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Iris Alessi trocou o jornalismo pelas agulhas de tricô
Iris Alessi trocou o jornalismo pelas agulhas de tricô| Foto: Arquivo Pessoal

Já imaginou se o seu hobby fosse o seu trabalho? O que começou como uma atividade de lazer hoje é a principal fonte de renda da curitibana Iris Alessi (36), do @flordeiris_handmade, que trocou o jornalismo pelas agulhas de tricô. À primeira vista pode parecer um conto de fadas, mas ela conta que o caminho que a levou a ser reconhecida como umas das mais influentes tricoteiras do país não aconteceu da noite para o dia.

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“Desde a adolescência eu fazia algumas coisas básicas, mais em crochê que em tricô na época. Mas foi em 2009 que comecei a descobrir muitas coisas na internet, a pesquisar mais”, conta Iris, que antes dependia das revistas encontradas nas bancas para fazer suas peças. Foi a partir daí que ela começou a estudar mais a técnica e, principalmente, a fazer contatos com outras pessoas do mundo do tricô. “Existe uma coisa no tricô que chamamos de TJ, que é a sigla para ‘tricotar juntas’, em que as pessoas escolhem um projeto, uma receita. Cada uma faz o seu, mas ao mesmo tempo, e assim vão aprendendo em conjunto. Então o tricô tem muito disso, desta ideia de comunidade, que é algo que tem muito a ver comigo”, explica.

De lazer a trabalho

Iris Alessi em uma aula de tricô antes da pandemia.
Iris Alessi em uma aula de tricô antes da pandemia.| Micapullo

Com o aprendizado e os contatos cada vez mais intensos, o tricô começou a ganhar mais espaço na vida da jornalista, que então trabalhava em uma assessoria de imprensa. "Nesta época descobri muitas ferramentas, como agulhas, fios especiais, e comecei a entrar mais ainda neste mundo, então todo dinheiro que ganhava no jornalismo eu acabava investindo em tricô”, relembra. Em 2012, Iris criou sua primeira receita própria e ajudou a organizar um congresso promovido por tricoteiras em Curitiba. "Um novo mundo se abriu, eu era capaz de criar. Isso foi muito importante pra mim."

A partir de então, o hobby começou a tomar novos rumos e, em 2015, ela criou um workshop, para levar a outras pessoas o conhecimento que adquiriu ao longo dos anos. “No final do ano, a empresa em que trabalhava passou por um corte, e acabei perdendo meu emprego. Como tinha uma certa reserva financeira, pensei: vou dar um tempo e voltar a procurar algo [na área de comunicação] no ano que vem. Mas como sempre fui muito faladeira, já tinha muitos contatos nos armarinhos que frequentava, e fui sendo convidada para dar aulas. No final de 2016, eu já não tinha espaço na agenda!”, diz.

Tricotando desafios

Iris Alessi cria suas próprias receitas e ensina as pessoas a fazê-las.
Iris Alessi cria suas próprias receitas e ensina as pessoas a fazê-las.| Arquivo Pessoal

Com os contatos crescendo, viagens para outras cidades começaram a ser mais frequentes, principalmente incentivadas pelas possibilidade que suas rede sociais e seu blog tinham de alcançar um público fora de Curitiba. “Fiz um curso gravado de um xale que teve uma receptividade muito grande. As pessoas que não eram de Curitiba falavam que finalmente podiam fazer aula comigo, mas eu ainda não acreditava muito na possibilidade de aulas remotas”. Foi então que veio a pandemia. “Foi meio que desesperador migrar tudo para o virtual. O tricô é uma coisa muito artesanal, de estar presente, mostrar o erro, pegar na mão. Eu não achava que pudesse dar certo. Mas deu.”

Por fim, após toda transição ela considera que seu trabalho não apenas ganhou novas formas, mas também pode alcançar novas pessoas. Atualmente, o @Flor de Iris tem mais de 15 mil seguidores no Instagram e o tricô é sua atividade profissional principal, e ela já expandiu sua atuação. “Tenho, com duas amigas, um projeto de uma enciclopédia de tricô e também de um festival online, que já realizamos e pretendemos repetir”, diz ela. Como objetivo individual, ela pretende criar mais receitas e padrões para ensinar as pessoas a tricotarem. “Isso é muito gostoso, eu gosto de estar com as pessoas, de compartilhar”.


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