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Além do pátio do Porto Seco, caminhoneiros se distribuem  em postos de combustível da região | Bruno Soares/Gazeta do Povo
Além do pátio do Porto Seco, caminhoneiros se distribuem em postos de combustível da região| Foto: Bruno Soares/Gazeta do Povo

O “cabo de guerra” entre auditores fiscais da Receita Federal e os Ministérios do Planejamento e da Fazenda tem custado caro às transportadoras que atuam no ramo de importação e exportação na região do município de Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná. A estimativa dos sindicato destas empresas é de que 800 caminhões estejam parados no Porto Seco e mais 1.800 estejam à espera de liberação em postos de combustível da região.

A celeuma é justificada pelos auditores diante o não cumprimento da campanha salarial acordada com o governo do presidente Michel Temer (PMDB) no final do ano passado, além de outras inúmeras situações consideradas prejudiciais ao pleno desempenho das funções da categoria, sobretudo, nas regiões de fronteira. Em razão disso, desde o dia 30 de novembro passado os auditores atuam em operação padrão com 30% de seu efetivo para atender toda demanda do maior Porto Seco da América Latina em movimentação de cargas.

Na avaliação do diretor de comunicação do Sindicato das Empresas de Transporte Internacional de Foz do Iguaçu (SindiFoz), Paulo Cezar de Melo, as transportadoras estão “em uma briga do mar contra o rochedo”.

“Entendemos a insatisfação destes servidores. Acontece que, diante o não funcionamento do trabalho deles, nós não também não conseguimos trabalhar. E quem paga esta conta?”, questiona o sindicalista.

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De acordo com Paulo Cezar, levantamento realizado pelo SindiFoz aponta um prejuízo das transportadoras da ordem de R$ 8 milhões por dia em razão da redução do trabalho de fiscalização e suas consequências diretas impostas ao setor. “Um caminhão parado aumenta consideravelmente os gastos das transportadoras com estadia e alimentação de seus caminhoneiros. Além disso, prazos são descumpridos, multas são impostas e uma série de outros custos que só aumentam. Chega um ponto em que o empresário se percebe estrangulado”, destaca.

As informações foram repassadas durante um protesto promovido pelo SindiFoz na manhã desta segunda-feira (11), na frente da delegacia da Receita Federal de Foz do Iguaçu.

Na oportunidade o representante das empresas denunciou que mais de 1.800 caminhões estão amontoados em postos de gasolina e pátios de empresas à espera de serem chamados para se deslocarem ao Porto Seco, enquanto outros 800 ainda aguardam por atendimento no local. A reportagem não teve acesso ao interior do Porto Seco de Foz do Iguaçu, entretanto, percorreu os postos de gasolina que ficam às margens da BR 277 até a altura do ponto de fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF) situado no município de Santa Terezinha de Itaipu.

Sem exceção, todos os postos observados, nas duas margens da rodovia, estavam tomados por caminhões carregados. “Faço essa rota há dois anos e a situação sempre se repete. Neste final de ano tudo indica que irei passar o Natal aqui no posto de gasolina. Enquanto faria o trajeto normal em dez dias de viagem, por conta desta questão, não chegarei ao meu destino em menos de um mês”, desabafou o caminhoneiro Alessandro José da Silva.

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Natural de São Bernardo do Campo (SP), o profissional está com seu caminhão carregado de automóveis para serem entregues em Assunção, capital do Paraguai. “E tem outra coisa. Tudo isso tem contribuído ainda mais para o desemprego. A gente trabalha hoje com medo de incomodar a empresa, de dar mais despesa. Por isso eu economizo como posso nas estadias que recebo. Uma das alternativas é fazer minha própria refeição, dormir na boleia do caminhão e só gastar quando for realmente preciso”, completou.

Em nota, Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco) elencou inúmeras críticas ao governo federal e as ações que promove em sua rotina de trabalho. Além disso, em resposta direta à manifestação do SindiFoz, criticou a falta de união contra o que consideram ser a causa real do problema. “Não há dúvidas de que a solução para esse complicado desafio vai novamente depender da criatividade, do engajamento e do esforço dos auditores fiscais da RF. Enfim, lamentamos que o SindiFoz ao invés de cobrar do governo uma solução para o problema, resolve atacar os auditores que sempre fizeram com a máxima eficiência o seu trabalho. Não é desta maneira que soluções são encontradas”.

Procurado, o governo federal não se manifestou sobre o assunto.

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