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Hotmilk, da PUC, é um ecossistema de inovação dentro da universidade
Hotmilk, da PUC, é um ecossistema de inovação dentro da universidade| Foto: Edjane Madza/Divulgação

No último dia 26 de novembro, a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) inaugurou o seu Instituto de Cidades Inteligentes, com o objetivo de desenvolver soluções inovadoras para a capital e outros municípios do Paraná. O iPUCPR, assim como outros projetos em formatos semelhantes no Brasil e no mundo, é uma possibilidade para a formação de parcerias entre a universidade, o poder público e empresas.

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Esse formato é baseado no modelo de inovação chamado tripla hélice, que se refere à interação entre academia, governos e indústria para fomentar desenvolvimento econômico e social. O conceito foi idealizado nos anos 1990 por Henry Etzkowitz e Loet Leydesdorff. A proposta é que essa seja a base para criação de novos negócios, transferência de tecnologia e criação de parques científicos. No Brasil, mais de 80% dos pesquisadores atuam em instituições de ensino superior, segundo indicadores do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

"A ideia é de que a cooperação entre essas pás da hélice faz com que ela gire de forma mais efetiva. Essa percepção vem casada com a ideia de que a universidade não pode ficar atrelada ao seu universo em si mesma e deve se voltar pra sociedade, para atender e entender as demandas sociais daquele local em que ela se encontra", explica o diretor do iPUCPR, Eduardo Agustinho.

As parcerias funcionam principalmente sob demanda. Porém, a intenção é de que os institutos também possam levar até os órgãos públicos e empresas sugestões de melhorias no ambiente urbano e na sociedade.

O professor defende que a sociedade procura a universidade buscando soluções para os seus problemas, por meio da pesquisa científica e da inovação. "A gente entendeu que tinha que ampliar a atuação da universidade com a cidade, convergindo as ações para as necessidades locais aliadas ao conceito de cidade inteligente", diz. "Nisso, você junta energia, big data e mobilidade."

Exemplo que vem de fora

Cidades inteligentes são aquelas que usam diferentes tipos de sensores da Internet das Coisas para coletar dados, analisá-los e transformar essas informações em recursos para que aquela área funcione com mais eficiência. Na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o Instituto Metrópole Digital (IMD) foca em tecnologia da informação (TI) para criar tecnologias voltadas, principalmente, a órgãos governamentais.

"O instituto quer aplicar as tecnologias que estão sendo desenvolvidas na universidade na indústria, no governo, na sociedade, promovendo inovação tecnológica através da tecnologia da informação", explica o professor do IMD Frederico Lopes.

Lopes coordena o Projeto Smart Metropolis, que desenvolve soluções para cidades inteligentes em parceria com prefeituras e governo estadual. O projeto já desenvolveu softwares para monitoramento de grandes espaços e sistemas logísticos, mas o carro-chefe são os voltados para segurança pública.

Já foi implementado, por exemplo, um programa para processamento e gestão das ocorrências registradas pela Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Norte. E está em fase de desenvolvimento um programa para analisar essas ocorrências, usando os dados como local e horário para desenvolvimento de ações de prevenção de crimes. "A gente inova para que esses órgãos consigam oferecer de forma melhorada o que eles já fazem hoje", afirma o docente.

O IMD oferece formação desde cursos técnicos até o pós-doutorado. Há, ainda, por meio da parceria com empresas e órgãos, a possibilidade de abrir turmas de residência em TI. Nestas, alunos recém-graduados têm prática profissional em um ambiente real de trabalho, e os entes parceiros recebem soluções de TI personalizadas de acordo com as suas necessidades. Até agora, o projeto de residência já foi desenvolvido na Justiça Federal do Rio Grande do Norte, no Tribunal de Contas do Estado e no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte.

"A universidade tem muito a oferecer à sociedade e esse formato de parceria com o poder público é muito interessante. É muito mais barato desenvolver tecnologia de ponta dentro da universidade do que contratar, na iniciativa privada, uma solução já fechada que pode nem atender plenamente a necessidade daquele órgão", aponta Lopes.

Inovação e transferência de tecnologia

O Instituto de Cidades Inteligentes da PUCPR está instalado dentro do Tecnoparque, parte da Hotmilk, ecossistema de inovação da instituição. A Hotmilk nasceu em 2008, como agência de inovação, e é a responsável pela prospecção de negócios, conectando os pesquisadores da universidade com empresas, e realização de processos contratuais para as parcerias. Além disso, também atua como incubadora e aceleradora de novos negócios.

"Há um estigma de que boa parte das universidades conversa muito pouco com a indústria para resolver problemas da sociedade e a gente consegue potencializar isso com esse tipo de projeto", conta o diretor do órgão, Fernando Bittencourt, explicando que isso não quer dizer que projetos de pesquisa em ciência básica serão ignorados. "A produção vai para os dois lados: são cerca de 200 projetos em parceria com empresas, mas cerca de mil projetos de pesquisa dentro da universidade."

Ao lado de 11 startups que foram aceleradas dentro desse ecossistema de inovação, na lista de parcerias estão nomes como Renault, Copel, Unimed e os hospitais Marcelino Champagnat e Cajuru. "A indústria nacional ainda inova muito pouco. O poder de inovação está nas universidades. Fazendo essa aproximação [com o setor industrial] e apoiando os professores para fazerem esse contato, a empresa consegue ter um impacto socioeconômico maior e a universidade consegue fazer uma pesquisa de maior relevância."

Outro exemplo de parque científico e tecnológico que segue esse mesmo modelo de parcerias fica na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Com mais de 7 mil pessoas atuando em 170 empresas, o Tecnopuc abriga startups e projetos de grandes companhias, como HP e Apple. Para poder fazer parte do parque, os projetos precisam ter alguma conexão com a universidade. "O foco central é a aplicação de conhecimentos gerados dentro da universidade nas empresas", explica o professor Jorge Audy, superintendente de Inovação e Desenvolvimento da PUCRS.

Ele destaca a importância da colaboração entre as três hélices para o desenvolvimento de projetos modernos, condizentes com a economia do século 21. "O que se procura fazer nesses ambientes é construir soluções simultaneamente aceitáveis e fruto da interação entre todas as hélices", diz. "Esses ecossistemas são os principais motores no processo de desenvolvimento econômico e social".

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