Protocolos e perspectiva de vacina devem permitir o retorno às aulas em 2021.
Protocolos e perspectiva de vacina devem permitir o retorno às aulas em 2021.| Foto: Gerson klaina / Tribuna do Paraná

Enquanto o índice R de transmissibilidade da Covid-19 não ficar abaixo de 1, as autoridades de saúde não recomendam a volta às aulas presenciais nas escolas. O índice mede quantas pessoas podem contrair o coranavírus a partir de um grupo de 100 pessoas.

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Há duas semanas, o Paraná chegou a registrar o maior índice R de todo o Brasil, batendo em 1,47. Agora o valor segue alto, em 1,3, que indica que 100 pessoas podem passar o coronavírus para outras 130 pessoas no estado. Já em Curitiba, após duas semanas com o valor acima do indicado, o índice bateu sexta-feira (4) em exatamente 1 – o que significa que um grupo de 100 pessoas infectadas pode transmitir a doença para outras 100 pessoas.

Mesmo assim, a situação segue preocupante, avalia o médico infectologista pediátrico Victor Horácio de Souza Costa Jr, vice-diretor técnico do Hospital Pequeno Príncipe (HPP). “A situação nunca esteve tão grave. Vai ser difícil chegar em condições de reabrir as escolas nas próximas quatro semanas”, avalia.

A redução do índice R para menos de 1, o que pemitiria a volta às aulas, passa muito pelo comportamento dos próprios pais dos alunos, enfatiza o médico do HPP. “O problema não é da porta da escola para dentro, onde há protocolos para controlar a transmissão. É o comportamento dos pais fora da escola que vai ditar o risco”, alerta Victor Horácio.

Médico Victor Horácio de Souza Costa Jr, vice-diretor técnico do Hospital Pequeno Príncipe, aponta a responsabilidade dos pais para a volta às aulas.
Médico Victor Horácio de Souza Costa Jr, vice-diretor técnico do Hospital Pequeno Príncipe, aponta a responsabilidade dos pais para a volta às aulas. | Hospital Pequeno Príncipe

“Não adianta as escolas oferecerem tudo para conter o vírus se do portão para fora os pais não respeitarem as medidas de prevenção. Até porque academia, bar, supermercado representam muito mais risco de infecção do que a escola”, compara o infectologista pediátrico que vem prestando orientações a escolas particulares para o retorno às aulas.

O médico do HPP ressalta que todos os cuidados que serão tomados dentro das escolas têm que ser reproduzidos pelas famílias em outros locais, inclusive no ambiente de trabalho, para que os próprios pais não contaminem as crianças. “As crianças costumam ter quadros mais leves de Covid-19, mas elas podem sim ter quadros graves. Nós mesmos já atendemos 246 crianças infectadas e cinco morreram”, reforça Victor Horácio. “Nesses casos graves, a criança pode desenvolver inclusive infecção no músculo do coração. A gente não tem como saber qual criança terá caso leve e qual terá caso grave”, explica.

Volta às aulas: vacina e restrições

O avanço nas pesquisas da vacina contra a Covid-19, inclusive com países como o Reino Unido já iniciando a imunização da população nesta semana, anima os setores de saúde e educação em relação à volta às aulas.

Para o médico curitibano Clóvis Arns da Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a perspectiva de a vacina chegar ao Brasil entre dois e três meses é uma excelente notícia para as escolas. “Com a vacina, poderemos retomar diversas atividades, entre elas as escolas”, afirma.

Enquanto a vacina não chega, Arns diz que as escolas vão precisar continuar apenas com atividades reduzidas, como aulas extracurriculares. “Sem a vacina, enquanto a curva epidemiológica continuar ascendente as escolas vão precisar continuar com atividades reduzidas. Por outro lado, acredito que as medidas tomadas agora pelo poder público vão permitir que a curva volte a cair”, confia o presidente da SBI.

Mas, infelizmente, não é o que se tem visto nas ruas, com aglomerações que levaram o poder público a medidas mais severas. Em Curitiba, a prefeitura decretou bandeira laranja com o fechamento de bares e casas noturnas. Já o governo do estado decretou toque de recolher e proibição de venda de bebidas alcóolicas das 23h às 5h do dia seguinte, medida que foi replicada na capital e região metropolitana.

“A escola não é o local mais perigoso de transmissão. Academia, bar, supermercado estão muito na frente nisso. Por isso precisamos de medidas mais ativas para conter a transmissão”, enfatiza Victor Horácio.

Ele faz um alerta: o comportamento dos pais será decisivo para o retornos dos filhos á escola. “O problema não é da porta da escola para dentro, onde vai haver controle. É o comportamento dos pais que vai ditar o risco para a volta ou não das aulas”, avalia Victor Horácio.

Sexta-feira (4), a prefeitura de Curitiba endureceu um pouco mais o decreto da bandeira laranja para coibir aglomerações. Além de proibir a abertura de bares e casas noturnas, o município agora também determinou o fechamento do comércio aos domingos. Além disso, o governo do estado decretou a proibição de circulação de pessoas pessoas e a venda de bebidas alcóolicas entre 23h e 5 h da manhã do dia seguinte, medida que foi replicada pela capital e municípios da região metropolitana.

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