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Homem verificando sinais de calvície no espelho
Estima-se que mais de 40 milhões de homens brasileiros têm algum grau de calvície.| Foto: Bigstock

Foi durante a adolescência que a estudante universitária Bruna Bonin, de 23 anos, percebeu seu cabelo afinando. Durante a pandemia, já adentrando os 20 anos, ela suspeitou que algo estava anormal. “Quando eu prendia meu cabelo, sentia umas separações mais ‘fortes’ e meu couro cabeludo queimava com facilidade”, relata. Esses são sintomas clássicos de Alopecia androgenética, a famosa calvície.

Bonin foi diagnosticada com a condição, assim como sua mãe, que recebeu o diagnóstico muito mais tarde do que a jovem. Essa não é a única forma de alopecia existente — há mais de 50 tipos registrados na literatura médica. Por isso, ao notar sinais como os relatados por Bonin, é importante buscar um diagnóstico preciso para a realização de um tratamento eficaz.

Por que acontece? 

Para explicar essa doença, precisamos entender os elementos de seu nome científico: Alopecia Androgenética. Alopecia quer dizer “queda de cabelo”, “andro” faz referência ao hormônio masculino, testosterona, e “genética” demonstra que essa é uma condição herdada pelos genes. A calvície, que se manifesta em homens e mulheres, é causada por uma sensibilidade maior à testosterona.

“Os níveis hormonais geralmente são normais, tanto em homens quanto em mulheres, mas quem tem calvície tem uma sensibilidade maior para o hormônio. Esse é o defeito genético que explica o afinamento dos fios”, afirma Fabiane Andrade Mulinari-Brenner, professora de dermatologia da Universidade Federal do Paraná e Coordenadora do Ambulatório de Desordens do Cabelo do Serviço de Dermatologia do Hospital de Clínicas de Curitiba. Os sintomas diferem de acordo com o gênero, mas consistem sempre no afinamento dos fios ao longo do tempo. No caso dos homens, as áreas que mais sofrem com o afinamento dos fios são a coroa e a região frontal (entradas). Já no caso das mulheres, a região central é mais afetada.

Quando começa?

Como a calvície tem relação direta com os hormônios, os sintomas se iniciam já na puberdade, mas, muitas vezes, passam despercebidos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a perda substancial de volume dos fios é percebida décadas depois, a partir dos 40 anos.

A identificação tardia do problema torna o tratamento um desafio, pois, de acordo com a médica especialista, “quanto mais cedo se bloquear o afinamento capilar, melhores os resultados e a manutenção da densidade dos fios”.

Por isso é essencial realizar o diagnóstico o quanto antes. Como no começo os sintomas podem ser sutis, o olhar atento dos pais e a identificação de um histórico familiar também ajudam a identificar a condição. Além disso, um diagnóstico precoce é possível com a realização de exames como a dermatoscopia, a tricoscopia e o mapeamento capilar.

Dicas

Fique atento(a) aos sinais!

  • Modificação da espessura do fio
  • "Repartido” aumentado
  • Cabelo sem volume na franja
  • Volume do “rabo de cavalo” diminuindo
  • Queimar o couro cabeludo
  • Entradas com cabelo mais escasso

Como tratar?

Médica inspeciona calvície de paciente com uma lupa.
Diversos tratamentos podem impedir o avanço da Alopecia Androgenética.| Bigstock

Apesar de a calvície ser uma condição hereditária e, portanto, sem cura, há diversos tratamentos que amenizam os sintomas e, em parte, recuperam áreas acometidas. Além disso, por se tratar de uma condição permanente, a associação de diferentes estratégias, em casa e no consultório, ajuda a diminuir o avanço da doença e a garantir o aspecto saudável dos fios.

Na literatura médica, as intervenções terapêuticas com eficácia comprovada no tratamento da alopecia androgenética são o uso do Minoxidil e de certos bloqueadores hormonais – como a espironolactona e a finasterida.

O minoxidil, originalmente empregado no tratamento de hipertensão, é hoje o medicamento mais eficaz à disposição dos pacientes. Seus efeitos capilares benéficos foram descobertos quase que acidentalmente, já que as pessoas que utilizavam o medicamento pela via oral percebiam um aumento na quantidade de cabelos e pelos. Com seus efeitos comprovados para o tratamento da calvície, foram criadas versões tópicas — que devem ser aplicadas diretamente no couro cabeludo. Em certos casos de calvície, o minoxidil também é usado da forma original, pela via oral. Contudo, na maioria dos casos, o uso tópico já é suficiente para obter bons resultados.

Bloqueadores hormonais também contribuem com a manutenção do volume do cabelo. Opções como a finasterida e a espironolactona agem contra a característica hormonal que influencia o avanço da calvície. Esses medicamentos devem ser usados com orientação médica e, como todo tratamento, quem adere a ele precisa tomar cuidados especiais.

O laser de baixa intensidade, conhecido como LED, também é eficaz no tratamento da condição. Nesse método, que pode ser realizado em casa ou no consultório, o paciente usa um capacete que emite ondas responsáveis por estimular o couro cabeludo.

Tratamentos complementares

Outras técnicas realizadas em consultório podem auxiliar o tratamento, como terapias que injetam medicamentos diretamente no couro cabeludo – conhecidas como micro-agulhamento, mesoterapia e micro-infusão. Contudo, esses tratamentos são indicados para quem já segue um tratamento convencional há bastante tempo, mas, por exemplo, não obteve os resultados esperados. “É importante dizer que esses tratamentos não são bons isoladamente, eles são complementares. Ele é indicado para certos casos”, explica a dermatologista.

Outra opção crescentemente popular é o transplante capilar. Essa é uma alternativa empregada, em especial, em casos de perda significativa e permanente de cabelo. Essa técnica melhorou muito desde sua invenção e hoje garante resultados muito bons esteticamente, de acordo com a especialista. Contudo, a desvantagem é ainda o alto valor do procedimento. Além disso, é importante frisar que o transplante capilar não resolve o quadro de calvície por si só. “Algumas vezes, o paciente acha que ele vai fazer o transplante capilar e ‘acabou’. O transplante não afasta o tratamento clínico. Mesmo depois do procedimento, você precisa continuar usando os métodos convencionais e com a mesma disciplina”, explica a dermatologista.

Desafios

As diversas opções de tratamentos e a facilidade de obtenção dos medicamentos sugerem que estamos na melhor era para tratar a condição. No entanto, o fato de ser um tratamento longo gera problemas em sua adesão. O minoxidil, por exemplo, deve ser aplicado todos os dias, assim como a ingestão dos bloqueadores hormonais. A disciplina do paciente é um fator central na conquista de resultados melhores e duradouros.

“Como você precisa tratar por longos períodos, esse tratamento tem que ser de fácil manutenção. Senão acontece muito de o paciente seguir o tratamento por dois, seis meses e desistir, voltar com ele e desistir novamente”, explica a dermatologista sobre esse ciclo de desistência.

Mito ou verdade?

O uso contínuo do minoxidil é um dos tratamentos mais eficazes disponíveis para a calvície androgenética.
O uso contínuo do minoxidil é um dos tratamentos mais eficazes disponíveis para a calvície androgenética.| Bigstock

Vitaminas na forma de pílulas e gomas ajudam no tratamento da calvície.

MITO: A reposição vitamínica não trata calvície. A especialista relembra “calvície não se trata com vitamina! A condição não tem nenhuma relação com deficiência nutricional.” Por isso, a não ser que a pessoa apresente queda de cabelo por conta de deficiência vitamínica, esses produtos não farão efeito algum.

Shampoo anti-queda é aliado de quem tem calvície

MITO: “Os shampoos anti-queda, na realidade, são mais ‘anti-quebra’, do que ‘anti-queda’”, explica a dermatologista. Esses produtos podem até contribuir com o aspecto dos fios, contudo nenhum shampoo age contra a calvície.

A queda de cabelo gera calvície

MITO: “O defeito de quem tem calvície não é que o cabelo cai, mas que ele afina lenta e progressivamente”, explica a dermatologista Fabiane Andrade Mulinari-Brenner.

Usar boné piora a calvície

MITO: “O que se faz externamente não tem interferência na piora da calvície”, explica a especialista. O mesmo vale para os banhos quentes, que podem comprometer a saúde e aspecto dos fios, mas não estão relacionados à calvície.

Quem tem calvície não pode fazer tratamentos químicos no cabelo

MITO: Quem tem um diagnóstico de alopecia, incluindo a androgenética, pode fazer tratamentos estéticos no cabelo – como tingir, clarear, fazer mechas, alisar. Contudo, o cuidado com os fios deve ser redobrado. “Você precisa compensar a perda de qualidade da fibra, decorrente desses procedimentos, de outra forma. Isso deve ser avaliado caso a caso”, comenta a dermatologista.

A queda de cabelo por conta de covid-19 desencadeia a calvície

MITO: Se você tem calvície e você tem um período de queda, pode haver uma piora súbita da calvície.

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