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Participação Política

Ele é um “arroz de festa” de audiências públicas. E faz um baita bem à democracia

Em Curitiba, mais de 90% dos habitantes nunca foram a uma audiência pública. Só em 2018, Urandy do Val já foi a quatro para debater o Orçamento municipal

  • João Frey
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O Índice de Democracia Local (IDL), pesquisa realizada pelo Instituto Atuação com o objetivo de avaliar a democracia nas cidades, mostrou que o ponto fraco de Curitiba é a participação política. Das cinco dimensões que compõem o índice, a participação política foi a que teve o pior desempenho (22,3%). O mau resultado é sintoma, entre outros, do fato de mais de 90% dos curitibanos nunca terem participado de uma audiência pública ou reunião na Câmara Municipal. 

VEJA OS DADOS: A qualidade da democracia em Curitiba

O indicador certamente seria diferente se mais cidadãos adotassem postura semelhante à de Urandy Ribeiro do Val, conhecido nos corredores da Câmara Municipal como seu Urandy – uma espécie de “arroz de festa” de audiências públicas realizadas em Curitiba. 

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Urandy (à direita) em uma reunião da Comissão de Saúde da Câmara, em 2009.Divulgação/CMC

Urandy tem 83 anos e conta que começou a se envolver com questões políticas somente a partir dos 70 – quando se aposentou. A preocupação era com políticas públicas voltadas às pessoas idosas. Por isso começou a estudar o tema e procurou o então vereador Paulo Salamuni (PV), que propunha a criação do Conselho Municipal de Direitos da Pessoa Idosa. 

Urandy discordou da redação apresentada por Salamuni. O parlamentar sugeriu, então, que o aposentado articulasse um grupo de pessoas dedicadas ao assunto e propusessem uma nova redação ao projeto. Urandy aceitou a empreitada e entregou a Salamuni um novo projeto de lei, que foi aprovado na Câmara em setembro de 2006.

A partir desse momento, Urandy tomou gosto pela militância em defesa dos direitos da pessoa idosa. Hoje, as ações não se limitam ao setor público. Pouco antes de atender a reportagem da Gazeta do Povo, por exemplo, ele terminou de escrever uma carta ao pároco do Santuário Santa Rita de Cássia, no bairro Hauer, pedindo que ele fale aos fiéis sobre a violência contra idosos. 

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Na segunda fileira, primeira cadeira à direita, Urandy acompanha prestação de contas da prefeitura, em 2009Divulgação/CMC

Na lista de vitórias, Urandy anota – além da criação do Conselho Municipal de Direitos da Pessoa Idosa – a regulamentação por parte da prefeitura das vagas de estacionamento exclusivas para idosos e o respeito ao atendimento preferencial em lotéricas, que, segundo ele, só saiu depois de ação do Ministério Público.

LEIA MAIS: Partidos políticos são as instituições em que os curitibanos menos confiam

Orçamento

Uma das principais estratégias que Urandy adota para atingir seus objetivos é participar das audiências públicas para discussão do Orçamento de Curitiba. 

Nos eventos, ele tenta garantir recursos suficientes para obras e ações que atendam às necessidades dos idosos. Em 2018 já foi a quatro rodadas de discussões orçamentárias. Na apresentação da Lei de Diretrizes Orçamentárias realizada na Câmara na quarta-feira (6), Urandy não estava presente. Os vereadores estranharam. “Um milagre”, comentou um assessor do Legislativo. 

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Em 2014, também na Câmara Municipal, Urandy participa de audiência sobre economia criativaDivulgação/CMC

Uma busca no site da Câmara de Curitiba mostra que desde 2006 a imprensa da Casa já registra intervenções de Urandy em reuniões e audiências públicas. Em 2008, por exemplo, ele alertava os vereadores Angelo Baptista, Sabino Picolo e Mario Celso Cunha sobre o fato de a população do Paraná estar envelhecendo em taxas mais aceleradas que no restante do país. 

EM CURITIBA:Problemas da democracia estão mais na sociedade que nas instituições

Com essa postura, Urandy admite ter pouca paciência para reclamações de pessoas que não buscam meios de resolver seus problemas com os serviços públicos. 

Toda vez que alguém vem fazer alguma reclamação comigo eu pergunto: você já foi a alguma reunião na Câmara ou na prefeitura? Em alguma audiência pública? Se não foi, amigo, não pode reclamar.

Urandy Ribeiro do Val Aposentado

Para defender seu modo de atuação política, ele recorre à fábula do beija-flor que ao ver um incêndio na floresta recolhia água em um rio – uma gota de cada vez – e jogava sobre o fogo. Mesmo sabendo que isso não acabaria com o incêndio, o beija-flor seguia porque dizia estar fazendo sua parte. 

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