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Diários secretos

O homem que não sabia que tinha sido funcionário da Assembleia

Sidnei Dacome entrou com uma ação judicial e conquistou uma indenização, ainda não paga, por danos morais por ter o nome envolvido em um escândalo

  • Katia Brembatti
Sidnei Dacome | Lineu Filho/Tribuna do Paraná
Sidnei Dacome Lineu Filho/Tribuna do Paraná
 
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Era um dia normal de dezembro de 2014 quando Sidnei Dacome decidiu, não lembra bem por qual motivo, digitar seu nome no Google. Para a surpresa dele, encontrou um registro em um diário oficial da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Mais surpreendente ainda: o documento dizia que ele estava sendo exonerado do cargo que tinha no Legislativo estadual. O estranhamento tinha um motivo: Dacome afirma que nunca foi funcionário da Casa.

Os documentos oficiais de nomeações e exonerações da Assembleia eram inacessíveis até março de 2010, quando foi publicada a série de reportagens Diários Secretos, produzida em parceria pela Gazeta do Povo e pela RPC. A revelação de que a documentação era propositalmente escondida, para ocultar contratações irregulares, levou o Ministério Público à Justiça para exigir que os atos oficiais fossem divulgados. Uma sentença obrigou a Assembleia a publicar ou republicar os diários oficiais dos anos anteriores. E foi em um desses documentos que Dacome encontrou o próprio nome.

INACREDITÁVEL:Nem mesmo certidão de óbito impediu contratação de morto na Assembleia

Intrigado com a situação, o administrador começou uma investigação particular. Foi à Assembleia e disse que precisava resgatar a ficha funcional. Ficou sabendo que “tinha trabalhado” de 1998 e 2000, no gabinete do então deputado estadual Basílio Zanusso. Naquela época, Dacome até morava em Curitiba, mas ficava mais tempo em Fortaleza (CE) e no Rio de Janeiro (RJ), cidades em que estava prestando serviços enquanto não conseguia um emprego. A situação acabou gerando um inquérito do Ministério Público que pede a devolução de R$ 1 milhão por parte de Zanusso (clique aqui e leia mais sobre o inquérito).

O administrador conta que, no período em que estava nomeado, até chegou a ir à Assembleia, mas para visitar um amigo, Pedro Zanusso, que trabalhava no gabinete do irmão deputado. Como estava desempregado e disparando dezenas de currículos, Dacome reconhece que chegou a pedir trabalho, mas teria recebido como resposta que era impossível conseguir uma vaga na Assembleia naquele momento. Ele afirma que nunca entregou dados ou cópias de documentos. Os registros oficiais da Assembleia corroboram com a versão: não constam informações pessoais de Dacome.

Ainda em busca de rastrear como acabou funcionário da Assembleia – sem nunca ter sido –, o administrador solicitou cópias das autorizações de pagamento. Descobriu que os salários iam para uma conta do antigo Banestado (onde não tinha sido correntista). Buscou então o Itaú, que faz a gestão do que sobrou do banco estatal, e soube que a conta estava em nome de Basílio Zanusso.

Ao conseguir recolher todas as pistas, Dacome pediu que um advogado da família procurasse o agora ex-deputado e questionasse o caso. Afirma que não recebeu nenhuma justificativa plausível e decidiu, então, entrar com um processo de reparação por danos morais. A ação judicial tramitou por quase dois anos.

Para (nova) surpresa de Dacome, Basílio Zanusso prestou depoimento dizendo que ele efetivamente trabalhava. E levou testemunhas. “Eles disseram que eu era motorista, que carregava as pessoas pra cima e pra baixo. Um até disse que eu levava ele na Sunab (Superintendência Nacional de Abastecimento), mas a Sunab foi extinta em 97, antes de eu supostamente ter sido contratado”, conta.

Dacome ficou indignado. “Eu queria tirar meu nome dali”. A ação foi julgada procedente, e deu ganho de causa ao administrador. O ex-deputado foi condenado a arcar com R$ 70 mil em indenização para o “funcionário fantasma”. Mas não há previsão para o pagamento, pois ainda cabe recurso, que será analisado pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), sem data para julgamento.

Outro lado

Basílio Zanusso foi procurado pela Gazeta do Povo e disse que Dacome era amigo da família e havia sido efetivamente contratado na Assembleia enquanto não conseguia emprego. Ele preferiu não comentar detalhes do caso e sugeriu que a reportagem procurasse o advogado dele, Fernando Rocco, para saber sobre o desdobramento do processo. A assessoria jurídica do ex-deputado informou que preferia não se manifestar sobre a ação judicial, com a justificativa de que ainda está em fase de recurso.

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