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Eduardo Lopes de Souza, delator e dono da Valor Construtora | Henry Milleo/Gazeta do Povo
Eduardo Lopes de Souza, delator e dono da Valor Construtora| Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo

O dono da Valor Construtora, Eduardo Lopes de Souza, prestou depoimento a promotores do Ministério Público do Paraná (MP-PR), na tarde desta segunda-feira (23), no âmbito de um processo investigativo criminal relacionado à Operação Quadro Negro – que apura o desvio de mais de R$ 20 milhões de obras de escolas estaduais. Conforme a Gazeta do Povo apurou, as perguntas tiveram como foco detalhar pontos relacionados à eventual participação do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, deputado Ademar Traiano (PSDB), no esquema.

Em sua delação – homologada no ano passado – Lopes de Souza havia mencionado que Traiano teria sido beneficiado pelos desvios, ao receber propina proveniente de dinheiro desviado de obras das escolas. Nesta segunda-feira, o empresário foi ouvido como colaborador – ou seja, com o compromisso de esclarecer dúvidas das autoridades relacionadas a pontos específicos das irregularidades investigadas. O depoimento ocorreu sob sigilo.

Lopes de Souza chegou à sede do Núcleo de Proteção ao Patrimônio do MP-PR às 14 horas e de forma discreta. Ele foi levado ao prédio por um motorista de aplicativos e, antes de entrar, preferiu não falar com a reportagem - o silêncio é uma das cláusulas do acordo. O depoimento começou às 14h30 e durou pouco mais de meia hora. A advogada do delator, Rose Baggio, apenas disse que as declarações do construtor corroboram pontos já “amplamente comprovados” nos inúmeros inquéritos e ações penais relacionados à Quadro Negro.

O que o delator já disse sobre Traiano

Em sua delação, Lopes de Souza disse que os repasses de recursos via “caixa 2” à campanha de Traiano teriam sido definidas em uma reunião realizada em 2014, na casa do então governador Beto Richa (PSDB). O dono da Valor afirmou ter se comprometido a dar R$ 100 mil ao deputado e que fez a entrega pessoalmente a Traiano, no gabinete da liderança do governo na Assembleia. Ao perceber que havia mais dinheiro na mala, o parlamentar teria dito: “Não pode me dar mais?”. O delator, no entanto, teria explicado que o restante dos recursos já estavam “comprometidos” com o pagamento a outros deputados.

O dono da Valor relatou ainda outros três pagamentos de R$ 100 mil a Traiano – feitos em dezembro de 2014 e em fevereiro e abril de 2015. Em uma das ocasiões, Lopes de Souza disse ter entregado a propina na casa de Traiano e que colocou o dinheiro em uma caixa com garrafas de vinho, para evitar suspeitas.

O que diz Traiano

A Gazeta do Povo tentou ouvir Ademar Traiano, mas ele estava acompanhando o sepultamento do deputado Bernardo Ribas Carli (PSDB), morto em um acidente de avião no fim de semana. Na ocasião da delação, no entanto, Traiano emitiu nota em que disse repudiar “veementemente as acusações infundadas”, que assegura a lisura de suas ações e que a Justiça deve agir na plenitude de suas competências.

Fanini

O ex-diretor da Secretaria de Estado da Educação (Seed) Maurício Fanini também mencionou em sua proposta de delação premiada que Traiano teria sido beneficiado pelos desvios da Quadro Negro. Segundo Fanini, em julho de 2014, o deputado o teria interpelado de maneira intimidatória, exigindo que ele pedisse o repasse de R$ 500 mil a dois empreiteiros que prestavam serviços à pasta. O ex-diretor da Seed disse que os empresários confirmaram terem repassado a Traiano R$ 150 mil e R$ 100 mil. A proposta de colaboração de Fanini não foi homologada.

Improbidade

Além dos processos criminais, o Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa (Gepatria) do MP-PR instaurou 35 inquéritos civis para apurar a prática de improbidade administrativa e para responsabilizar os envolvidos. Três desses processos estão relacionados a obras da Valor em Ponta Grossa. Os outros processos implicam outras 23 construtoras.

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