A proposta é fazer uma rodovia nova, paralela à PR-412. | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
A proposta é fazer uma rodovia nova, paralela à PR-412.| Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

A aprovação de um projeto milionário para o Litoral do Paraná despertou curiosidade sobre os detalhes da chamada Faixa de Infraestrutura, projeto que o governo estadual pretende viabilizar o mais breve possível. Na tarde de segunda-feira (20), depois de muita discussão e reviravoltas, o Conselho de Desenvolvimento do Litoral (Colit) concedeu a licença prévia para a obra em Pontal do Paraná. Apenas entidades ambientalistas e o representante da Universidade Federal do Paraná (UFPR) votaram contra o projeto, com a justificativa de que era necessário avaliar precisamente os impactos que serão causados e qual seria o melhor modelo a ser executado.

EM VÍDEO:veja detalhes do projeto da Faixa de Infraestrutura

Além da rede de água e esgoto, a Faixa de Infraestrutura prevê que numa extensão de 24 quilômetros haverá uma rodovia em pista dupla, um canal de drenagem (para conter alagamentos), uma linha de transmissão de energia elétrica, um gasoduto e um ramal ferroviário. Num primeiro momento, seriam feitos apenas a rodovia, em pista simples, e o canal de drenagem. A primeira etapa da obra custaria R$ 369 milhões, de recursos próprios do governo estadual.

O projeto estabelece que uma faixa de 175 metros será aberta, em meio à Floresta Atlântica, e paralela à PR-412. A alça de acesso está prevista à margem esquerda da PR-407, mais de um quilômetro antes de chegar ao perímetro urbano de Pontal do Paraná. O argumento seria desviar o tráfego pesado, principalmente de caminhões, para a viabilização de um complexo portuário em Pontal do Sul, e para diminuir os congestionamentos e acidentes em feriados e na temporada de verão.

O projeto não é necessariamente novo: foi ressuscitado e reconfigurado. As primeiras propostas remontam da década de 1960, durante o Plano Básico Regional do Paraná. Mais tarde, Jaime Lerner também desenhou um projeto para a região, imaginando viabilizar o transporte hidroviário, em um canal navegável. Nos projetos originais, o traçado era exatamente paralelo ao mar. Contudo, com o passar do tempo, o desenho do ponto final da rodovia foi deslocado para a esquerda, para desembocar na área em que está prevista a construção de um porto privado.

Os defensores da Faixa de Infraestrutura alegam, entre outros pontos, que seria uma injeção de desenvolvimento para o Litoral, que o calado (profundidade, para a passagem de navios) na Ponta do Poço é a melhor do Paraná, permitindo que embarcações maiores atraquem por aqui, e que a rodovia acabaria com o suplício dos congestionamentos. Já quem questiona o investimento, justifica, entre outros argumentos, que dinheiro público será usado para viabilizar um empreendimento privado e que os impactos causados ao meio ambiente e à população não foram adequadamente avaliados. Moradores que escolheram o Litoral buscando sossego temem que a movimentação seja intensa demais, além do receio de que problemas sociais e sanitários, comuns em áreas portuárias, se intensifiquem em Pontal. Além disso, o local previsto para a Faixa é um dos mais conservados trechos de Mata Atlântica do Brasil.

Veja em vídeo os detalhes do projeto para o Litoral

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