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Nem mesmo certidão de óbito impediu contratação de morto na Assembleia

Investigação aponta que o funcionário contratado depois de morto “trabalhou” quase três anos; dinheiro do salário teria sido depositado na conta de ex-deputado estadual

  • Katia Brembatti
Foto ilustrativa | Brunno Covello/Gazeta do Povo
Foto ilustrativa Brunno Covello/Gazeta do Povo
 
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Situações sobrenaturais aconteciam na Assembleia Legislativa do Paraná. Até mesmo a contratação de um morto. A nomeação de Ruy Camargo de Souza é o caso mais emblemático que está em investigação, pelo Ministério Público, relacionado ao ex-deputado estadual Basílio Zanusso.

Durante a série Diários Secretos, reportagens mostraram outros mortos contratados no Legislativo. A desorganização – proposital ou não – no sistema de gestão de pessoal era tamanha que não era incomum que os salários continuassem a ser depositados mesmo muito tempo depois de oficializado o falecimento.

Mas a situação agora investigada tem uma característica que se diferencia das demais denúncias: a contratação aconteceu em data posterior à certidão de óbito. Assim, a Assembleia literalmente nomeou um morto como funcionário. A dificuldade para consultar documentos que deveriam ser públicos, como os diários oficiais, permitia que esse tipo de fraude passasse despercebida.

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Questionada sobre a possibilidade de ser uma pessoa com o mesmo nome, a promotora do caso, Luciane Melluso Freitas, crava que é impossível. A única informação pessoal que constava nos registros funcionais na Assembleia era um número do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), que coincide com a de um militar da Aeronáutica de São Paulo, que morreu num acidente em julho de 1999, aos 20 anos. A nomeação como funcionário da Assembleia aconteceu em abril de 2000 e ele teria “trabalhado” até janeiro de 2003 – quatro anos após a morte.

Em valores da época, o salário era de R$ 3,7 mil, o que resultou no total de R$ 116 mil no período de contratação e foram depositados numa conta bancária em nome de Basílio Zanusso. Com a correção pela inflação, os valores saltam para mais de R$ 430 mil. Procurado pela Gazeta do Povo, o ex-deputado informou que não iria se manifestar sobre o assunto.

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