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Médico alerta para riscos do parto domiciliar, após medo da Covid-19 aumentar procura
| Foto: Antônio More / Arquivo Gazeta do Povo

Muitas grávidas próximas de dar à luz vivem dias de preocupação. Afinal, a pandemia do novo coronavírus traz junto o receio para aquelas que estão no final da gestação de contrair a doença no hospital. Junto com o medo, muitas gestantes de Curitiba foram atrás da opção do parto domiciliar. Afinal, parto em casa nesse momento é a melhor opção? Especialistas respondem.

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“Aumentou a procura significativamente por parto domiciliar em Curitiba por causa do novo coronavírus. A gente teve aumento quatro vezes maior só no mês de março”, explica a enfermeira obstetra Aline Adriana Calça, do grupo Quatro Apoios de Parto Domiciliar. Do dia 9 de março até esta segunda-feira (30), 30 mulheres procuraram o grupo e agendaram parto domiciliar.

Critérios

Porém, quando se trata de parto em casa, é importante ter em mente outros pontos que vão além do ambiente. Existem alguns critérios se para ter o bebê em casa. O primeiro deles é o desejo de vivenciar um processo natural e humanizado. O segundo ponto é da recomendação somente em casos de gestação de baixo risco ou risco habitual, sem doenças prévias como cardiopatias ou hipertensão. Partos prematuros também não são recomendados em ambiente domiciliar.

“Outro ponto que vem sendo levado em consideração é de que algumas maternidades não estão permitindo a entrada de acompanhantes, doulas e enfermeiros obstetras, o que está trazendo bastante insegurança para essas mulheres”, salientou a enfermeira obstetra. A possibilidade de não ter um acompanhante também tem preocupado as mães.

Cuidados com mãe e bebê

Na visão do ginecologista e obstetra Alberto Trapani, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), procurar por um parto em casa de última hora pode ser precipitado. “O parto realizado em ambiente hospitalar é capaz de assegurar melhores chances de cuidado à vida da mãe e do bebê, sendo, portanto, mais seguro”, esclarece.

O médico relembra que mesmo na época da epidemia da gripe H1N1, que é muito mais perigosa para a gestante, o parto domiciliar não foi considerado como uma solução. Na visão do especialista, parece óbvio que os riscos de parto domiciliar são muito maiores que os eventuais riscos de contaminação pelo novo coronavírus na maternidade.

Segundo Alberto Trapani, existe o risco de contrair o novo coronavírus na maternidade, assim como em qualquer outro lugar. “Esse risco vai depender da cidade, do hospital do tempo de internação e dos cuidados”, explica ele. A recomendação geral é procurar a maternidade somente quando necessário, com apenas um acompanhante. A maior parte das maternidades já estabeleceu um fluxo de atendimento para reduzir ao máximo o risco de transmissão.

Visitas por videoconferência

As visitas também devem ser evitadas. Na visão do médico, a regra pode variar de acordo com cada instituição, mas neste momento, é melhor que não se tenha visitas tanto na maternidade quanto em casa. “Hoje com os aplicativos de videoconferência fica mais fácil aceitar isso”, comenta Trapani.

Trapani destaca que existem poucas evidências de que o risco de contrair a Covidi-19 seja maior em gestantes ou parturientes do que no restante da população. O risco de transmissão para o feto também se demonstra mínimo ou inexistente.

A recuperação, tanto no parto normal como na cesárea, também não altera as chances de desenvolver a forma mais grave da doença. Na visão do especialista, o parto normal sempre é preferível, mas a indicação da via de parto deve seguir as características de cada caso.

Ao chegar em casa, as práticas de higiene das mãos e as práticas de isolamento social precisam ser mantidas. A amamentação deve acontecer normalmente, pois não há evidência de transmissão da doença de mãe para bebê através do leite materno.

As mães diagnosticadas com novo coronavírus e que estejam em condições devem seguir todos os cuidados de higiene para evitar a disseminação viral para o recém-nascido, entre eles: lavar as mãos antes de tocar no bebê, em bomba extratora de leite, ou mesmo em mamadeira; usar máscara facial durante as mamadas; e seguir rigorosamente as recomendações para limpeza das ordenhadeiras após cada uso.

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