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São Luiz do Purunã
| Foto: JG Martini

A paisagem deslumbrante convida ao contato com a natureza, seja em caminhadas que podem levar minutos ou cavalgadas que podem durar horas e até mesmo em uma aula de ioga com vista para o cânion. Não é à toa que São Luiz do Purunã tem se tornado um destino tão popular entre os curitibanos.

A geodiversidade da região é um convite para o contato com a natureza e o turismo de contemplação.
A geodiversidade da região é um convite para o contato com a natureza e o turismo de contemplação.| Divulgação/ Varshana Boutique Hotel

Localizada no município de Balsa Nova, a região atrai cada vez mais turistas interessados em desacelerar e fugir da rotina da cidade grande, principalmente em tempos de pandemia. A proximidade com a capital - são 45 quilômetros, apenas - facilita o acesso e proporciona aos visitantes tanto a possibilidade de curtir um passeio de um dia quanto a de se hospedar em um dos hotéis ou pousadas. A Pinó fez uma seleção de atividades, serviços e produtos para quem pretende visitar a região. Confira!

A cidade está localizado na APA da Escarpa Devoniana, na junção dos Primeiro e Segundo Planaltos Paranaense.
A cidade está localizado na APA da Escarpa Devoniana, na junção dos Primeiro e Segundo Planaltos Paranaense.| Raphael Sobania

Cavalgadas

São Luiz do Purunã.
A cavalgada é uma das atividades mais procuradas pelos turistas que visitam São Luiz do Purunã.| Lucas Rachinsk

O turismo de natureza é a principal vocação de São Luiz do Purunã e entre as atividades mais populares está a cavalgada. “Os cavalos são o principal foco da Cainã”, conta Márcio Veck, gerente do Hotel Fazenda Cainã, que completa 25 anos de atividade e é um dos pioneiros da região. Ele explica que atualmente o estabelecimento só está atendendo hóspedes, por conta da pandemia. “Os passeios saem do hotel e percorrem uma distância de 10 a 15 quilômetros, geralmente. Mas é possível até mesmo fazer cavalgadas mais longas, com a possibilidade de almoçar no caminho, pois nossa equipe sai na frente e já vai preparando o churrasco. Quando os visitantes chegam já está tudo pronto”, explica.

Na Cabanha São Raphael, a atividade começa já no preparo dos cavalos e a “Campereada” dura cerca de três horas pelas planícies dos Campos Gerais. Para os que querem completar a experiência, a dica é terminar o passeio com o almoço tropeiro.

Pássaros de dia, estrelas à noite

Pousada Cainã
A pousada Cainã é uma das opções de hospedagem e oferece aos visitantes experiências únicas.| Divulgação

Por ser uma região mais remota e pouco povoada, São Luiz do Purunã é um convite à abertura dos cinco sentidos. Durante o dia, suas belas paisagens impressionam pela grandiosidade, mas as pequenas coisas da natureza também emocionam. Tanto que a observação de pássaros (ou birdwatching) é muito comum entre os visitantes.

Quando o sol se põe, o foco se volta para os astros celestes e a observação das estrelas é um espetáculo à parte. Para aproveitar a noite, a dica é se hospedar em um dos mais de 15 hotéis e pousadas da região, que oferecem desde opções mais econômicas até experiências mais sofisticadas.

| Divulgação

Na Cabanha Esperança, por exemplo, é possível acampar (R$ 90/pessoa), alugar um chalé de sexta a domingo (R$ 540/ casal) ou até mesmo alugar um “quarto cocheira” (R$ 130/ pessoa). “É uma experiência única, em que a pessoa dorme em um quarto ao lado da cocheira dos cavalos e pode ficar escutando os animais durante à noite”, conta o proprietário do estabelecimento, Daniel Estevão da Cruz, proprietário da Cabanha Esperança.

Para quem busca um espaço mais exclusivo, há também boas opções, como a Varshana Boutique Hotel (diárias entre R$ 1.230 e R$ 1.700, mínimo de duas diárias), que conta com 14 quartos e aceita apenas casais. “Uma das coisas que percebemos ao longo dos anos é que os casais, principalmente os que têm filhos, têm uma necessidade de terem um tempo só para si, e é isso a que se propõe nosso Hotel Boutique. Tanto que a partir deste mês o nome passará a ser Shaanti, que em hindu quer dizer ‘fique em paz’”, conta o proprietário, Lincoln Moro.

Outra opção sofisticada, o Hotel Fazenda Cainã (diárias a partir de R$ 1.597,51) também é destino de muitos casais, mas mantém as portas abertas para crianças. O destaque são as cabanas de design moderno e decoração minimalista e aconchegante.

Cicloturismo

Rota dos Tropeiros, São Luiz do Purunã
| Daniel Snege

Parte da Rota dos Tropeiros, São Luiz do Purunã era caminho por onde os grupos de cavaleiros passavam com seus produtos para serem comercializados em terras distantes. Mas hoje a porta dos Campos Gerais abriga outro tipo de rotas: a de cicloturismo.

Entusiastas do pedal têm na região pelo menos três opções, todas partindo da frente da sede do Instituto Purunã, próximo ao portal. A menor e mais fácil conta com 7,7 km, e pode inclusive ser feita pelos que gostam de caminhar. A rota média conta com 12,8 km, e a maior tem 24,8 km de distância. As três têm em comum, além da beleza, o fato de possibilitarem aos visitantes conhecer diversos estabelecimentos da região. “A mais longa é conhecida também entre quem pedala como uma rota mais difícil, pois tem muitas subidas e descidas”, conta a gerente do Instituto Purunã, Geovana Neves Madruga.

Isso porque São Luiz do Purunã abriga parte da Área de Proteção Ambiental da Escarpa Devoniana, formada há 400 milhões de anos, e está localizada entre o Primeiro e o Segundo Planaltos Paranaenses, o que garante ao local uma geodiversidade muito específica.

Arquearia

Cabanha Esperança
A Cabanha Esperança oferece aos visitantes a experiência de atirar flechas.| Lucas Rachinski

E as opções de entretenimento vão além. Para quem quer imergir na cultura indígena, que também tem grande influência na região, a dica é a Arquearia, oferecida pela Cabanha Esperança. “Levamos o arco e flecha de uma forma lúdica e simples às pessoas. Ensinamos desde a parte da segurança, da retirada do arco, até o lançar da flecha. E geralmente os turistas saem com vontade de fazer mais!”, conta o proprietário, que tem ascendência Guarani. A Cabanha atende não somente seus hóspedes, mas também os de outras pousadas da região. A atividade dura cerca de uma hora e meia e custa R$ 75 por pessoa.

Produtos de origem local

Cervejaria Arten
A Cervejaria Arten fornece cervejas artesanais para os estabelecimentos da região e em setembro abrirá seu bar de fábrica.| Lucas Rachinsk

Nos últimos anos, Purunã tem ganhado não apenas visitantes, mas também empreendedores, o que está servindo de locomotiva para o desenvolvimento de serviços e produtos com a cara da região. Entre eles, está a Feito à Mim, marca que aproveita as riquezas locais da forma mais natural possível, oferecendo aos consumidores produtos de beleza e itens de decoração.

Outra novidade é a Cervejaria Arten, que no último ano ganhou corpo comercial e hoje abastece hotéis, pousadas e restaurantes da região com os quatro estilos que fabrica. “A Arten surgiu há 10 anos em Curitiba, de um sonho muito antigo de meu marido. Logo depois decidimos comprar um terreno em São Luiz, local pelo qual nos apaixonamos, e instalamos a cervejaria na chácara. Com a chegada da pandemia, o único local para o qual fornecíamos em Curitiba fechou, então começamos a conversar com empreendedores locais (de São Luiz) e a fazer esta troca”, conta a proprietária, Ceres Marten Teixeira Alves da Silva.

O casal agora se prepara para um novo passo, a inauguração em setembro de um bar de fábrica, que possibilitará aos visitantes apreciar as cervejas artesanais e também conhecer mais sobre a sua fabricação.

Uma vínicola improvável

A Unos Mundos produz vinhos improváveis em São Luiz do Purunã.
A Unos Mundos produz vinhos improváveis em São Luiz do Purunã. É possível visitar a propriedade e degustar no local.| Divulgação

E já que estamos falando em experiências, por que não visitar a única vinícola da região? A Unus Mundos, idealizada por um casal de psicólogos também de Curitiba, já conta com tours de visitação. A ideia é mostrar um pouco da produção, que é feita totalmente pela família, desde o plantio das primeiras mudas trazidas da Europa (em 2016) à colocação dos rótulos. Atualmente, são produzidos anualmente lotes de 130 a 250 garrafas que atendem, além dos visitantes, os estabelecimentos da região. “São vinhos autorais que subvertem padrões, como por exemplo um pinot noir encorpado”, explica o sócio e idealizador Juliano Maluf Amui.

Hoje, as 12 variedades de uvas estão distribuídas em cerca de 1,2 mil árvores, mas a ideia é ampliar para pouco mais de 3 mil pés, fazendo a produção saltar dos mil litros/ano atuais para algo em torno de 4 mil a 6 mil litros/ano. A visita à propriedade, que inclui passeio pelas videiras, tábua de frios e a degustação de dois rótulos, custa R$ 75 por pessoa e os vinhos podem ser adquiridos à parte (R$ 80 a R$ 120).

Um tempo para relaxar

E que tal fazer uma aula de ioga com vista para o cânion? A experiência oferecida pela Varshana Hotel Boutique proporciona aos praticantes uma sensação única de bem-estar, segundo o proprietário do estabelecimento. “Temos aula de ioga todos os domingos, às 11h”, conta.

Varshana Boutique Hotel
Na Varshana Boutique Hotel é possível praticar ioga todo domingo às 11h, fazer massagem, caminhadas e relaxar.| Divulgação/ Varshana Boutique Hotel

E o relaxamento pode ser alcançado também de outras formas, já que o Hotel tem serviço de massagem, disponível inclusive para os visitantes que optam pelo day use (R$ 550/pessoa). “A pessoa chega pela manhã, toma um bom café, faz uma massagem, almoça e pode aproveitar durante todo o dia a estrutura oferecida, com a piscina aquecida e os cinco espaços de relaxamento, divididos entre sala de discos de vinil, sala de leitura e outros”.

Na Cabanha Esperança a conexão com a mente também é uma das propostas, mas ofertada na forma de imersões na mata nativa. “Temos uma vivência na floresta, numa trilha que beira o cânion, que tem cerca de 250 a 300 metros, mas cujo trajeto pode levar até duas horas. Dentro desta vivência mostro, ensino e aprendo com as pessoas, trazendo informações sobre o campo energético da região, a sua geologia, as plantas, e terminando dentro de uma pequena gruta que verte água pelo teto. A proposta é a reconexão com os quatro elementos da natureza e com a ancestralidade”, explica Daniel. A atividade custa R$ 75 por pessoa (valor para grupos a partir de duas pessoas, para vivência individual o valor é de R$ 150).

Dicas práticas

Para quem está planejando visitar SLP, a gerente do Instituto Purunã, Geovana, dá algumas dicas, começando pela viagem. “Apesar de ser um trajeto curto, alertamos aos visitantes que vêm de carro que o façam com cuidado, pois SLP fica numa região serrana em que há muita neblina”, avisa. Sobre o tempo, ela fala que apesar da umidade típica de serra, os dias de inverno costumam ser de céu limpo.

Além disso, ela avisa que o clima por lá é mais frio que em Curitiba, por isso vale investir em roupas quentes, mas ao mesmo tempo confortáveis. “Roupas que permitam caminhar pela região, tênis ou sapatos sem salto são ideais”.

E, por conta da pandemia, antes de pegar a estrada vale sempre se informar a respeito dos atendimentos nos lugares que se pretende visitar.

Turismo sustentável

Se por um lado a alta na demanda pela região anima, por outro requer alguns cuidados. “A procura vem crescendo num ritmo mais acelerado do que estávamos prevendo. O crescimento de 2020 teve ligação com a pandemia, muitas pessoas têm optado em ir com a família para ter tranquilidade e privacidade, além de segurança neste tempo”, explica a gerente do Instituto.

Mas este crescimento turístico não é recente, e o próprio Instituto é fruto desta transformação pela qual Purunã vem passando. Criado em 2016 para fomentar o crescimento estruturado e sustentável da região, até 2018 ele contava com apenas dez estabelecimentos parceiros. “Em 2020 passamos a ter 38 cadastrados como opções turísticas em nosso site. Mas além do aumento do número de empreendedores, vemos que estão crescendo também as parcerias entre eles, que vão se ajudando, oferecendo serviços complementares”, diz Geovana, que encara isso como um passo em relação ao grau de maturidade turística do lugar.

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