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Segundo o IBGE, o agronegócio teve em 2017 o melhor ano desde 1996 – início da atual série  histórica – e cresceu 13%. | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Segundo o IBGE, o agronegócio teve em 2017 o melhor ano desde 1996 – início da atual série histórica – e cresceu 13%.| Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

A economia brasileira deixou a recessão para trás e cresceu 1% no ano passado. O resultado mostra uma recuperação após o mergulho de quase 8% em 2015 e 2016. Mas os números do quarto trimestre do ano decepcionaram: analistas do mercado financeiro e o próprio governo estavam mais otimistas e esperavam que o PIB crescesse 1,1%. No último trimestre do ano, a previsão era de alta de 0,4%, ficou em 0,1%.

Para analistas, embora abaixo do previsto, o número divulgado nesta quinta-feira (1º) pelo IBGE mostra que a retomada se consolidou. Mas ainda levará tempo para recuperar o terreno perdido.

No início de 2017, o PIB (Produto Interno Bruto) já reagia, graças à safra recorde de grãos. Segundo o IBGE, o agronegócio teve o melhor ano desde 1996 – início da atual série histórica – e cresceu 13%. Na esteira das exportações, beneficiados por preços mais altos, também seguiram o petróleo e minério de ferro.

Nos meses seguintes, o consumo saiu do vermelho e também o investimento, a indústria voltou a produzir. O estímulo veio de um contexto de taxas de juros cadentes, inflação em declínio e maior circulação de dinheiro na economia com a liberação do FGTS e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

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Carro-chefe da demanda, o consumo das famílias cresceu 1% no ano. No quarto trimestre, porém, desacelerou e ficou estagnado (0,1%), limitado por uma taxa de desemprego elevada e o crédito caro e lento. Já o investimento, que havia despencado 30% na recessão, reapareceu no terceiro trimestre e cresceu 2% no quarto trimestre, número bastante positivo. Na média do ano, porém, teve queda de 1,8%, ficando no vermelho pelo quarto ano consecutivo. Com isso, a taxa de investimentos (em proporção do PIB) ficou em 15,6%, o mais baixo patamar desde 1996.

Silvia Matos, coordenadora do boletim Macro, da FGV, nota que apesar da recuperação, a sensação de melhora não chegou às pessoas. “Houve uma desinflação importante. O que dificulta é o mercado de trabalho; a taxa de desemprego ainda está muito elevada”, diz. “Entendo o mau humor, o governo está em meio a um ajuste fiscal e os estados investem em segurança e saúde.”

A indústria teve um ano positivo. As fábricas (indústria de transformação) cresceram 1,7% – primeira alta depois de três anos de queda. Mas, no cômputo geral, o setor ficou estável no ano. Isso se deve à renitente crise da construção civil, que caiu 5% no ano passado. A retração do setor já dura quatro anos.

Recuperação acelera, diz governo

O governo comemorou o resultado do PIB e ponderou o fato de nem todos os indicadores serem estimulantes. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que os investimentos, apesar de caírem ao pior nível da história, mostraram recuperação no último trimestre. Ele afirmou que mesmo a construção civil, setor que mais demorou para mostrar sinal de recuperação, ficou positivo no último trimestre.

“Sair de uma queda do PIB de 3,5% em 2016 para a alta de 1% em 2017 é um avanço grande; mostra que a economia está acelerando”, disse Meirelles. Sobre o fato de a alta do PIB ter vindo um pouco abaixo do esperado pelo mercado, o ministro frisou que a expectativa da equipe econômica era de uma alta de 1%.

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O presidente Michel Temer disse que o resultado representa esperança para o futuro do país. Em vídeo nas redes sociais, afirmou que a recuperação do ano passado pode resultar em um crescimento de “3% ou mais” em 2018 e que deve ajudar a gerar empregos.

“O que significa isso pra você? Significa a possibilidade de criamos neste ano ainda mais 3 milhões de novos empregos, novos postos de trabalho, que se somarão ao 1,8 milhão de postos de trabalho que foram obtidos nestes últimos meses”, destacou Temer. “Isso significa progresso, desenvolvimento. Vamos em frente”, finalizou o presidente na mensagem.

Para Mansueto Almeida, secretário de acompanhamento econômico, o resultado ficou dentro da expectativa do governo, e muito acima do esperado há um ano. “Ficou muito acima do que analistas esperavam no início do ano passado, quando esperavam 0,2%, 0,3%. Então mostrou que todo o mundo errou, e ainda bem que todo mundo errou”, afirmou Mansueto.

Em nota, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, disse que o crescimento se deve, em grande parte, à implementação de reformas, como a trabalhista e a instituição do teto de gastos, além da estabilização da economia, com inflação e juros mais baixos.

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