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Petrobras decidiu desativar a fábrica de fertilizantes em Araucária
Petrobras decidiu desativar a fábrica de fertilizantes em Araucária| Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O fechamento de uma das principais indústrias de Araucária, a deficitária Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), oficializado neste mês pela Petrobras, terá efeito “amortecido”, mas ainda assim significante para os cofres do município da região metropolitana de Curitiba e do estado do Paraná.

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De acordo com o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), Araucária deixará de receber anualmente R$ 75 milhões com impostos e a perda de renda dos cerca de mil funcionários diretos e terceirizados que serão demitidos. O estado, que arrecada ICMS com a fábrica, pode deixar de recolher R$ 50 milhões por ano.

De acordo com o secretário de Governo de Araucária, Genildo Carvalho, a perda de recursos deve levar em conta a cadeia produtiva que a Fafen movimentava. “O impacto para o município é significativo, pois a Fafen tem seus empregos diretos e cria empregos indiretos, em outras empresas. São companhias que dependem da matéria produzida por ela, como a White Martins [a empresa multinacional usa a Ureia da estatal de Araucária para produzir gases industriais e medicinais]”, diz.

Considerada toda a cadeia, o secretário estima que o fechamento afeta mais de 3 mil trabalhadores. “Esse capital salarial é algo que, colocado na balança, não atinge só Araucária. Curitiba também perde”, diz. De acordo com Carvalho, isso ocorre porque muito dos trabalhadores moram ou consomem produtos e serviços na capital – a Fafen está a poucos quilômetros de Curitiba.

O secretário indica, no entanto, que esses números não são tão altos quanto no passado porque, desde 2015, a empresa já vinha sendo desativada. “Para o município, já não tinha muita representatividade em termo de imposto municipal [o Imposto sobre Serviços – ISS]. Para o estado, tinha mais representatividade [o Paraná recolhe Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços da empresa e retorna parte para Araucária]”, aponta. A gradual desaceleração é efeito de uma sequência de prejuízos que a empresa acumulava desde 2013.

A reportagem ainda aguarda posicionamento da Secretaria da Fazenda e do governo do Estado sobre o assunto.

Processo de desindustrialização

Para o secretário de Governo de Araucária, o fechamento da Fafen representa um risco maior no longo prazo. Genildo Carvalho aponta que pode haver o que chama de “eventual desindustrialização do município e do estado”. “Nós estamos deixando uma empresa de fertilizantes que usa os resíduos da Petrobras e hibernando uma planta que pode valer uns R$ 2 bilhões, sendo que você tem a matéria-prima ali do lado [a fábrica usa insumos da Refinaria Presidente Getúlio Vargas, também em Araucária, e que está em processo de privatização]”.

Carvalho cobra a união de governo e deputados para evitar o risco. “Essa cadeia eventual de desindustrialização pode afetar outras empresas aqui no Paraná e o estado perderá receita. Quando se anuncia que o Paraná teve um crescimento em seu PIB industrial, Araucária pulou de R$ 18 bilhões para R$ 25 bilhões. Parte do grande crescimento industrial do estado partiu daqui, da Petrobras. É necessário que a comunidade, sociedade e empresários estejam atentos a esse processo, pois pode repercutir negativamente para as contas”, diz.

É uma posição que vem sendo defendida pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), entidade sindical que representa os trabalhadores que serão demitidos, como forma de pedir a continuidade da empresa. “O fechamento da Fafen vai aumentar ainda mais a dependência da agroindústria brasileira da importação de fertilizantes. Somada às outras duas Fafens que a Petrobrás arrendou no fim de 2019, na Bahia e em Sergipe, a unidade garantia o abastecimento de cerca de 30% do mercado brasileiro de ureia e amônia. Além de ser atualmente a única produtora de ureia do país”, diz nota da Federação.

De acordo com a Petrobras, o fechamento se dará porque a Fafen teve prejuízo de R$ 250 milhões em 2019 e estimava perda de R$ 400 milhões para 2020. "No contexto atual de mercado, a matéria-prima utilizada na fábrica [resíduo asfáltico] está mais cara do que seus produtos finais [amônia e ureia] e as projeções para o negócio continuam negativas. A Fafen é a única fábrica de fertilizantes do país que opera com esse tipo de matéria-prima", destaca o material.

O encerramento é, por enquanto, uma "hibernação": jargão para quando a estrutura é mantida, mas sem estar em funcionamento.

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