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Tragédia em Goiânia

Aluno que matou colegas agiu com “extrema violência e frieza”, diz promotor

Para ele, internação determinada pela Justiça foi necessária para que o jovem “se conscientize da gravidade do ato infracional praticado”

    • Folhapress
    • 22/10/2017 20:52
     | Guilherme Costa/Estadão Conteúdo
    | Foto: Guilherme Costa/Estadão Conteúdo

    O promotor Cássio Sousa Lima, que ouviu no fim de semana o adolescente de 14 anos que matou dois colegas e feriu outros quatro em Goiânia, disse que ele agiu com “extrema violência e frieza”. Na representação apresentada à Justiça, Sousa Lima afirma que constatam-se indícios “mais do que suficientes” para pedir a internação provisória do garoto por 45 dias.

    “No presente caso, é evidente a extrema violência e frieza no planejamento e execução da conduta típica, como também o considerável número de vítimas atingidas, assim, a medida se perfaz em imprescindível instrumento acautelador social, com o fim de evitar-se a prática de novos atos infracionais graves, resguardando-se a ordem pública”, afirma o promotor.

    Para ele, a internação é necessária para que o jovem “se conscientize da gravidade do ato infracional praticado, sob pena de, no caso de liberação, caracterizar-se um verdadeiro estímulo para a prática de novas infrações”.

    A defesa do jovem pediu para que ele não seja transferido do local em que está apreendido desde sexta-feira (20), dia em que atirou nos colegas, até que seja ouvido pelo juiz.

    Para tentar evitar que o garoto seja condenado à punição máxima prevista no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) – três anos de internação –, a defesa pretende alegar que ele nunca teve nenhum caso de violação à lei e que tem uma família estruturada.

    Mesmo que seja condenado à punição máxima, o adolescente poderá seguir uma vida normal depois que cumprir a medida socioeducativa. “Para efeito criminalístico, não conta como antecedente, só como desvio de personalidade”, afirma o promotor Cássio Sousa Lima, que atuou no caso durante o plantão do final de semana.

    A chamada “bancada da bala” do Congresso quer usar a tragédia de Goiânia para pressionar que a PEC (proposta de emenda à Constituição) da redução da maioridade penal entre na pauta da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado.

    Luto

    A tragédia de sexta-feira ainda provocava comoção neste domingo. A faixa que convidava para a feira de ciências que aconteceria no sábado (21) dividia espaço na fachada do Colégio Goyases com cartazes de solidariedade às famílias das vítimas.

    O episódio também foi abordado na missa da igreja Santo Inácio de Loyola, próxima à escola. “Não é momento de julgarmos nem condenarmos ninguém”, disse o padre que celebrou a missa da noite. “[A tragédia] serve para que todos nós acompanhemos mais de perto nossos filhos.”

    Os diretores da escola Goyases se manifestaram pela primeira vez neste domingo. “Essa lacuna deixada pelos ausentes será irrecuperável, diz um trecho do comunicado publicado nesta tarde. A nota é assinada pela “Família Goyases”, referência ao nome do colégio.

    Os responsáveis pela escola dizem estar enlutados e pedem para que não se faça qualquer julgamento.

    “Deixemos de lado os julgamentos e vamos promover uma profunda reflexão na sociedade, nas escolas e nos lares e sobretudo uma reflexão individual perguntando o que podemos fazer para amenizar a dor desse momento e como deveremos agir para evitar futuros fatos assim tristes”, diz a nota.

    A escola diz estar dando “total respaldo às famílias” e afirma que durante a semana será redefinido o calendário do ano letivo.

    Como terça-feira (24) é feriado em Goiânia por causa do aniversário da cidade, pais de alunos dizem que já não haveria aulas nesta segunda (23). A expectativa é que elas sejam retomadas na quarta-feira (25).

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