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Decisão de Rodrigo Maia atingirá pelos 30 deputados do PT. | Marcelo Camargo/Agência Brasil
Decisão de Rodrigo Maia atingirá pelos 30 deputados do PT.| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciou, durante a votação do projeto de recuperação fiscal dos estados em calamidade financeira, que a sessão desta quarta-feira (10) terá efeitos administrativos. Ou seja, parlamentares ausentes sofrerão desconto de salário. A medida atinge metade da bancada do PT e parlamentares do PCdoB, que foram a Curitiba acompanhar o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz Sergio Moro.

TEMPO REAL: Acompanhe o dia do depoimento de Lula em Curitiba

Segundo a liderança do PT, pelo menos 30 deputados da legenda estão fora da Casa hoje. A bancada tem 58 parlamentares. Se juntaram ao grupo de petistas que foram a Curitiba as deputadas do PCdoB Jô Moraes (MG), Alice Portugal (BA) e Jandira Feghali (RJ).

Mais cedo, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), que usou a cota parlamentar para visitar o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na prisão, disse considerar válido que os deputados em Curitiba usem os recursos da Câmara porque eles estão em atividade político-parlamentar.

“Da minha parte, como procurador da Câmara, não vejo nada de ilegal ou imoral nisso. Se eles não fossem parlamentares e não tivessem atividade política, provavelmente não estariam por lá”, disse.

Marun explicou que decidiu devolver a verba da visita a Cunha para não “polemizar”. “Poderia não ter devolvido, mas decidi devolver para que isso não servisse de munição para a hipocrisia dos meus adversários”, respondeu.

Debates acalorados

O depoimento de Lula ao juiz Sergio Moro provocou debates e discursos calorosos no plenário da Câmara. Opositores dos petistas criticam a mobilização do PT para a audiência e aliados de Lula o defendem recorrendo a argumentos como a aprovação com que deixou a Presidência da República. O presidente nacional do PSDB, o senador Aécio Neves, criticou a claque do PT no Paraná, mas evitou ataques mais duros.

“É um exagero. É inacreditável. É desnecessária a tentativa de transformar um episódio corriqueiro de um processo ordinário em um grande ato político”, afirmou Aécio, numa fala rápida aos jornalistas após deixar o Serviço Médico do Senado. Ele brincou com o fato de ter sido atendido no local. “Não foi dessa vez. Não foi dessa vez!”.

Na Câmara, houve troca de farpas. Darcisio Perondi (PMDB-RS), um dos vice-líderes do governo, disse que a prisão de Lula é questão de tempo. “É só esperar. Entre 50 a 70 dias o juiz Moro estará prendendo o Lula. É triste ver um líder político do país nessa condição. E pode recorrer a Porto Alegre (se referindo ao TRF da 4ª região, instância recursal). Os gaúchos vão aumentar o tempo de cadeia dele”,- disse Perondi.

Defensores de Lula reagiram às palavras de Perondi. “Esse PMDB é cara de pau. Esteve nos governos Lula e Dilma e agora faz esse papel. E não pode falar de ninguém. Tem nove ministros desse governo enrolados na Lava-Jato”, disse Edmilson Rodrigues (PSOL-PA).

Ságuas Moraes (PT-MT) criticou os tucanos e citou os nomes dos líderes dos partidos investigados na Lava Jato, como Aécio, José Serra e Aloysio Nunes Ferreira.

Parlamentares aliados de Temer acusaram ainda os petistas de terem viajado para Curitiba com dinheiro público.

Colaboraram Bruna Borges e Evandro Éboli, correspondentes em Brasília
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