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Leilão aconteceu na manhã desta terça-feira na B3, em São Paulo
Leilão aconteceu na manhã desta terça-feira na B3, em São Paulo| Foto: Reprodução / B3

Em leilão na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) nesta terça-feira, o Fundo de Investimentos Bordeaux ofereceu um ágio de 900% sobre o valor mínimo das ações e adquiriu o controle total da empresa de telecomunicações Sercomtel, que atua na região de Londrina. A Sercomtel, que tem como principais acionistas a prefeitura, 55%, e a Copel, 45%, possui atualmente 231 mil acessos de telefonia fixa, 102 mil de banda larga e 52 mil de celular. A privatização ainda precisará ter seu trâmite aprovado pela Anatel e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), antes de acontecer a alienação definitiva para os novos donos.

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O fundo Bordeaux foi o único interessado a fazer uma oferta, de 10 centavos por ação da empresa, contra um preço mínimo de R$ 0,01. O preço final de venda da Sercomtel, no entanto, acabou sendo de R$ 133,8 milhões, apenas 2,92% acima do "preço de tabela". Isso porque o ágio de 900% incidiu apenas sobre o valor das ações, e não sobre o aporte fixo de R$ 130 milhões exigido pela Anatel para atender os indicadores econômico-financeiros mínimos (veja nota explicativa ao final da matéria).

“A desestatização, não tenho dúvida alguma, vai colocar a Sercomtel em outro patamar. É uma empresa catalisadora do desenvolvimento. O ágio de 900% é fantástico e, no final de todo processo, ainda renderá dividendos para a prefeitura de Londrina, na casa de milhões”, avaliou o prefeito Marcelo Belinatti, logo após o leilão.

Foi a segunda tentativa de privatizar a Sercomtel na Bolsa. O primeiro leilão, no início do ano, não teve interessados. Se não a empresa não fosse vendida, a Câmara de Vereadores de Londrina já havia aprovado autorização de um empréstimo de R$ 30 milhões para reestruturação. Além de dispensar o empréstimo, a venda extingue também uma dívida da prefeitura com a companhia no valor de R$ 30 milhões.

Representante do outro sócio da Sercomtel, Wendell Oliveira, presidente da Copel Telecom, disse que o ágio fala por si só. “Mostra que tem gente que acredita na empresa. No modelo privado, pode se tornar de novo uma empresa rentável, competitiva e que vai continuar dando orgulho aos londrinenses e aos paranaenses”.

Nesta quarta-feira (19), a B3 será palco de uma audiência pública que explicará o processo de privatização de outra companhia paranaense, a Copel Telecom, braço de telecomunicações da Copel. A audiência mostrará os principais aspectos do negócio e como será “a estrutura da venda relativa ao leilão”.

Atualização

Ao longo de toda esta terça-feira a reportagem da Gazeta do Povo tentou a confirmação do preço mínimo final de venda da companhia londrinense, não divulgado pela Bolsa, nem pelo fundo Bordeaux, nem pela Sercomtel. Somente ao final da tarde, a própria Sercomtel informou que o ágio de 900% no leilão, na verdade, foi sobre o "pacote" de 38 milhões de ações da companhia, comprado por R$ 3,8 milhões. O valor mínimo era de R$ 0,01 por ação e o fundo ofereceu R$ 0,1. Para cálculo do valor final, devem ser somados esses R$ 3,8 milhões com os R$ 130 milhões "de aporte mínimo da proposta fixa", exigido pela Anatel. Assim, o preço pago pela Sercomtel foi de R$ 133,8 milhões. Desses, R$ 50 milhões de forma adiantada e R$ 80 milhões "serão usados conforme a necessidade de caixa da operadora".

Atualizado em 18/08/2020 às 19:48
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