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Curitibano João Santos Lima, que mora em Moscou há 20 anos, com o comprovante de que foi vacinado da Covid-19 com a Sputnik V.
Curitibano João Santos Lima, que mora em Moscou há 20 anos, com o comprovante de que foi vacinado da Covid-19 com a Sputnik V.| Foto: Arquivo pessoal João Santos Lima

Pelo menos um paranaense já foi imunizado da Covid-19 com a Sputnik V, a vacina que tem acordo para ser produzida no Paraná. Só que o paranaense em questão está na Rússia.  Além do país onde foi criada, a russa Sputnik V também está sendo aplicada na Argentina, que fechou acordo após o Paraná.

Enquanto o acordo assinado pelo governador Carlos Massa Ratinho Jr (PDS) e a Rússia para produção do imunizante segue travado por questões burocráticas por parte dos russos, o curitibano João Santos Lima, 40 anos, que mora há duas décadas em Moscou, é provavelmente o único paranaense imunizado com a vacina que poderia começar a ser produzida pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) nos próximos dias.

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João tomou a vacina sexta-feira (15), quando passou no posto de saúde perto de casa em Moscou para perguntar quando poderia agendar a vacinação. “A orientação é para que as pessoas agendem por telefone. Como o posto de saúde é aqui perto de casa, passei lá só para perguntar do agendamento e me surpreendi quando a atendente me disse que era só subir a escada para tomar a vacina. A sensação é de alívio, de tirar um peso nas costas”, comemora o curitibano.

Dia 5 de fevereiro, ele e a esposa, a russa Júlia, de 36 anos, tomarão a segunda dose da Sputnik V. Já as filhas do casal, Solange, de 16 anos, e Beatriz, de 11 anos, ambas nascidas em Moscou, terão de esperar mais um pouco. A previsão é de que menores de 18 anos sejam vacinados na Rússia a partir de agosto.

Comprovante de vacinação do paranaense João Santos Lima, que mora há 20 anos em Moscou.
Comprovante de vacinação do paranaense João Santos Lima, que mora há 20 anos em Moscou.| Arquivo pessoal João Santos Lima

A vacinação na Rússia começou no início de dezembro, mesmo sem o resultado da fase 3 de testes. Semanas depois, o resultado da última fase de testes mostrou eficiência de 91,4% da Sputnik V, cuja primeira dose já foi aplicada em todos os profissionais de saúde, professores, idosos e militares do país e que desde a semana passada está disponível para a população russa em geral, incluindo estrangeiros residentes, como o representante comercial.

João afirma que nem ele e nem a esposa tiveram até esta segunda-feira (18) nenhum efeito colateral da vacina. Só uma dorzinha bem de leve no local da picada. “Eu recomendo que as pessoas se imunizem com a Sputnik V. De quatro amigos brasileiros que vacinaram aqui em Moscou, apenas um teve um pouco de dor de cabeça e febre leve, nada grave. No meu caso, a dor no braço é mais muscular pela injeção mesmo, não pela vacina”, atesta o paranaense. De orientação, a Sputnik V exige que o paciente fique três dias sem beber após a aplicação. "Mas para mim isso não faz diferença. Bebo muito pouco", afirma João.

Preocupação com o Brasil

Ao mesmo tempo em que se sente aliviado por já ter recebido a primeira dose, João se preocupa com a a família na pandemia em Curitiba, onde vivem os dois irmãos mais velhos, a cunhada e dois sobrinhos.  Na Rússia, ao contrário do Brasil, todas as autoridades e a população estão unidas para que a imunização do coronavírus seja feita o mais rápido possível.

“Ninguém aqui é contra a vacinação. Algumas pessoas questionam a capacidade da Rússia em produzir uma vacina tão rapidamente, mas não se questiona a importância de se vacinar. E é muito pouca gente que questiona, os idosos, principalmente. A grande maioria da população quer tomar a vacina e seguir a vida”, enfatiza João.

O paranaense lembra que o presidente Vladimir Putin tem incentivado os russos a se vacinarem desde o início da pandemia em março de 2020, quando ainda sequer havia o imunizante e foi implantado um severo lockdown pelo país. Bem diferente do Brasil, onde o presidente Jair Bolsonaro causa aglomerações e constantemente questiona a eficácia das vacinas, especialmente a chinesa Coronavac, que será produzida pelo Instituto Butantan, de São Paulo, a única que o país conseguiu para iniciar a imunização emergencial. “Aqui ninguém é antivacina. Não tem protesto, não tem nenhuma autoridade dizendo que vacina não adianta. Nem se compara com essa situação caótica do Brasil”, avalia João.

O posicionamento do governo e da sociedade russa a favor da vacina é tamanha, que o curitibano afirma estar aliviado em ter passado a pandemia fora do Brasil, que deve ultrapassar nesta segunda-feira a triste marca de 210 mil mortes por Covid-19, sendo 9 mil no Paraná. “É muito triste confessar isso, mas estou muito aliviado em não estar vivendo no Brasil neste momento, em estar em um país que tem levado a pandemia a sério desde o começo”, completa João, que mesmo imunizado vai continuar seguindo as regras de prevenção sanitária da Covid-19, como o uso de máscara e distanciamento social.

A intenção, afirma ele, é não só manter as filhas que ainda não foram imunizadas distantes do coronavírus, como também seguir o exemplo dos russos. “A gente sabe que mesmo com a vacina a Covid não vai terminar de imediato”, ressalta.

Acordo parado no Paraná

Pelo acordo assinado em agosto de 2020 entre o governo do Paraná e da Rússia,  a documentação à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deveria ter sido entregue já no mês seguinte, em setembro, para que oTecpar começasse a fase 3 de testes com voluntários paranaenses ainda em outubro. Cinco meses se passaram desde que o governador Ratinho Jr e o embaixador da Rússia no Brasil assinaram o acordo e nada disso aconteceu.

O fundo russo que financiou a pesquisa da vacina pediu revisão no acordo e desde então os processos seguem sem datas definidas. Além disso, a Anvisa recusou na última sexta-feira (16) por falta de requisitos os documentos encaminhados para uso emergencial da Sputnik V pela União Química, laboratório particular que também fechou acordo para produzir a vacina russa no Brasil.

Sábado (16), o governo da Bahia, que também tem acordo para adquirir doses da vacina russa, entrou com pedido de liminar no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a liberação de importação e registro emergencial da Sputnik V.

Nesta segunda-feira (18), o Paraná inicia a vacinação com doses da Coronavac, antecipando a campanha que iniciaria quarta-feira (20). A previsão é de que 265,6 mil doses da vacina chinesa vindas do Instituto Butantan, de São Paulo, enviadas pelo Ministério da Saúde cheguem às 18h30 ao Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, de onde parte será encaminhada para aplicação imediata em profissionais de saúde que atuam no tratamento da Covid-19 no Hospital do Trabalhador, em Curitiba.

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