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O Paraná será protagonista da eleição presidencial?
| Foto: Maryane Vioto Silva/Gazeta do Povo

O fato político nacional do mês de novembro é a filiação do ex-juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba Sergio Moro ao Podemos e sua indicação como pré-candidato do partido à Presidência da República. Natural de Maringá e reconhecido internacionalmente pela atuação em Curitiba, na condução dos processos relativos à Operação lava Jato, Moro, se confirmar a candidatura, seria apenas o terceiro paranaense a disputar o principal cargo eletivo do país. E o primeiro com potencial para ter algum papel de destaque na eleição.

Por coincidência ou tradição, desde a República do Café Com Leite (quando o poder era alternado entre paulistas e mineiros), políticos do Sudeste e do Nordeste, com alguns gaúchos se intrometendo, disputam as eleições presidenciais como protagonistas.

Até hoje, na história da República, apenas Affonso Camargo, em 1989, e Alvaro Dias (Podemos), na última eleição, em 2018, concorreram à presidência. Mas nenhum dos dois atingiu, sequer, 1% dos votos no resultado final do pleito. Camargo, que concorreu pelo PTB, foi o 11º colocado da eleição que levou Fernando Collor ao Palácio do Planalto. O paranaense recebeu 379,2 mil votos (0,52%).
Principal articulador da filiação de Sergio Moro, Alvaro Dias foi o nome que o Podemos apresentou como alternativa no conturbado cenário eleitoral de 2018. Mas o senador não conseguiu conter a ascensão de Jair Bolsonaro (então no PSL) como antagonista do PT de Fernando Haddad e ficou na nona posição, com 859,6 mil votos (0,8%).

Outros nomes da política paranaense despontaram algumas vezes como pré-candidatos à presidência, como Ney Braga, que ocupou importantes ministérios durante o governo militar, mas foi preterido politicamente após se posicionar contra o Ato Institucional Nº 5, redirecionando sua carreira, novamente, para o Paraná. Ex-governador e ex-senador pelo estado, Roberto Requião também foi lançado pelo PMDB em mais de uma pré-campanha eleitoral. A oportunidade em que a pré-candidatura mais foi levada a sério foi, também, em 2018, quando o PMDB estava dividido e o então senador fazia duras críticas ao presidente Michel Temer, seu correligionário. No final, o partido acabou escolhendo o ex-ministro Henrique Meirelles.

Sergio Moro é acompanhado de perto por simpatizantes e detratores desde 2014, quando proferiu as primeiras sentenças da Operação Lava Jato. Angariou seguidores fiéis e inimigos ferrenhos, de todos os lados do espectro político. Viveu dias de unanimidade nacional, mas passou por momentos de descrédito. Conheceu os bastidores da política quando decidiu deixar a magistratura para assumir o Ministério da Justiça, de onde acabou saindo após uma crise institucional, mas mantém sete anos ininterruptos de grande exposição ao público, o que o torna uma figura mais conhecida, inclusive, que a maioria dos demais políticos que se apresentam como pré-candidatos.

Com grande parte do quadro político nacional quebrando a cabeça para tentar viabilizar um candidato da chamada “terceira via” para furar a tendência de polarização entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Moro surge como o principal “outsider” (candidato de fora da política) no atual cenário e com um potencial eleitoral capaz de tirar os políticos paranaenses da posição de meros figurantes nas eleições presidenciais para dar ao estado algum destaque na disputa.

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