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princípio de crise 

Bancada evangélica veta escolha de Bolsonaro para Ministério da Educação 

Nome de Mozart Neves Ramos, diretor do Instituto Ayrton Senna, repercutiu mal entre deputados da bíblia e obrigou o presidente eleito a recuar. Professor colombiano passa a ser favorito ao cargo

    • Folhapress
    • 21/11/2018 21:13
    Nas redes sociais, após a veiculação do nome de Mozart e a reação da bancada, o presidente eleito Jair Bolsonaro disse que ainda não existe nome definido para o Ministério da Educação. | Marcelo Camargo/Agência Brasil
    Nas redes sociais, após a veiculação do nome de Mozart e a reação da bancada, o presidente eleito Jair Bolsonaro disse que ainda não existe nome definido para o Ministério da Educação.| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    A escolha do futuro ministro da Educação do governo de Jair Bolsonaro (PSL) gerou uma crise da equipe de transição do presidente eleito com a bancada evangélica no Congresso. O nome de Mozart Neves Ramos, diretor do Instituto Ayrton Senna, definido por Bolsonaro para assumir o cargo, causou reação de deputados contrários à seleção – Ramos é tido como moderado entre funcionários do ministério.

    Com a pressão por uma desistência do educador, o colombiano Ricardo Vélez Rodriguez foi chamado às pressas de Juiz de Fora (MG) para conversar com Bolsonaro nesta quarta-feira (21). O nome do professor já circulava entre os cotados para a pasta.

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    Rodriguez é formado em filosofia pela Universidade Pontifícia Javeriana e em teologia pelo Seminário Conciliar de Bogotá. Hoje é professor associado da Universidade Federal de Juiz de Fora.

    A informação da escolha de Mozart vazou na quarta-feira (21), um dia antes da reunião marcada com Bolsonaro para selar a indicação. Em nota, o Instituto Ayrton Senna disse que Mozart não foi convidado e que terá reunião com o presidente eleito nesta quinta-feira (22).

    Nas redes sociais, após a veiculação do nome de Mozart e a reação da bancada, o presidente eleito disse que “até o presente momento não existe nome definido para dirigir o Ministério da Educação”.

    Ao site O Antagonista, Bolsonaro afirmou que “não existe essa possibilidade”, ao comentar a nomeação do diretor do instituto. Segundo relato à Folha de S.Paulo de pessoas próximas ao educador, ele foi sim procurado na semana passada e acenou ao futuro governo federal que aceitaria o posto.

    O plano da equipe do presidente eleito era de que o nome fosse oficializado nesta quinta após a reunião, em Brasília, quando Mozart e Bolsonaro discutiriam condições para ele assumir a pasta.

    Sem compromisso com escola sem partido e fim da ideologia de gênero

    Membro da bancada evangélica no Congresso, o deputado federal Sóstenes Cavalcanti (DEM-RJ) disse que os parlamentares levaram a insatisfação ao futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Onyx, segundo ele, confirmou que teve conversas com Mozart, mas que nada havia sido definido.

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    Cavalcanti afirmou que o nome de Mozart “desagradou e muito”. “Para nós, o novo governo pode errar em qualquer ministério, menos no da Educação, que é uma questão ideológica para nós”, disse.

    O perfil do educador é classificado por servidores do Ministério da Educação como moderado. Em nenhum momento, por exemplo, ele deu declarações a favor do projeto da Escola sem Partido ou contra discussões sobre gênero em sala de aula.

    Os dois temas, em debate no Congresso contra o que seria uma doutrinação partidária por professores, serviram para alavancar o nome de Bolsonaro no cenário nacional bem antes de sua pré-candidatura presidencial.

    Com apoio dos evangélicos, o presidente eleito foi um dos líderes do movimento contra a ideologia de gênero nas escolas. No governo Dilma Rousseff (PT), ele denunciou a entrega para alunos do que, segundo ele, seria um kit em que se ensina a ser homossexual, o “kit gay”, e de um livro de educação sexual para crianças. A campanha envolvendo esse tema serviu de motor político para Bolsonaro, como o próprio reconheceu.

    Trajetória de Mozart

    Mozart chegou a ser sondado pelo presidente Michel Temer (MDB) para o mesmo cargo em 2016, mas, na época, recusou. Da mesma forma, declinou de um convite de João Doria (PSDB) para integrar o secretariado da Prefeitura de São Paulo.

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    Antes de assumir o cargo no instituto, Mozart foi presidente do Movimento Todos pela Educação e professor e reitor da Universidade Federal de Pernambuco. Ele também foi secretário de Educação daquele estado.

    Em 2010, em entrevista à Folha, ele disse ser necessário criar uma agenda para a educação que não seja de governo, mas de Estado. “Há uma clareza muito grande de que, após a redemocratização do país, após a economia ficar sólida, a terceira revolução que a gente tem de fazer é a da educação: é preciso envolver toda a sociedade nisso”, disse.

    O desejo inicial do presidente eleito era ter à frente da pasta a presidente do Instituto Ayrton Senna, Viviane Senna, mas ela demonstrou resistência a assumir o posto. Na semana passada, em um encontro sigiloso, Viviane e Mozart se reuniram com o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Após a reunião, Mozart negou à Folha que tivesse havido sondagem para o cargo ministerial durante a reunião.

    Caso a nomeação se confirme, ela representará um ponto para a deputada eleita Joyce Hasselmann (PSL-SP), que foi quem apresentou Viviane a Bolsonaro. Ainda na campanha, Viviane visitou Bolsonaro em sua casa, no Rio de Janeiro.

    Outra deputada federal com ascendência sobre Bolsonaro, Bia Kicis (PRP-DF), no entanto, reprova a nomeação de Mozart por considerá-lo “globalista”, ou seja, não alinhado ao escola sem partido.

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