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Nome do general Luiz Felipe Kraemer Carbonell foi bem recebido pelas entidades de segurança do Paraná como secretário do governo Ratinho. | Andressa Katriny/CMC
Nome do general Luiz Felipe Kraemer Carbonell foi bem recebido pelas entidades de segurança do Paraná como secretário do governo Ratinho.| Foto: Andressa Katriny/CMC

Quatro das principais entidades representativas de forças policiais do Paraná manifestaram “surpresa” diante da indicação do nome do general Luiz Felipe Kraemer Carbonell, do Exército, para chefiar a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp). Apesar disso, as associações policiais confirmaram apoio ao futuro secretário e destacaram o currículo e o perfil do militar – tido como um profissional capacitado e aberto ao diálogo. Carbonell foi o primeiro secretário anunciado pelo governador eleito, Ratinho Junior (PSD) .

A surpresa decorre, principalmente, do fato de o novo secretário vir dos quadros das Forças Armadas. A última vez que o Paraná teve um representante do Exército à frente da Sesp foi há 35 anos – em 1983, quando o coronel Haroldo Ferreira Dias comandou a pasta. Desde então, os governadores vinham, tradicionalmente, optando por nomes da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Científica ou advogados.

Por outro lado, a Associação dos Delegados do Paraná (Adepol), Sindicato das Classes Policiais Civis do Paraná (Sinclapol), Associação de Defesa dos Militares do Paraná (Amai) e Associação dos Praças do Paraná (Apra-PR) endossaram a indicação do general e esperam uma gestão isonômica em relação às forças de segurança do estado.

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“[O general Carbonell] é uma pessoa extremamente preparada para gerenciamento de crises, que tem uma formação muito sólida nessa área. Ele tem um trato bom com a imprensa, transparência na comunicação de seus atos administrativos, demonstra apreço pela democracia. Não tem o estereótipo de ‘general arbitrário’ que as pessoas podem pensar”, disse o delegado Daniel Fagundes, presidente da Adepol.

O coronel César Alberto Souza, diretor da Amai, disse que já trabalhou pessoalmente com o general Carbonell, ao longo da Copa do Mundo, e elogiou o futuro secretário. “É um nome respeitadíssimo. Durante a Copa, tivemos um bom relacionamento profissional. Nós nos colocamos à disposição”, afirmou.

A Apra-PR, por sua fez, avalia que a nomeação pode facilitar o acesso das categorias ao governo do estado. Isso porque um secretário proveniente do Exército deve amenizar as disputas internas, que, eventualmente, ocorrem entre forças estaduais de segurança. Para o presidente da entidade, Orélio Fontana Neto, a mudança deve “romper com alguns engessamentos”.

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“Queremos contribuir para esse processo e acreditamos que o diálogo com a base é o caminho mais democrático e assertivo para uma nova forma de gestão”, declarou.

O Sinclapol também considera que a indicação de Carbonell deve estreitar as relações entre os policiais de base e a cúpula da segurança. “Foi uma escolha bem pensada. Acreditamos que o general seja uma pessoa preparada e que vá facilitar o acesso e o atendimento das demandas mais agudas. Nosso compromisso, neste primeiro momento, é de apoiar”, afirmou o presidente do sindicato, Fábio Barddal.

Demandas

Apesar disso, o general Carbonell terá que enfrentar alguns problemas crônicos, que afetam diretamente a qualidade dos serviços prestados pelas forças de segurança. Na Polícia Civil, as principais reclamações dizem respeito à falta de efetivo e à grande massa carcerária custodiada em distritos policiais. Hoje, as delegacias do Paraná mantêm mais de dez mil presos.

“Esperamos que o novo secretário compreenda que a Polícia Civil vem sofrendo um processo de sucateamento, de desmonte, que já dura mais de 20 anos. Para prestar um serviço digno, precisamos de meios efetivos de trabalho. A Polícia Civil precisa ser reconstruída”, asseverou Fagundes.

Na PM, uma das principais reivindicações correspondem ao acesso a um item básico à atividade policial: o colete balístico. Segundo as entidades, ainda hoje, PMs têm ido às ruas com coletes vencidos. Além disso, a Apra-PR defende o adequado tratamento psicológico aos policiais e o fim da prisão administrativa, além da instituição do ingresso por “porta única” – o que acabaria com concursos distintos para soldados e oficiais.

“A Amai está preocupada com o fato de os policiais estarem usando coletes recauchutados, além da questão da perde de direitos. A nossa luta é para que os policiais tenham curso superior para ingresso na corporação”, disse o coronel César.

O secretário

Atualmente, o general Carbonell é chefe da Assessoria de Informações da Itaipu Binacional. Ele já serviu no Centro de Comunicação Social do Exército, em Brasília, e foi chefe da Seção de Comunicação Social da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH), em Porto Príncipe.

Nascido em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, o militar tem 63 anos. Ingressou no Exército por meio da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Entre as diversas unidades pelas quais passou, o general comandou a 5ª Região Militar e a 5ª Divisão do Exército, em Curitiba. Apesar da vida nas Forças Armadas, Carbonell também tem MBA em Gestão de Projetos na Fundação Getúlio Vargas, e Gestão de Processos na Escola Nacional de Administração Pública (ENAP).

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