Na semana passada, a indústria brasileira recebeu mais uma notícia desanimadora: para aumentar sua receita em mais de R$ 20 bilhões, o governo federal anunciou um novo pacote de aumento de impostos. Inicialmente, a medida afeta os setores de combustíveis e cosméticos, mas sabemos que este é apenas um passo de uma jornada nada otimista para nossa economia. O governo do Paraná também definiu medidas para aumentar sua arrecadação, com impacto direto para o setor industrial, elevando o ICMS de diversos produtos.

As duas notícias chegam em um momento preocupante, depois de um ano de fraco desempenho econômico. O nível de otimismo dos industriais em relação a 2015 é o mais baixo dos últimos 20 anos. Os pacotes anunciados revelam uma estratégia de transferência do problema para a população, com o aumento de arrecadação. O governo do estado e a União deveriam se ajustar a seus orçamentos e diminuir despesas. Para driblar a crise, deveriam investir em infraestrutura para evitar problemas como o recente apagão que gerou caos no país. O apagão ocorre num cenário de produção em queda. Reclamamos dos "pibinhos" dos últimos anos. E se os PIBs fossem maiores? Estaríamos no escuro.

Não é por falta de posicionamento do setor produtivo que todas essas medidas estão sendo tomadas. No ano passado, percorremos o Paraná e construímos, com as principais lideranças de cada região do estado, o caderno Propostas para Competitividade da Indústria Paranaense – Recomendações para Política Industrial. O documento aponta quais são as medidas para impulsionar o crescimento da indústria, quais áreas merecem atenção e investimentos, e o que pode ser feito para fomentarmos o desenvolvimento do Paraná e do Brasil. No âmbito nacional, a CNI desenvolveu estudo semelhante. Fizemos um trabalho para embasar os governos e nada disso foi levado em consideração.

Sem uma participação mais efetiva da indústria nas definições que impactam na economia, cresce a insegurança jurídica e o ambiente de negócios é prejudicado. Esses aumentos de tributos não estavam contabilizados nas planilhas previstas pelas indústrias para 2015. Estamos no início dos novos mandatos não só no Executivo, mas também no Legislativo. Os parlamentares têm papel fundamental nesse processo e é preciso dividir responsabilidades. Não é justo que somente a população e o setor produtivo paguem essa conta.

Apesar de todo esse cenário, acredito na força da produção e na capacidade do empreendedor e do trabalhador. Espero que seja essa a novidade para 2015 e para os próximos anos. Tecnologia e inovação são imprescindíveis para o crescimento da indústria. O Senai nacional, com apoio do BNDES, está investindo R$ 2 bilhões nos Institutos de Inovação e Tecnologia. No Paraná, estamos investindo cerca de R$ 190 milhões. Com investimentos nessas áreas e a integração entre indústria e academia é possível buscar mercados fora do país para manter nossa saúde financeira, gerar empregos e garantir o desenvolvimento sustentável.

É importante acreditarmos em nosso potencial transformador. O empreendedor, por natureza, é um otimista e consegue vislumbrar oportunidades onde outros enxergam apenas obstáculos. É preciso estarmos abertos a novas ideias e, sobretudo, mantermos nossa vontade de lutar. Como disse o sábio Salomão, "o cordão de três dobras é difícil de quebrar". Precisamos de união.

Edson Campagnolo é presidente do Sistema Fiep.

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