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Guga Cidral, educador e artista do Tupi Pererê.
Guga Cidral, educador e artista do Tupi Pererê.| Foto:

“Acho que sou artista desde pequeno”. A resposta à pergunta de como tudo começou dá ao espectador uma ideia de o quanto a vida de Guga Cidral se mistura com a arte, em especial com o teatro e a música. Nascido Augusto Cesar Cidral Boslooper, aos 43 anos ele canta e encanta crianças desde 1997, seja em suas apresentações com o grupo Tupi Pererê ou nas oficinas de artes nas escolas em que atua. “Acho que já devo ter trabalhado diretamente com umas cinco mil crianças ao longo desta jornada”, diz Guga.

Formado em Arte e Comunicação e pós-graduado em Arte, Educação e Saberes Populares da Cultura Brasileira, sua missão é simples de ser definida, mas nem por isso fácil: levar às crianças a oportunidade de conviver com a arte e a música, em especial as expressões populares da cultura brasileira. “A arte é um combustível para a infância. Percebo que as crianças que fazem essa troca (com a arte) são muito diferentes das que não a fazem”, afirma ele, que é um exemplo da influência positiva da cultura na infância. “Sempre fui muito musical, e meus pais perceberam isso desde cedo e me colocaram no Centro de Criatividade de Curitiba. Foi lá que nasceu tudo”, relembra. As oficinas de artes e de teatro o levaram para as artes cênicas, e depois o teatro o levou para o universo infantil, que de repente o levou ao universo escolar, que o levou novamente para o teatro, num movimento cíclico que sempre se renova e é cercado de alegrias, encontros, amizades e desafios.

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E, neste ciclo, a aproximação com a cultura brasileira se deu naturalmente. “Eu trabalhava com artes nas escolas, mas sentia que as crianças precisavam de mais contato com a música brasileira. Pensei: por que não trazer Chico (Buarque), Ney Mato Grosso, MPB para estas crianças? Foi então que me juntei a dois amigos, Rodrigo Fonseca e Beto Collaço, e formamos o Trio Pererê”. O primeiro show, há 15 anos, foi batizado de “O caminho das histórias”, e marcou o coração de Guga. “A gente viu que juntar a música ao vivo e o teatro era incrível. Nessa estreia, eu senti que poderia crescer com o proejto, então comecei a empreender pelo Pererê, a buscar parceiros, criando um selo de música e teatro. A partir daí começamos a produzir freneticamente canções e espetáculos.”

Outro divisor de águas foi quando contaram com a participação da artista fluminense Bia Bedran para o show “Histórias de Brincar”, no Guairinha. “Foi quando várias pessoas começaram a chegar ao coletivo - que já tinha a participação constante de Tina de Souza - e percebemos que não éramos mais um trio”, diz.  A mudança de nome, incluindo o Tupi no lugar de Trio, reforçou ainda mais a busca pelo resgate da cultura nacional.

"A arte é um veículo que abraça, que alegra, que comunga e que conclama que as crianças espalhem o perfume do bem pelo mundo.”  Guga Cidral

Hoje, o Tupi Pererê (que na sua formação fixa conta com Guga, Daniel Arenhart e Ithyara Tainá) é conhecido por milhares de crianças curitibanas, e leva música brasileira de forma leve e colorida aos pequenos.

“As crianças brasileiras não são eruditas. Elas têm música no corpo, na alma, e são donas de um corpo que se movimenta, têm este movimento como expressão.”

Guga encara como missão o seu papel de buscar a reconexão da infância com a arte infantil. “No meu papel como artista e educador acredito muito no sagrado da infância, no resgate do pé no chão, do brincar entre a família.”

O sucesso, aliás, não é medido por ele pelo olhar comercial, mas com os louros que vai colhendo no dia a dia, no seu trabalho como atelierista nas escolas. “Ele (meu trabalho) está muito dentro da escola, nos jogos de cultura popular, resgatando a essência do guri e da guria, da criança brasileira”, avalia Guga, que atualmente atua em diversas instituições de educação em Curitiba e Região Metropolitana, mas que viaja o Brasil formando rodas de educadores brincantes e preparando elencos de espetáculos para infância com imersão artística e pedagógica.

Neste vai e vêm entre rodas de brincadeiras, ateliês e shows, Guga Cidral vai tecendo novos projetos e ampliando sua atuação. Em 2018, lançou seu primeiro livro de literatura para crianças: “O menino que amarrava tudo” pela editora Trilha das Letras de SP. “Agora, a gente vive um novo e grande momento: estamos em processo de gravação do nosso primeiro EP, um disco virtual que vai celebrar canções desde o começo do Tupi”, conta.

A ideia nasceu em plena crise pandêmica. “Estávamos desde março de 2020 sem ver as crianças, apenas contando com lives. Em outubro, fizemos nosso primeiro show em meses, num domingo à tarde, na Pedreira, junto com a Fafá Conta, com quem lançamos uma música na pandemia, a ‘Vai ficar tudo bem’. O show, que foi em formato de drive (com os espectadores dentro dos carros), lotou! Foi incrível ver as crianças e isso nos deu ânimo. A partir desta música e deste show decidimos fazer o EP, para que a nossa música chegue nas casas destas crianças em forma de rádio”, alegra-se.

Sobre este tempo de pandemia, aliás, Guga Cidral ao invés de se lamentar pelos shows perdidos agradece a oportunidade de continuar na ativa por meio da educação, lembrando que se as portas das escolas permaneceram fisicamente fechadas aos alunos durante boa parte dos últimos meses, semanticamente elas sempre estiveram abertas, e o trabalho a pleno vapor. “A educação foi nosso suporte nestes meses, em todos os sentidos, inclusive no econômico, já que estamos sem cachê. Sou muito grato às gestoras que acreditam na gente como educador”, agradece.

Para o futuro, Guga Cidral sonha com uma sociedade que consiga perceber o valor da arte, em especial da arte brasileira, na formação de cidadãos.  “Acho que este é o meu dever desde criança, trabalhar para que as crianças tenham a mesma infância que eu tive, com segurança e arte. Quero que elas tenham um mundo melhor e vou usar a arte como veículo. A arte é um veículo que abraça, que alegra, que comunga e que conclama que as crianças espalhem o perfume do bem pelo mundo.”

E, além do aspecto idealizador, ele tem um objetivo muito concreto. “Sinto quando vejo que as famílias privilegiam coisas do mundo lá fora, queria que a arte tivesse o mesmo peso que outro idioma tem, por exemplo, na formação das crianças”, defende ele, que sonha com uma escola de artes para as crianças com multilinguagens que se conversem o tempo todo. “E é por aí que a banda toca, este é o meu grande sonho. E eu vou realizá-lo, junto à tupizada toda!” 

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