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Escultura cinética em frente ao Nomaa Hotel, em Curitiba.
A escultura cinética “O Vento e o Tempo”, de Claudio Alvarez, traz um respiro de arte para quem passa em frente ao Nomaa Hotel, no Batel.| Foto: Leo Flores

Uma obra de arte que se movimenta de acordo com o tempo e obedece à regra da impermanência, assim como a vida na cidade. A descrição refere-se à escultura cinética “O Vento e o Tempo”, de Claudio Alvarez, localizada em frente ao Nomaa Hotel, no Batel.

Ainda que recente – foi instalada em 2021 –, a obra chama a atenção e instiga a curiosidade de quem passa em frente ao número 168 da tranquila Rua Gutemberg.

Com aproximadamente 4 metros de altura, a escultura produzida em aço inoxidável é composta por dois elementos em formato de pêndulo, que ficam presos a uma estrutura estática. A ação do vento faz com que os pêndulos se movimentem, gerando diferentes ângulos e percepções.

O trabalho faz parte de uma série de pesquisas que o artista plástico Claudio Alvarez vem realizando sobre o tempo, seu significado e sua simbologia. “Como se trata de uma obra de grande porte e é em um espaço aberto, esse raciocínio sobre o tempo insere o vento. Isso cria uma espécie de brincadeira lúdica, pois a ideia que temos de que o tempo é linear e regular se transforma em algo aleatório quando interage com a força do vento”, comenta.

A escultura “O Vento e o Tempo” se movimenta a partir do vento.
| Leo Flores

Para o professor de História da Arte da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) e crítico de arte Fabrício Vaz, a obra enriquece a experiência urbana e traz uma pausa para o espectador que está passando pela rua, criando uma poesia com algo que é cotidiano. “Você está na correria do dia a dia quando seu olhar é capturado por uma coisa tão corriqueira, que é o vento. Esse olhar é o mesmo de quando as pessoas vão para a praia ver o mar, é essa mesma pausa que a escultura traz”, diz Fabrício, que acompanha de perto o trabalho de Claudio.

O especialista observa que a arte cinética, que insere o movimento para atribuir sentido e reflexões, é uma constante no trabalho do artista. “São obras estáticas, que se movimentam ou que exigem um movimento do espectador. No caso da escultura em frente ao Nomaa Hotel, o movimento é criado a partir da oposição de dois elementos: o ar, que é invisível, leve e natural; e o metal, que é visível, pesado e se apresenta de forma artificial e geométrica.”

Claudio Alvarez

O artista plástico começou sua carreira na arte no final da década de 1970. Nascido na Argentina e radicado no Brasil há mais de 40 anos, escolheu Curitiba para viver. Além de pesquisar sobre o tempo, o artista, que já participou de feiras e exposições nacionais e internacionais, também estuda e trabalha com assuntos ligados à aparência das coisas, no sentido do que são e do que parecem ser.

Claudio compara seu trabalho ao de um cientista: que estuda, descobre coisas e acrescenta novas descobertas às anteriores. “Eu acompanho alguns movimentos artísticos e tenho minhas referências, mas não é uma influência direta. Sempre segui o ‘fio condutor’ que são as minhas próprias pesquisas.”

Para ele, a obra “O Vento e o Tempo” representa também um reconhecimento e incentivo para quem faz arte na cidade de Curitiba. “Gosto de pensar que a arte consegue agregar e humanizar a cidade, afinal ela possui um pouco esse papel.”

Olhar do fotógrafo

A escultura “O Vento e o Tempo” é a segunda obra de arte a ilustrar a série de capas 2022 da Revista Pinó, seguindo a proposta de apresentar aos moradores de Curitiba obras acessíveis e que fazem parte da paisagem da cidade. Até dezembro, serão 12 obras selecionadas, compondo uma série de capas colecionáveis para os assinantes.

Leo Flores, que assina a série, conta como encarou o desafio de fotografar uma escultura em movimento. Para registrar a obra, optou pelo uso de uma lente macro, para dar maior proximidade aos detalhes, e por uma configuração de longa exposição na câmera. “Fotografar qualquer coisa em movimento é sempre um desafio. Além disso, para essa foto, entendi que o ambiente complementa a arte. Então, busquei entender os elementos ao redor. A obra não pode ser entendida isoladamente, tem que ser entendida no espaço em que está inserida.”

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