiciosa – mas sem ceder ao populismo – e se cercar das melhores pessoas para executá-la, fazendo aquilo que precisa ser feito, ainda que se trate de medidas impopulares; ou realizar a política rasteira como tem sido praticada nos últimos anos, baseada no toma-lá-dá-cá e no fisiologismo. Passado um mês da posse de Michel Temer como presidente interino, durante o afastamento de Dilma Rousseff, ele tem demonstrado uma perigosa ambiguidade.

Na montagem da equipe econômica e no comando de algumas estatais, Temer demonstrou a grandeza que a situação exige, convocando grandes nomes como Henrique Meirelles para o Ministério da Fazenda, Ilan Goldfajn para o Banco Central, Maria Sílvia Bastos Marques para o BNDES e Pedro Parente para a Petrobras, comprometendo-se em dar a esse grupo autonomia para desmontar a “nova matriz econômica” lulopetista que afundou o país na inflação, na recessão e no desemprego. Mas flertou com a irresponsabilidade ao apoiar, inicialmente, o aumento dos ministros do Supremo Tribunal Federal, que causaria um efeito cascata bilionário, e a criação de 14 mil novos cargos na máquina administrativa – medidas das quais só recuou após intensa pressão. E cedeu no caso do reajuste ao funcionalismo, aprovado na Câmara e cujo impacto está estimado em R$ 53 bilhões até 2018.

Temer demonstra enorme fraqueza ao fazer tantas concessões a quem nem sequer reconhece seu governo como legítimo

“Ceder”, aliás, é um verbo que Temer tem conjugado com preocupante frequência. Como quando se deixou levar pela minoria barulhenta que pedia a volta do Ministério da Cultura, unido ao da Educação na reforma ministerial anunciada logo após a posse. Ou quando cedeu aos baderneiros do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) que se levantaram contra a suspensão de contratações do Minha Casa Minha Vida – Entidades, ramo do programa habitacional desenhado para atender aos caprichos de “movimentos sociais” alinhados com o PT. E está prestes a ceder a José Rainha Junior, do Movimento dos Sem-Terra (MST), que pede não só a volta do Ministério do Desenvolvimento Agrário como também quer fazer indicações para a Secretaria de Agricultura Familiar. Temer demonstra enorme fraqueza ao fazer tantas concessões a quem nem sequer reconhece seu governo como legítimo.

Por fim, se nas nomeações da equipe econômica Temer se portou como estadista, ao compor o restante do ministério deu mostras de que não rompeu com a velha política. Nomeou investigados pela Lava Jato, alguns dos quais, como Romero Jucá, acabaram apeados do governo rapidamente, quando gravações tornaram insustentável sua permanência no cargo. Pode-se até argumentar que há avanço na comparação com Dilma Rousseff, que não mexeu um dedo contra os seus ministros investigados (com a breve exceção da “faxina” feita em 2011); mesmo assim, Temer podia ter evitado essa situação se tivesse escolhido melhor seu gabinete, que acolheu não apenas gente de lisura questionável, mas também nomes cujo único mérito é garantir o apoio deste ou daquele partido.

Haverá quem diga que não existe outra forma de governar, que Temer é um interino que precisa ser pragmático para garantir no Senado os votos necessários à cassação definitiva de Dilma. Mas pensar assim é erguer a bandeira de rendição antes mesmo da batalha. Um verdadeiro líder, que tenha um bom projeto e saiba defendê-lo, consegue tirar o melhor inclusive de colaboradores de histórico desabonador, sem precisar se afundar em barganhas e concessões. Temer pode ser esse líder, mas teve um começo frustrante. A questão que se coloca é: o presidente já está totalmente comprometido com um modo nefasto de fazer política, ou ainda há tempo para uma correção de rumos?

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