Enquanto os países que tradicionalmente investem em educação disputam o cobiçado Prêmio Nobel nas áreas tecnológicas, aqui no Brasil o ensino superior cada vez mais se distancia de seu maior objetivo – a produção de conhecimento. Especificamente no setor privado podemos ver a indústria de diplomas, que só surgiu devido à demanda de pessoas que apenas procuram florear seus currículos. Não raro, professores que utilizam mestrados e doutorados como muletas esfregam os certificados na cara de alguns poucos bons alunos quando questionados sobre sua competência. Neste cenário onde bastam as aparências, a maioria dos acadêmicos finge que estuda, os pseudo-professores simulam ensinar e o brasileiro "não desiste nunca", nem de persistir com a confortável auto-enganação coletiva.

Heitor HayashiCuritiba – PR

Estado laico x feriado religioso

Constitucionalmente (art. 19, I), o Brasil adota o princípio republicano da laicidade, onde não há religião oficial. O princípio do Estado laico é típico das nações que vivem sob a égide do Estado Democrático de Direito. Só não é observado hoje nas teocracias. A concepção de um Estado laico, como o brasileiro, não nega ou rejeita a religião, apenas determina que não há uma religião oficial: todos têm o direito de escolher uma religião ou de não seguir nenhuma. A opção é individual. Não faz sentido, portanto, que uma nação, de tanta diversidade religiosa siga normas impostas por uma crença específica. Não tem qualquer cabimento o feriado religioso deste 12 de outubro, assim considerado como dedicado a Nossa Senhora Aparecida, que uns atribuem ser Padroeira do Brasil. Estabelecer um feriado baseado na crença de uma única religião é uma ofensa ao pluralismo de ideologias. Além disso, uma nação rica se constrói com muito trabalho, idéias, produção e poupança. Não se pode aceitar a interrupção de atividades produtivas sem que haja uma motivação justa a ampará-la. Conclamo a todos a pensar sobre este e outros feriados do nosso calendário.

Carlos Eugenio GarciaCuritiba – PR

Água

"É incrível a incapacidade da Sanepar em manter o abastecimento regular de água a apenas 5 quilômetros do centro de Curitiba, na Santa Quitéria. Imagino que nos bairros mais distantes as pessoas devem receber água uma vez por mês. Quem sabe se a solução não é entregar toda a administração para um grupo privado?"

Lúcio Biscaia, professorCuritiba – PR

Partidos

Votamos em pessoas, é verdade (artigo de Carlos Ramalhete de 9/10). Mas quando essas pessoas nas quais votamos mudam de partido político e esse partido não combina com as nossas orientações ideológicas, com conteúdos programáticos com os quais não concordamos, mudamos o voto para as eleições futuras. Ou seja, votamos nas pessoas e nas tendências ideológicas político-partidárias. Um partido é um agrupamento de pessoas unidas filosoficamente que se distingue dos demais partidos por sua postura diferenciada perante as necessidades da população. Votamos em pessoas com propostas feitas dentro de uma tendência, e, é isso que o eleitor espera dos políticos, que sejam coerentes e sigam os propósitos anteriores a sua eleição.

Yayá Petterle PortugalCuritiba – PR

Denúncia anônima

Mais uma vez me sinto indignado com os deputados paranaenses, desta vez porque um deles, do PSDB, teve a infeliz idéia de fazer uma lei para que quem denunciar um funcionário público ou um deputado seja obrigado a se identificar. E a liberdade de expressão? Agora cada vez que for para denunciar atos irregulares seremos obrigados a dar a cara à tapa. O que causa mais estranheza é que essa medida foi tomada numa época que antecede uma eleição e, pior, todo o resto da Assembléia voltou a favor do projeto em primeira análise. Temos de lembrar disso na hora de votar.

Tiago André Piontekievicz, universitárioCuritiba – PR

Segurança

A respeito da matéria com "conselhos para evitar um assalto" (Gazeta do Povo de 8/10), concordo com os leitores que a única maneira de evitar o crime é ter mais policiamento nas ruas. Foi com o slogan "Tolerância Zero" que o prefeito Rudi Giuliani, nos anos 90, em Nova York, conseguiu baixar a criminalidade. Colocou mais 300 policiais nas ruas para protejer os cidadãos. Só punindo, prendendo e castigando os bandidos que andam soltos é que vamos acabar com os assaltos, crimes e roubos. Os conselhos são até úteis, mas bandido também le jornal.

Miriam MachadoCuritiba – PR

Pedágio 1

Chegou a hora dos "josés" que pleitearam e conseguiram pedagiar o trecho da Rodovia do Xisto, entre Lapa e Araucária, sem licitação, explicarem o porquê de estarmos pagando R$ 6,60 para percorrer apenas 40 quilômetros. A estrada tem um traçado antigo, de mais de 50 anos, cheia de curvas. A pista única é cheia de remendos. Ainda assim, o pedágio é quase igual ao que pagarão os usuários da BR-116 entre Curitiba e São Paulo numa distância de 400 quilômetros em pista que na maior parte do trajeto é dupla. Os usuários das outras rodovias também merecem uma satisfação.

Sérgio Augusto LeoniLapa – PR

Pedágio 2

Despesa de pedágio Curitiba-Florianópolis: R$ 8; Curitiba-São Paulo: R$ 8; São Paulo-Belo Horizonte: R$ 8. Verificadas as respectivas distâncias, como se explica Curitiba-Paranaguá a R$ 11?

Murilo Antônio SimõesCuritiba – PR

Pedágio 3

Depois de toda a encenação, depois de a Copel ofertar lance 50% mais caro do que o da concorrente vencedora, o governador Requião deve ser proibido de falar em pedágio.

Renan Maciel Brasil, advogadoCuritiba – PR

CPMF

Reportagem de um semanário nacional informa que a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou corte de R$ 3,1 bilhões no orçamento da saúde. Hipocritamente, querem nos convencer de que a arrecadação anual de R$ 38 bilhões da CPMF é imprescindível para melhorar a saúde pública. Na realidade, os recursos da CPMF serão desviados para outros fins e para os novos cargos comissionados (com salários generosos) necessários para o aparelhamento do estado visando futuros pleitos eleitorais.

Irineu Queiroz dos SantosCuritiba – PR

Trânsito

Da maneira que o trânsito vem se tornando mais e mais caótico e pelo modo com que nossos governantes demoram a agir quando o tema é polêmico, sugiro que seja determinado uma área de anel central onde só se possa transitar de ônibus, motocicletas, bicicletas e táxi. Quem quiser andar de carro no anel central deverá pagar um "pedágio" para ter esse conforto. Caso contrário, o trânsito irá parar, como nas outras metrópoles.

Bruno Azevedo, engenheiro de trânsitoCuritiba – PR

CPMF 2

Tendo em vista que o mandato do presidente termina em 2010, por que a prorrogação foi aprovada para terminar em 2011? Até lá já teremos um novo presidente. Daí virá a ladainha de sempre, de que não se pode abrir mão do imposto, e começará toda a negociata, de que somos testemunhas, para aprovar nova prorrogação.

Joacir Benedito dos Santos, servidor público aposentadoCuritiba – PR

Ética

Denuncio o descaso e a falta de respeito de um motorista do ônibus de Jardim Social–Batel, que por volta das 14h15 de 6/10 não parou no ponto próximo ao PolloShop Alto da XV, mesmo tendo sido solicitado por uma passageira que esperara por 25 minutos. Minha mãe, uma senhora de 69 anos, teve de percorrer os 4 quilômetros até sua casa, no Jardim Social a pé. Isso porque o digníssimo motorista provavelmente estava atrasado (em pleno sábado) e ignorou o sinal para a sua parada. Como podemos exigir de nossos senadores e deputados ética se não a observamos nem em pequenas atitudes cotidianas?

M.Albuquerque, servidor público federalCuritiba – PR

Pedágio 4

Concluída a licitação para a escolha das empresas que irão administrar as rodovias a serem pedagiadas no Paraná, restou demonstrada cabalmente a enorme incoerência entre o discurso demagogo do governador do estado e a realidade dos fatos. Em sua campanha para o Palácio Iguaçu, Roberto Requião inundou a mídia com o refrão "ou o pedágio abaixa ou acaba". Não foi o que se viu quando da abertura das propostas, entre elas incluída a da Copel (tarimbada empresa de administração de rodovias, como se vê) que em vez de propor uma tarifa "social", bem ao gosto do temporário ocupante do Palácio das Araucárias, apresentou outra, de valor elevado, perdendo assim a oportunidade de mostrar como se administra uma rodovia pedagiada com tarifas reduzidas. De fanfarronices estamos cheios.

Hélio Azevedo de Castro, economiário aposentadoCuritiba – PR

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